21 setembro 2008

ainda assim, se move

com a repercussão da divulgação de um acordo entre o governo Lula e Daniel Dantas, através da Editora Abril, para anular a Operação Satiagraha [1], os Ministros Dilma Roussef [2] e Tarso Genro [3] - este em nome e a pedido do próprio Presidente da República - se vêem compelidos a um desmentido: seria mais fácil nascer dente em galinha. [4]

entretanto, ao se considerar o atual nível de entrelaçamento de cumplicidades na política brasileira, nada parece ser verdadeiramente difícil.

em almoços e jantares, os que não se bicam e vivem se mordendo, acabam mastigando do mesmo cardápio.

na data da divulgação da notícia do acordo, a agenda de Gilmar Mendes apontava um almoço com a Diretoria da Revista Veja. [5] ainda naquela noite, num jantar fechado e discreto, o mesmo Gilmar Mendes seria homenageado por Lula, compartilhando à mesa, além do próprio Presidente e do anfitrião Antônio Toffoli, Advogado-Geral da União, estavam Dilma Rousseff, Tarso Genro, José Sarney e Gilberto Carvalho. [6]

data sinistra. noite confusa. patético momento... [7]

além de clara demonstração da existência de outros focos de pressão da opinião pública, capazes de contrabalançar ofensivas maciças da mídia convencional, [8] o impacto da divulgação do acordo provoca um curto-circuito no pensamento binário, até então paralisando o país num falso dilema entre campos opostos, mas complementares: a oposição conservadora anti-Lula e um apoio incondicional ao Presidente. [9]

capturada por uma esfinge sem enigmas, a política girava no vazio. e o projeto original de organização popular do PT fora reduzido a grupos de auto-ajuda, intitulados como “Amigos do Presidente Lula”. [10]

se a queda tardia no deserto do real impõe seu preço na forma de decepção e desencanto, também oferece a chance de um salto de maturidade política, desde que a inexpugnável popularidade de Lula se transforme em defesa inegociável daquilo que Lula simboliza: a ascensão das massas populares como protagonistas da política brasileira. [11]

longe de ser uma ação entre amigos, e menos ainda entre os amigos dos amigos, a política é um jogo complexo de pressões e contra-pressões, forçando a dinâmica correlação de forças a uma constante reavaliação.

o motor da política é a participação popular. sem ela, a política se esgota em si mesma, nas modernizações conservadoras, nas transições tuteladas, nas revoluções palacianas, nos pactos entre a elite e nos acordos de gabinete.

ao mesmo tempo, se expandem também as possibilidades da utilização da web como fator decisivo na política nacional, capaz de formar opinião e fomentar um debate mais amplo e profundo, influenciando decisões e arrancando respostas. [12]

aqui e agora, ainda assim, a política brasileira se move. mesmo sob o manto da hipocrisia, é obrigada a render alguma homenagem à virtude.



[1] blog do Luis Nassif, “Lula, Satiagraha e a Real Politik”, 16/09/2008, post às 8:00h
[2] blog do Luis Nassif, “Dilma explica”, 17/09/2008
[3] blog do Luis Nassif, “A Satiagraha e o Governo”, 17/09/2008
[4] blog do Luis Nassif, “Dilma explica”, 17/09/2008
[5] Agenda do presidente do STF para 16/09/2008, http://www.stf.gov.br/portal/cms/verNoticiaDetalhe.asp?idConteudo=96088
[6] Mônica Bergamo, Folha de So Paulo, 18/09/2008
[7] Cecília Meirelles
[8] blog do Luis Nassif, “A entrevista de Lula”, 18/09/2008
[9] arkx, “o pensamento binário”
[10] http://www.osamigosdopresidentelula.blogspot.com
[11] arkx, “bem vindos ao deserto do real”
[12] Eduardo Ramos, “A importância da internet na política”, Comunidade do blog do Luis Nassif

16 setembro 2008

bem vindos ao deserto do real

numa demonstração de imensa falta de fé no atual estágio de desenvolvimento do país, o governo Lula julga ser possível varrer elefantes para debaixo do tapete e, mesmo com tanta testemunha e conflito de consciência, acerta um acordo com a Editora Abril e Daniel Dantas para anular a Operação Satiagraha. [1]

até então a política brasileira estava paralisada por um paradoxo. um impasse mantinha o Brasil imobilizado no meio de uma travessia, girando em círculos numa falsa encruzilhada, prisioneiro de uma esfinge sem enigmas: o anti-lulismo reabilitando e fortalecendo o lulismo. [2]

ao se despertar do confortável auto-engano, conveniente refúgio onde a desilusão se mascara com as fantasias da maturidade e da sensatez, já não há como obstruir a busca da verdade.

cara a cara com o deserto do real, uma vã e impossível volta ao passado ingênuo emite seus últimos suspiros:

calma, ponderação e canja de galinha. [3] silêncio e reflexão. [4] provas? [5] "governabilidade". [6]

não! não tenham dó. sem misericórdia.

o óbvio cansou de explicar a si mesmo. tudo virá à luz do meio-dia. os intestinos do Brasil estão revirados e para fora. não acontecerá de uma só vez. serão estertores de agonia. todos seremos arrastados para o fundo deste abismo. até que do fundo do poço se levante a luz do abismo.

se o governo fosse um pouco mais sábio, não atrapalharia as investigações e aproveitaria seu derradeiro lance de dados. [7]

mas Lula já alcançara o cerne de sua impossibilidade.

já não há divergência entre a oposição e o governo que não possa ser superada, não pela união em função do interesse público, mas em defesa de um bandido. [8] o grande entendimento nacional e suprapartidário, com a aliança da mídia, veio justamente para encobrir um erro... [9]

no labirinto da fusão na telefonia , atado a Daniel Dantas por uma das mãos [10] enquanto com a outra mão ambos se esfaqueiam, Lula já não pode puxar o fio de Ariadne sem mais e mais expor as profundezas do coração das trevas da política no Brasil.

este é o lance de dados que Lula sempre tentou abolir: abafa o caso e serve a pizza ou o fio da meada das investigações chegará até seu governo.

