02 outubro 2018

Brasil em Transe: #ElesNão

02/10/2018

apesar da beleza e vitalidade do movimento #EleNão, há um grave equívoco em sua mensagem e no seu conteúdo político.


Bolsonaro não é um caso isolado, não é um ponto fora da curva, não é uma aberração materializada do nada.

Bolsonaro encarna fidedignamente as idéias e valores não apenas do grande empresariado, como de seus associados e serviçais, deixando exposta a face horrenda da lumpenburguesia brasileira.

como se a barbárie brasileira não tivesse nome e sobrenome, associados a inúmeros e enredados CNPJ:

- Guinle, Simonsen, Klabin, Lafer, Gerdau, Bouças, Marinhos, Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Mendes Júnior, Odebrecht, Moreira Salles, Setúbal, Aguiar, Villela, Sarney, Lemann, Armínio Fraga, Goldfajn, Safra, Steinbruch, Henrique Meirelles...

também todos aqueles que os servem mansamente, como seus ferozes cães de guarda:

- Mendes, Barroso, Neves, Marinho, Moro, Dallagnol, Dodge, Janot, Fux, Lebbos, Flores...

neste sentido, #EleNão é despolitizador. pois se apenas "Bolsonaro Não" fica implícito um SIM para: Alckmin, Meirelles, Amoedo, Marina, etc (e cabem muitos outros neste etc).

nascido como #EleNão, precisa com rapidez imediata se converter em #ElesNão. um grande NÃO à classe dominante e a todos os seus serviçais.

assim se politiza o movimento, e por conseguinte a campanha. superando a contradição de numa conjuntura de gravíssimo acirramento, nunca antes uma campanha foi tão despolitizada.

a Esquerda continuam cometendo erros fatais. e todos nós iremos mais uma vez amargar as consequências destes erros.

{nota sobre o conceito de lumpenburguesia:

"O que agora constatamos são combinações entre assentamentos de empresas transnacionais dominantes na banca, no comércio, os meios de comunicação, a indústria, etc, rodeados por círculos multiformes de burgueses locais completamente transnacionalizados em seus níveis mais altos rodeados, por sua vez, por setores intermediários de diferentes pesos.

Os grupos locais se caracterizam por uma dinâmica de tipo “financeiro”, combinando todos os tipos de negócios legais, semilegais ou abertamente ilegais, desde a indústria ou o agro business até o narcotráfico, passando por operações especulativas ou comerciais mais ou menos opacas.

É possível investigar a uma grande empresa industrial mexicana, brasileira ou argentina, e descobrir laços com negócios turvos, uso de paraísos fiscais, ou com uma importante empresa de cereais realizando investimentos imobiliários em esquemas de lavagem de dinheiro proveniente de uma rede narco, que por sua vez está associada a um grande grupo midiático.

As elites econômicas latino-americanas aparecem como parte integrante da lúmpen burguesia global. São sua sombra periférica, nem mais nem menos degradada que seus paradigmas internacionais.

Muito por baixo de todo esse universo, sobrevivem os pequenos e médios empresários industriais, agrícolas ou pecuários, que não formam parte das elites, mas que conseguem ter acesso ao elevador da prosperidade, e são inevitavelmente capturados pela cultura dos negócios confusos. Se não o fazem, na melhor das hipóteses, se estancam, ou começam a trilhar o caminho da ruína."

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