ó mar salgado, quanto do teu sal são lágrimas de brasileiros! quem quer passar além do Bojador, tem que passar além da dor. Deus ao mar o perigo e o abismo deu, mas nele é que espelhou o céu. [11]

no auge de sua popularidade [12], Lula se transformou numa metáfora encarnada do processo histórico brasileiro, no qual, muito embora imposta como necessária pelo próprio desenvolvimento da sociedade, a mudança é sempre adiada ao máximo, e, ao se tornar inevitável, é antecipada, para que, no transigir, se possa limitá-la.

a cada vez que se desemboca numa crise, impondo a necessidade de mudanças, se restabelece no Brasil um acordo de cúpula, pactuado pelas elites, e a mudança se reduz a um rearranjo que tudo muda para que nada fique diferente. [13]

nossa história tem sido uma sucessão de modernizações conservadoras e transições tuteladas, sem jamais incluir no "pacto democrático" as classes trabalhadoras [14], o que nos mantém aprisionados entre dois mundos: um definitivamente morto e outro que luta por vir à luz. [15]

para o desespero das oposições conservadoras, a força de Lula advém de que não há mais retrocesso para o Brasil. Lula é forte pelo que simboliza:

as massas populares serão o protagonista de qualquer novo projeto nacional que se pretenda legítimo. a inclusão social passa a ser o ponto central da política. [16]

para Lula, que esperava envelhecer orgulhoso e impenitente, eis que agora a figueira em seu destino novamente se intromete. como veia de sangue impuro, queimou-se a pura primavera. que sombrias intrigas houve em sua formação? que negócio fizeste? nenhum remorso te acomete? [17]

o que está em jogo não é um julgamento político do Presidente da República. a batalha é pela maturidade política do Brasil. o que importa é o coração e a mente dos brasileiros.

é preciso que a popularidade do governo rompa o limite de uma simplória identificação com Lula e se converta em apoio inegociável à Democracia com participação popular.

homens e as nações quando ainda imaturos aceitam apenas pela metade a responsabilidade de construir-se. a outra metade dorme na expectativa do milagre que há de vir. se num momento determinado homens e nações assumem seu tempo humano e histórico, seus limites e grandezas, a partir daí, todos os milagres são possíveis. [18]

[1] Luis Nassif, “Lula, Satiagraha e a Real Politik”
[2] arkx, “uma esfinge sem enigmas”
[3] Anarquista Lúcida, comentário no blog do Luis Nassif
[4] Euclides, comentário no blog do Luis Nassif
[5] Fadul, comentário no blog do Luis Nassif
[6] JMP, comentário no blog do Luis Nassif
[7] Weden, comentário no blog do Luis Nassif
[8] Antônio Mário, comentário no blog do Luis Nassif
[9] Weden, comentário no blog do Luis Nassif
[10] Paulo Henrique Amorim, entrevista na revista Fórum, “Dantas comprou parte do PT”
[11] Fernando Pessoa, “Mar Português”
[12] “segundo pesquisa Datafolha, 64% da população considera seu governo ótimo ou bom.”, 12/09/2008
[13] Raymundo Faoro, “Existe um pensamento político brasileiro?”
[14] Maria da Conceição Tavares, “Política e economia na formação do Brasil contemporâneo”
[15] Sérgio Buarque de Holanda, “Raízes do Brasil”
[16] Luis Nassif, “Os cabeças de planilhas”
[17] Cecília Meirelles
[18] Hélio Pellegrino

11 setembro 2008

por que somos tão fracos?

num Brasil já conformado a desanimar-se da virtude, rir-se da honra e envergonhar-se da honestidade [1], a operação Satiagraha nos encaminha a investigar firmemente a verdadeira questão: quanta verdade nós brasileiros ainda conseguimos suportar? [2]

à medida que nos grandes veículos de comunicação se ergue uma espiral de silêncio para tergiversar a pauta, desviar e ocultar o caso principal, [3] ainda assim, mesmo que nada se ouça, é possível sentir um grito infinito atravessando a paisagem. [4]

a desolação do cenário político brasileiro provoca indignação e desalento: “é melhor ser ladrão. não por ganância. mas por medo de ser confundido com gente honesta e acabar respondendo a processo." [5]

após publicamente ser chamado às falas [6] pelo Presidente do STF, Lula não se recusa a ceder dedos e anéis, mão, membros, tronco e cabeça. apesar de manter a coroa, cada vez mais se limita a presidir apenas o Bolsa Família. [7]

por que este governo é tão obtuso? é tão forte e parece ser tão fraco. [8]

com sua inexpugnável popularidade, o governo quer ser carregado nas costas pelo povo, mas não faz o menor esforço para se erguer. [9]

o que lhe falta? vitaminas? exercícios? leitura de bons livros? afastar-se da escuridão! [10]

qual seria este óbvio tão ululante que nem mesmo os profetas conseguem ver? [11]

se o PT nasceu como um partido eminentemente não parlamentar, focado no movimento social, apoiado nas bases, com um sólido conceito de democracia interna e voltado para a criação de um socialismo libertário, hoje restou apenas um quadro na parede. na casa de José Dirceu. um espantoso peixe cabeludo. assinado por José Sarney. [12] mas como dói...

numa longa e bem tortuosa trajetória de ascensão ao poder, as mais intensas e verdadeiras bandeiras petistas foram uma por uma largadas na poeira do caminho. converteram-se em caricaturais slogans para vender implante de dentes... [13]

todo partido marcado para desempenhar fins decisivos acaba por ser posto diante da hora da verdade [14], entretanto, a lealdade que guardamos com nossos princípios é muito mais do que uma proposta política. é um projeto de vida. é algo que ninguém cala. [15]

o governo é fraco porque tem o rabo preso. [16] muitos escândalos recentes foram claramente manipulados, mas é inegável, também, que integrantes do governo, alguns deles petistas, foram pegos lambuzados com a mão na botija. [17]

com uma política monetária menos ortodoxa, ampliando ações contra a corrupção e confrontando pontualmente, com estratégia e inteligência, a oposição conservadora e os veículos de comunicação golpistas [18], Lula não estaria acuado e o país inteiro na condição de refém.

entre o zero da servidão voluntária ao mercados e o infinito de um enfrentamento político suicida, há uma série de medidas cabíveis e alternativas razoáveis para se romper o estreito círculo de giz no qual gira no vazio a política brasileira, capturada por um curto-circuito, que ao mesmo tempo impede o retorno ao passado como voltar-se no rumo do futuro.

propostas para a economia existem. elas são mais do que sabidas. estão colocadas sobre as mesas de todas as autoridades. todo mundo sabe como resolver. o que falta é decisão: [19]

- controle de fluxo de capitais;

- queda dos juros até patamar correspondente a classificação de risco internacional do Brasil;

- reforma para terminar com a indexação dos títulos federais pela Selic, ou seja, fim da correção diária da dívida pública interna pela mesma taxa de juros que o Banco Central estabelece sobre as reservas bancárias para conduzir a política monetária;

- desindexação dos preços dos serviços públicos, e, mais amplamente, a proibição terminante de o governo brasileiro aceitar qualquer indexação em seus contratos e preços administrados;

- BC assumir como missão, além do controle da inflação, a manutenção do nível do emprego e do crescimento econômico.

no campo da política, a liga que forma consciências e cidadanias não passa necessariamente por governantes. passa pela ação popular. heroísmos praticado no anonimato, no sacrifício obscuro de quem sequer sabe de seu próprio heroísmo. [20]

nos primeiros anos de vida do PT, além da organização tradicional com Diretórios, conforme a legislação, existiam os Núcleos autônomos. eram considerados a pedra fundamental do partido. a base sobre a qual foi fundado e sobre a qual deveria se estruturar e se consolidar.

a via parlamentar era considerada como secundária e apenas como auxiliar para o campo onde se dariam as autênticas transformações da sociedade brasileira: a organização autônoma nos locais de moradia e trabalho.

pouco a pouco a via parlamentar foi se impondo. os Núcleos autônomos se tornaram um entrave para a elite dirigente, pois não podiam controlar e conduzir as bases.

de organismo vivo e a serviço dos movimentos sociais, o PT se reduziu a uma máquina burocrática para atender ambições pessoais. a militância petista desapareceu das ruas e se consolidou o modelo de campanha eleitoral financiado pelos grandes empresários e conduzido pelos marketeiros.

sem as formas de organização popular, ao se chegar ao poder, já não se tem mais poder algum...

durante a ditadura militar, participar de um simples fórum de discussão já assegurava enquadramento na LSN (Lei de Segurança Nacional). atualmente até mesmo parcelas consideráveis tanto da PF quanto da Justiça Federal e mesmo da Abin (ex SNI) e das Forças Armadas estão comprometidas com a Democracia Brasileira.

caso não se estabeleça em conjunto com todos os setores que apóiam a Democracia uma estratégia de enfrentamento, haverá o golpe. mesmo que seja um golpe branco. sem enfrentamento, adeus Democracia!

mas sem estratégia, adeus enfrentamento!

é preciso uma combinação certa de coragem, inteligência e competência para progressivamente superar divisões sociais sem acirrá-las a ponto do próprio processo de superação se inviabilizar.

mais do que nunca o Brasil se mantém aprisionados entre dois mundos: um definitivamente morto e outro que luta por vir à luz. [21] as raízes da crise atual residem no fundo do poço que separa o que já morreu do que ainda não conseguiu nascer. [22]

reina a sensação de que nada mais pode ser feito. só nos resta assistir passivamente a esse desfile interminável de vitórias do crime organizado. desabafamos apenas para não enlouquecer. é só isso. a democracia já era. sobrou o discurso. oco. [23]

a política e a ética estão condenadas a serem esferas conflitantes? [24]

haverá ainda muita frustração pela frente, muita sensação de impotência, muito ceticismo se o país conseguirá ser alçado à condição de Nação civilizada. mas a marcha da história é inevitável. é extraordinário o que estamos testemunhando nesses tempos de Satiagraha: é o parto de uma Nação. [25]

That's not the beginning of the end
That's the return to yourself
The return to innocence
[26]



[1] Rui Barbosa, ”De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto crescer as injustiças, de tanto ver o poder agigantarem-se nas mãos dos maus, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver a verdade vencida pela mentira, de tanto ver promessas não cumpridas, de tanto ver o POVO subjulgado e maltratado, o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto.”
[2] Nietzsche, “Quanta verdade pode um espírito suportar?”, Ecce Homo
[3] Weden “A Espiral do Silêncio”, Comunidade do blog do Luis Nassif
[4] Edvard Munch sobre "O Grito"
[5] Hugo Albuquerque, blog do Azenha
[6] Gilmar Mendes, “Nesse caso, o próprio presidente da República é chamado às falas, ele precisa tomar providências.”, 31/08/2008
[7] Paulo Henrique Amorim, “GOLPE JÁ DEU CERTO: EISENHOWER NÃO MANDA NA CIA” 04/09/2008
[8] Luzete, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[9] Alexandre Carlos Aguiar, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[10] Justo, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[11] Nélson Rodrigues, “Só os profetas enxergam o óbvio.”
[12] Daniela Pinheiro, “O Consultor”, Revista Piauí
[13] Jair Alves, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif, “Outro dia tive o desprazer de ver um comercial de tevê usando a seguinte frase "sem medo de ser feliz" vendendo implante de dente.”
[14] Florestan Fernandes
[15] Alexandre Carlos Aguiar, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[16] Carlos, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[17] Fábio Alencar, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[18] Eduardo Ramos, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif, “O que eu penso que ele errou, foi ele errou, foi não ter confrontado a oposição e a mídia em situações pontuais, como esse caso agora, do grampo. E não ter ampliado ações contra a corrupção, além da totalmente desnecessária política monetária."
[19] Julio Sergio Gomes de Almeida, ex secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, demitido por ter criticado a política monetária do BC e seus efeitos sobre o câmbio, 04/04/2007
[20] Liu Sai Yam, comentário na Comunidade do blog do Luis Nassif
[21] Sérgio Buarque de Holanda, “Raízes do Brasil”
[22] Gramsci, citado por Chapeuzinho Vermelho, comentário no blog do Luis Nassif
[23] João Vergilio, comentário no blog do Luis Nassif
[24] Clever Mendes de Oliveira, comentário no blog do Luis Nassif
[25] Luis Nassif, “ O parto de uma nação”
[26] Enigma, “The return to innocence “

07 maio 2008

grau zero [1]

pouco importa a pronúncia, é hora de se deixar arrebatar pela magia do momento, pois o Brasil foi declarado um país sério e merecedor da confiança internacional [2], ombro a ombro com o Cazaquistão. [3]

não, não dá mais para endossar esse samba de uma nota só: ah, são os juros, os juros... [4] e agora? talvez reclamem das agências de risco... [5]

ainda bem que o mercado não presta nenhuma atenção a tal orquestra desafinada, preferindo apenas ouvir seu solista mais virtuoso. [6] visto que o BC se preocupa mais com a inflação futura do que com taxas imediatas. daí a importância das expectativas de inflação. [7]

foi cruzada uma fronteira importante e se abre uma estrada mais fácil de ser trilhada. [8] é o resultado da persistência de uma política econômica coerente, baseada no tripé responsabilidade fiscal, câmbio flutuante e metas de inflação. [9]

também recomenda-se cautela. não podemos achar que é o fim da linha. o fato de o Brasil ter sido campeão do mundo não significa que o título será eterno. se jogar mal, perde o título. [10]

mas como? se o foco das agências de risco não é o crescimento ou o bem-estar da população. e se nem mesmo considera uma análise completa de todos os aspectos da economia de um país. e se trata tão-somente de uma avaliação acerca da probabilidade de que o país pague aquilo que deve... [11]

a classificação da Standard & Poor's deveria ser tão importante? a resposta é não! como foi aprendido com a crise do sub-prime, é perigoso se dar tanto peso à avaliação de uma agência de classificação. [12]

será que recebemos de presente uma maçã envenenada? uma futura herança maldita? [13]

o problema estrutural da economia brasileira é sua condição de "economia reflexa", que apenas se adapta a ciclos externos e, por isso, não constitui um projeto próprio de desenvolvimento. aprofundamos essa condição ao nos inserir no processo de globalização, principalmente, pelos fluxos financeiros, ao contrário das economias asiáticas, que privilegiaram a inserção pela produção e o comércio. [14]

com uma nova rodada de apreciação cambial, se aprofundará a tendência ao desequilíbrio em conta corrente e se consolida uma economia baseada em indústrias maquiadoras e na produção de commodities. mas essa é uma questão para o futuro, um tempo em que os especuladores de hoje não estarão mais aqui. [15]

como o BC está ampliando o diferencial entre o juro brasileiro e o americano, em vez de diminuí-lo, ficamos na iminência de um ataque especulativo ao contrário. na esteira da nota "investment grade", a entrada de capitais no país pode assumir proporções nunca antes experimentadas pelo nosso Banco Central. passamos do risco de calote ao risco de cassino. portanto, ser considerado "investimento seguro", neste momento, é algo bem arriscado. [16]

e o que dizer sobre o surpreendente timing de se conceder o grau de investimento bem no meio de um ciclo econômico que está prestes a virar? [17]

causa espanto o momento da decisão: um cenário externo hostil, marcado pelo temor de recessão mundial e de inflação. assumiu-se o risco de fazer um upgrade importante em um momento complicado para a economia mundial e para as próprias agências, devido aos ratings dos subprimes. não se esperava um movimento tão importante. [18]

não há nada de mágico no atual momento brasileiro. o que há é muita mágica. [19]


[1] Agência Standard & Poor's promove o Brasil a grau de investimento, 30/04/2008
[2] Lula, “O Brasil vive um momento mágico. Eu não sei nem falar direito a palavra ["investment grade'], mas, se a gente for traduzir isso para uma linguagem que os brasileiros entendem, o Brasil foi declarado um país sério, que tem políticas sérias, que cuida das suas finanças com seriedade e que, por isso, passou a ser merecedor de uma confiança internacional que há muito tempo necessitava.", 01/05/2008
[3] o grau de investimento tem dez subdivisões, e, com a elevação de "BB+" para "BBB-", o Brasil alcançou o nível mais baixo dentro dessa categoria, ao lado da Índia e do Cazaquistão.
[4] Paulo Leme, Departamento de pesquisa de mercados emergentes do Banco Goldman Sachs, 02/05/2008
[5] “Talvez agora reclamem das agências de risco”, Alexandre Schwartsman, 02/05/2008
[6] “Não atrapalhem o Banco Central!”,Valor Econômico, 28/04/2008
[7] Mario Torós , Diretor de Política Monetária do BC, 30/04/2008
[8] Luiz Carlos Mendonça de Barros, “Cruzando uma fronteira importante “, 02/05/2008
[9] “Talvez agora reclamem das agências de risco”, Alexandre Schwartsman, 02/05/2008
[10] Armínio Fraga, ex-Presidente do Banco Central e sócio da Gávea Investimentos, 02/05/2008
[11] “Talvez agora reclamem das agências de risco”, Alexandre Schwartsman, 02/05/2008
[12] John Authers, Financial Times
[13] César Benjamin, “A futura herança maldita”, 03/05/2008
[14] César Benjamin, “A futura herança maldita”, 03/05/2008
[15] César Benjamin, “A futura herança maldita”, 03/05/2008
[16] Paulo Rabello de Castro, “A mágica do investment grade”, 07/05/2008
[17] Thomas Trebat, Diretor do Centro de Estudos do Brasil da Universidade Columbia, 01/05/2008
[18] “BCs discutem inflação” , Correio Braziliense, 05/05/2008
[19] Paulo Rabello de Castro, “A mágica do investment grade”, 07/05/2008

30 abril 2008

a falta que não deixa fazer...

não é possível deixar de reconhecer que a autonomia do Banco Central implica um evidente déficit democrático. o Copom está dominado por um pensamento único, redundando em comportamentos idiossincráticos, apoiados não em evidências empíricas fortes, mas na perversão religiosa de um suposto conhecimento "científico" inspirado na imoralidade ínsita no DNA do sistema financeiro. [1]

juros mais elevados costumam cobrar o seu preço em termos de crescimento da economia e desemprego. o produto e o emprego acabam prejudicados pela contração da demanda, pela perda de dinamismo das exportações e pela substituição de produção doméstica por importações. os juros mais altos elevam o custo da dívida interna e desajustam as contas governamentais. concentram a renda, pois beneficiam a minoria de privilegiados que são credores diretos e indiretos do governo. e, como se isso tudo não bastasse, contribuem para agravar a valorização do real, ameaçando recriar o problema da vulnerabilidade externa no médio prazo. [2]

mantendo-se como o bastião inexpugnável que se outorga a única missão de conservar blindada a maior taxa de juros reais do mundo, o Copom entende estar, de fato, contribuindo para a sustentação do crescimento ao evitar que a maior incerteza detectada em horizontes mais curtos se propague para horizontes mais longos. [3]

com efeito, a balança comercial brasileira fechou a terceira semana deste mês com uma queda de 63,7% em relação ao resultado de 2007. na comparação entre os resultados do mesmo período, as exportações cresceram 3,1%, contra uma alta de 30,7% das importações. [4]

as contas do Brasil com o exterior tiveram o pior março já registrado pelo BC, que começou a coletar dados em 1947. considerando todas as transações de comércio - serviço e financeiras -, o resultado foi um déficit de US$ 4,429 bilhões, resultado que surpreendeu o mercado e o próprio BC. foi também o pior primeiro trimestre da história: US$ 10,757 bilhões de déficit. se for confirmada a previsão para abril, um saldo negativo de US$ 2,8 bilhões, o déficit superará, em quatro meses, o total estimado BC para o ano, que é de US$ 12 bilhões. o envio de recursos ao exterior a título de pagamentos de lucros e dividendos atingiu US$ 4,345 bilhões, o maior valor mensal já registrado. No trimestre, foram US$ 8,662 bilhões, também recorde para o período. [5]

o aumento das remessas de lucros e dividendos é causado por quatro fatores:

- os fortes investimentos diretos e em Bolsa, que aumentam o volume de capitais estrangeiros aplicados no país;
- a valorização do real, que aumenta os lucros, quando convertidos em dólares;
- o bom desempenho da economia, que aumenta o lucro das empresas;
- a crise internacional, que leva algumas empresas a remeter resultados ao exterior para cobrir prejuízos registrados em outros países. [6]

a tragédia brasileira é que o governo Lula deu certo para os de cima, para as classes dominantes. quem ganha dinheiro com esse governo? o sistema financeiro e o grande capital produtivo. e perdem com isso os assalariados médios, os de base. os interesses de cima estão absolutamente preservados e garantidos, e a relação com as massas pode prescindir dos partidos. [7]

é nítida também uma migração da base social do governo Lula. muito embora esse governo tenha sido eleito com o apoio da classe trabalhadora organizada, sindical e politicamente, hoje é cada vez menos ancorado nesses setores e cada vez mais respaldado pelas parcelas mais empobrecidas da classe trabalhadora, que não têm emprego, trabalham sem organização sindical e política e vivem da esmola vergonhosa que o governo dá sob o nome de Bolsa Família, que hoje atinge 11 a 12 milhões de famílias, cerca de 60 milhões de pessoas. [8]

há quem diga que se Lula não tivesse cumprido os compromissos assumidos com o mercado financeiro teria caído. entretanto, quem dá o golpe se o povo elegeu e reelegeu esse cara da forma como o elegeu e, sobretudo, como o reelegeu? a mídia compactamente contra ele, todo dia soltando informações sobre corrupção, envolvimentos terríveis com o que há de pior etc. etc., e assim mesmo ele foi reeleito. não havia condições para nenhum tipo de golpe. Lula é um sujeito extremamente dotado, além de tudo tem um QI muito bom. mas os grandes estadistas também precisam ter coragem. o que falta é peito, falta coragem. [9]



[1] Delfim Netto, “Prestar contas”, 23/04/2008
[2] Paulo Nogueira Batista Jr. “Juros e inflação”, 24/04/2008
[3] Ata do Copom, 24/04/2008
[4] Folha Online, 23/04/2008
[5] Lu Aiko Otta, O Estado de São Paulo, 29/04/2008
[6] Altamir Lopes, Chefe do Departamento Econômico do BC, Valor Online, 29/04/2008
[7] Ricardo Antunes, entrevista ao Correio da Cidadania, 08/04/2008
[8] Ricardo Antunes, entrevista ao Correio da Cidadania, 08/04/2008
[9] Mino Carta, Revista do Brasil, abril de 2008

22 abril 2008

derrama

essa não é ainda a pátria com a qual Tiradentes sonhou e, mais do que isso, pela qual morreu. o fato do Brasil ter os juros mais altos do mundo, distancia o país do seu potencial de desenvolvimento e nos conduz ao alto desemprego. [1]

num filme conhecido, reprisado diversas vezes desde o Plano Real, mais uma vez se interrompe o ciclo de recuperação da economia e aprecia-se o câmbio. o déficit em transações correntes, já com forte aumento, deverá se acelerar explosivamente. em relação ao controle da taxa de inflação, são dúbios os efeitos dessa elevação dos juros. a alta da taxa de inflação se deve à inflação importada, isto é, ao aumento dos preços de alimentos, petróleo e derivados, produtos siderúrgicos e outras commodities, todas com pressões vindas do exterior, o que nos diz que a taxa de juros brasileira será incapaz de afetá-la. [2]

a inflação que vemos é provocada pela disparada dos preços das commodities devido ao crescimento da demanda dos países asiáticos. com a desaceleração da economia mundial e a recessão nos Estados Unidos, a China vai junto e a Índia também, arrefecendo as pressões inflacionárias. se o Brasil quer algum dia crescer em um ritmo forte, o caminho tem de ser baixar os juros. se a taxa ficar na casa dos 14%, o país nunca vai realizar todo o seu potencial. [3]


os juros pressionam a inflação, pois fazem parte do custo de produção e comercialização. esses custos são repassados para o trabalhador, que não pode fazer o mesmo. o verdadeiro redutor de custos é a redução salarial. no Brasil a inflação nada tem a ver com excesso de demanda. o crescimento do salário e emprego nos últimos 24 meses foi ridículo. o estoque da dívida é afetado sem justificativa a cada alta dos juros, o que provoca aumento de gastos do governo. embora a participação da dívida pública atrelada à Selic possa estar caindo, isto se deve aos outros títulos pagarem ainda mais caro. [4]

a política monetária brasileira não é apenas imbecil, [5] assim como ontem Tiradentes via sangrar de nossas Minas Gerais o ouro, se vê hoje nos bilhões e bilhões repassados ao sistema financeiro do mercado o seqüestro de nossas esperanças, o adiamento de nossas aspirações legítimas e urgentes. [6]

a terra tão rica e – ó almas inertes! – o povo tão pobre... ninguém que proteste! todos querem liberdade, mas quem por ela trabalha? quem morre, para dar vida? quem quer arriscar seu sangue? pois os heróis chegam à gloria só depois de degolados. antes, recebem apenas ou compaixão ou desdém. [7]


[1] José Alencar, como Presidente interino, em Ouro Preto (MG), 21/04/2008
[2] Yoshiaki Nakano, “Juros na contramão “, 20/04/2008
[3] Leo Abruzzese, diretor editorial da consultoria Economist Intelligence Unit, que publica "The Economist", 20/04/2008
[4] Dércio Garcia Munhoz, entrevistado por Rogério Lessa, 22/04/2008
[5] José Alencar, como Presidente interino, em Ouro Preto (MG), citando Maria da Conceição Tavares, 21/04/2008
[6] José Alencar, como Presidente interino, em Ouro Preto (MG), 21/04/2008
[7] Cecília Meireles, “Romanceiro da Inconfidência”

19 abril 2008

torcicolo

muito embora tenha garantido que uma elevação da taxa básica de juros não traria qualquer transtorno [1], no dia seguinte ao aumento da Selic em 0,50% Lula amanheceu com o pescoço imobilizado por causa de um torcicolo. [2]

ainda mais improvável do que alguém que não tem pescoço sentir dor de torcicolo [3] teria sido o BC recuar de seu anunciado ajuste dos juros. [4]

contrariando a maior parte das expectativas, inclusive do mercado financeiro, que apostava em alta de 0,25 ponto percentual, o Copom entendeu “realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros a fim de contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado”. [5]

talvez a origem do problema no pescoço do Presidente tenha sido apenas contrariedade com resultados de partidas de futebol [6], mas seja como for todos no Palácio do Planalto já tinham absorvido uma subida de 0,25% ponto, como esperava a maior parte do mercado, “mas 0,50 foi demais". [7]

o governo Lula, que teve suas origens na esquerda mas optou por assumir a política e as preocupações da direita [8], realiza magistralmente aquilo que o governo de FHC fez apenas razoavelmente bem [9], criando as condições para corações e mentes da sociedade brasileira serem conquistados pelo slogan definitivo do mercado: o maior e mais incontestável sucesso do governo é a política econômica, que proporciona estabilidade e crescimento, além de bancar os programas sociais. [10]

o resultado da estabilização da economia brasileira alcançada com o Plano Real foi conservador, mantendo o controle da inflação ao custo de uma explosão da dívida pública, o que concede enorme poder de chantagem aos chamados "mercados", entidade abstrata que, muito concretamente, financia a dívida pública brasileira [11] e se rentabiliza com a mais alta taxa de juros reais do mundo. [12]

atualmente, cerca de um terço da dívida do governo federal é atrelada à Selic. caso esse novo patamar de juros seja mantido pelos próximos 12 meses, o custo fiscal da medida será de cerca de R$ 2,9 bilhões. [13]

um dia após o anúncio do Copom, o Dólar terminou vendido a R$ 1,657 - menor cotação desde maio de 1999. ao se considerar os últimos 12 meses, o Real lidera entre as principais moedas com maior valorização frente ao Dólar: 18,61%. no mercado brasileiro, o Dólar já recuou 5,48% apenas neste mês de abril de 2008, incluindo a queda de 0,42% no dia posterior ao reajuste da Selic. [14]

a elevação dos juros terá efeito em relação às expectativas dos empresários. vai ter impacto nas pessoas ou empresas que estão tomando crédito e na dívida pública. pode também atrair ais recursos estrangeiros especulativos para o país. teremos uma taxa de câmbio ainda mais valorizada, com maior dificuldade para a exportação e maior estímulo à importação, além da substituição de produtos nacionais por importados. [15]

ao "mostrar os dentes" para Lula e para o ministro da Fazenda, Guido Mantega, [16] o BC, que reclama dos grupos de interesse, como Fiesp e CNI, mas não menciona os interesses do mercado financeiro [17], abocanha a economia brasileira como um todo e pode reduzir drasticamente a sustentabilidade do atual ciclo de crescimento. [18]

embora tenha sido precedida por alertas, vindos de analistas econômicos dos mais variados matizes teóricos e ideológicos, de que elevar os juros seria uma decisão precipitada [19], a decisão unânime pelo aumento em 0,50 ponto, acima até da expectativa de 0,25 ponto, indica como a composição do Copom é monolítica e fechada com uma única visão da política econômica.

isto não é apenas inadmissível num órgão técnico. é totalmente inaceitável numa democracia.

por se esforçar demais em agradar ao mercado, o BC acaba adotando os horizontes extremamente curtos do mercado como seus próprios. com isto se cria uma retroalimentação perigosa, em que o mercado reage exageradamente a percepções sobre o que o BC podera fazer, e o BC recorre ao mercado para se orientar sobre o que deveria fazer. [20]

o BC age como um destreinado atirador do tiro-ao-pato, que, tendo um projétil que leva alguns segundos para chegar ao alvo, sempre mira o ponto em que o pato se encontra no momento do tiro - e não o ponto seguinte. no final de 2007 houve uma mudança no patamar dos preços internacionais de alimentos, o que leva de dois a três meses para chegar ao varejo e só agora se verifica. ao mesmo tempo, a elevação no preço dos alimentos corrói o poder aquisitivo do consumidor, reduzindo o disponível para a compra de bens duráveis ou de novos financiamentos. além disso, há outro vôo do pato sendo percorrido, que é do aumento dos investimentos internos, ampliando a capacidade instalada de indústria. [21]

usando a política monetária para combater suspiros inflacionários [22] a ditadura do Copom inicia um novo ciclo de alta da Selic e condena o Brasil ao eterno vôo da galinha. [23]


o Brasil tem um Banco Central independente de fato, mas cuja independência foi imposta pelo sistema financeiro, sem que viesse acompanhada de nenhum tipo de regulamentação. criou-se assim uma instituição fechada, opaca, guardiã de interesses rentistas, permanentemente contracionista, inimiga do crescimento e socialmente irresponsável. a qualquer pretexto, impunemente, puxa o gatilho dos juros e ataca os suspeitos de sempre, misteriosas ameaças de inflação. [24]




[1] Lula, entrevista no Palácio Noordeinde, na Holanda, 12/04/2008
[2] Valor Online, 17/04/2008
[3] comentário da Primeira-Dama, Marisa Letícia:”Como é que pode alguém que não tem pescoço, ter dor de pescoço?”,Agência Brasil, 17/04/2008
[4] ata do Copom, divulgada em 13/03/2008, “a opção de realizar, neste momento um ajuste na taxa básica de juros"
[5] nota divulgada após a reunião do Copom, em 16/04/2007: "O Comitê entende que a decisão de realizar, de imediato, parte relevante do movimento da taxa básica de juros irá contribuir para a diminuição tempestiva do risco que se configura para o cenário inflacionário e, como conseqüência, para reduzir a magnitude do ajuste total a ser implementado"
[6] Lula comentou que não sabia se a origem do problema [torcicolo] tinha sido a “alta dos juros ou o massacre do Corinthians pelo Goiás”, Agência Brasil, 17/04/2008
[7] Vicente Nunes, citando comentário de auxiliar de Lula, logo depois do final da reunião do Copom, “Uma tacada forte”, Correio Braziliense, 17/04/2008
[8] Paulo Passarinho, “Banco Central: sitiado ou estrela-guia?”, 18/04/2008
[9] Ricardo Antunes, entrevista ao Correio da Cidadania, 08/04/2008
[10] Nelson Mota, “Do sonho ao pesadelo”, Folha de São Paulo, 18/4/2008
[11] Marcos Nobre, “Juros: teoria e prática”, Folha de São Paulo, 15/04/2008
[12] com a Selic em 11,75%, o Brasil manteve o título de campeão mundial de juros altos, com taxa real de 7,1%
[13] segundo o secretário do Tesouro, Arno Augustin, citado em matéria na Folha de São Paulo, 18/04/2008
[14] Fabricio Vieira e Denyse Godoy, Folha de São Paulo, 18/04/2008
[15] Marcio Pochmann, declaração à Folha de São Paulo, 18/04/2008
[16] Kennedy Alencar, citando palavras de um Ministro do Governo Lula, Folha de São Paulo, 18/04/2008
[17] André de M. Modenesi, Miguel Bruno e Salvador Werneck Vianna, “Reversão preventiva na política monetária”, nota técnica do Ipea, 04/2008
[18] André de M. Modenesi, Miguel Bruno e Salvador Werneck Vianna, “Reversão preventiva na política monetária”, nota técnica do Ipea, 04/2008
[19] “Precipitação”, editorial da Folha de São Paulo, 18/04/2008

[20] Alan Blinder, citado em “Macroeconomia da estagnação”, de Luiz Carlos Bresser-Pereira
[21] Luis Nassif, “O BC e o tiro-ao-pato”, 18/04/2008
[22] Paulo Godoy, Presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Base (Abdib), citado por Vicente Nunes, “Uma tacada forte”, Correio Braziliense, 17/04/2008
[23] Abram Szajman, Presidente da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomercio), citado por Vicente Nunes, “Uma tacada forte”, Correio Braziliense, 17/04/2008

[24] César Benjamin, “Os suspeitos de sempre”, 19/04/2008

18 abril 2008

estrela guia

desta vez, o BC não conta nem com o aval unânime do mercado financeiro, tradicionalmente a base de apoio nos embates com a Fazenda, que tem a simpatia do empresariado. nas palavras de um importante banqueiro interlocutor do BC com o mercado, ao endurecer o discurso na defesa da alta dos juros, o diretor da instituição Mário Mesquita (Política Econômica) mostrou "certeza demais" para um cenário "com dúvidas em excesso". a situação no Brasil ainda é confortável e o BC teria condições de esperar, sem risco de um descontrole de preços. [1]

a recente alta da inflação foi provocada principalmente pela alta dos preços dos alimentos, um fenômeno mundial e concentrado em alguns produtos, fora das condições de controle do BC. portanto, qualquer avaliação propondo o aumento dos juros para conter uma eventual inflação de demanda é, neste momento, precipitada. a não ser, é claro, que o BC pretenda controlar a inflação do mundo... [2]

além disto, não se deve esquecer que 4,5% é o centro da meta de inflação, com bandas de dois pontos percentuais, acima ou abaixo, para criar padrões de tolerância. fica a impressão que os 4,5% viraram o topo da meta. [3]

não temos hoje inflação por demanda, mas sim uma alta de preços causada pelos alimentos, o que é uma tendência mundial. elevar juros, portanto, em nada vai resolver o problema porque as pessoas precisam continuar consumindo alimentos. o BC tem usado o núcleo da inflação, quando a meta fixada é para o indicador cheio. [4]

mesmo ao reconhecer ser impossível controlar os preços dos alimentos no mundo, para a vozes do mercado só há uma alternativa à elevação dos juros para conter a inflação: uma redução de demanda via um corte de gastos públicos. embora a política fiscal possa ser classificada de austera, pois há superávit primário, com a receita superior aos gastos não financeiros, ainda assim seria expansionista: entre 2003 e 2007, a despesa não financeira do governo central cresceu 9,5% ao ano, a preços constantes. [5]

o que se constata na execução do orçamento da União de 2007, é 53% aplicados no pagamento dos encargos da dívida, juros e amortizações. é uma realidade deprimente a política de gastos do governo federal: à saúde foram destinados 3,49%, à segurança pública 0,40%, à organização agrária 0,31%, à educação 1,74%. [6]

por outro lado, o BC é visto como jamais tão isolado no governo quanto agora. seriam todos contra um diante de um duplo receio: a alta dos juros brecar o crescimento e valorizar ainda mais o real, pondo em risco o equilíbrio das contas externas. [7]

mais do que nunca, Lula se revela como o núcleo central de um governo que ao mesmo tempo tenta acelerar o crescimento, através dos investimentos públicos do PAC, e cujo BC freia a expansão da economia, ao assumir o papel de "caça-fantasmas", em luta contra o desprezo e a descrença para levar a cabo o exorcismo de incipientes e invisíveis pressões inflacionárias. [8]

Lula declara haver combinação perfeita entre demanda e oferta. [9] apenas para em seguida reafirmar a importância de garantir que tudo aquilo que deu certo até agora continue dando certo. não seria nem uma redução de 0,25%, nem a manutenção de 11,25% [taxa atual], tampouco o aumento de 0,25% que trariam qualquer transtorno à economia brasileira. [10]

ainda assim, numa demonstração de seu nenhum desconforto em relação à esquizofrenia insanável das contradições de seu governo, Lula garante que loucos são os que acham que ele autorizou o aumento dos juros. [11]

do Palácio do Planalto, se levanta um monumental silêncio, mesmo a contragosto, não se emite qualquer tipo de crítica contra o BC. na lógica eleitoral de Lula, o melhor é subir a Selic agora, quando a economia está "bombando", impulsionada pelo forte consumo interno, e o governo registra sua melhor avaliação junto à população. assim, a demanda dará uma esfriada, recuperando o fôlego em meados de 2009, com a Selic já em baixa, e atingindo o pico em 2010, ampliando a força do Presidente para fazer seu sucessor. [12]

e é nesse contexto que é forçoso reconhecer que, muito diferente de ser uma ilha no atual governo, a direção emanada do BC é a verdadeira estrela-guia das principais e decisivas opções do Palácio do Planalto. [13]


[1] Sheila D'Amorim e Waldo Cruz, Folha de São Paulo, 14/04/2008
[2] Júlio Sérgio Gomes de Almeida, do Iedi, citado por Guilheme de Barros, Folha de São Paulo, 11/04/2008
[3] Francisco Pessoa, da LCA Consultores, citado por Daniele Carvalho, Jornal do Commercio do Rio,11/04/2008
[4] Sérgio Vale, analista da MB Associados, citado por Daniele Carvalho, Jornal do Commercio do Rio,11/04/2008
[5] Sérgio Ribeiro da Costa Werlang, Diretor-Executivo do Banco Itaú, “As conseqüências da política econômica brasileira”, 14/04/2008
[6] Osiris Lopes Filho, citando Maria Lúcia Fatorelli , Auditora da Receita Federal, “Abrir a caixa-preta”, 14/04/2008
[7] Valdo Cruz, “Lula e a TPC”, 14/04/2008
[8] Andrew Haldane, do BC da Inglaterra, citado por Claudia Safatle, em “BC, o caça-fantasmas”, 11/04/2008
[9] Lula, entrevista no Palácio Noordeinde, na Holanda, 12/04/2008
[10] Lula, entrevista no Palácio Noordeinde, na Holanda, 12/04/2008
[11] Lula, “Quem acha isso está louco”, ao refutar que tenha dado aval para o BC elevar os juros, em Praga, 13/04/2008
[12] Vicente Nunes, “Será 0,25 ou 0,50?”, Correio Braziliense, 14/04/2008
[13] Paulo Passarinho, “Banco Central: sitiado ou estrela-guia?”, 18/04/2008

12 abril 2008

fantasmas da inflação e juro real

para o BC, entre todas as reformas feitas pelo Brasil nos últimos anos, a estabilidade é a de maior resultado, isso significa que não se deve ideologizar o debate econômico. [1]

como contrapartida da bolsa Selic, que subvenciona a “estabilidade econômica” com a maior taxa de juros reais do mundo, os programas sociais já atingem 25% da população no país. o Bolsa Família é o mais abrangente, presente em 15% das moradias de todo o Brasil, em 2006. [2]

o Plano Real não foi um simples plano de combate à inflação. a estabilidade monetária aparece como imposição determinada pelas novas condições de circulação e valorização dos capitais. não adianta a maior liberdade de movimentos se os capitais tem de enfrentar a incerteza congênita quanto à magnitude das variáveis reais que caracteriza os regimes de alta inflação e, particularmente, aqueles com mecanismos formais de indexação, como o do Brasil pré-Real. [3]

apesar de até mesmo o FMI reconhecer que a valorização contínua das moedas de alguns países, incluindo o Real, pode significar um canal de vulnerabilidade caso haja picos de volatilidade no futuro [4], o BC chama a si o papel de "caça-fantasmas", pois embora as pressões inflacionárias incipientes ainda sejam invisíveis, como se fossem fantasmas, fazendo com que as revelações sobre elas sejam recebidas com desprezo e descrença, o trabalho do BC é localizar esses fantasmas e exorcizá-los cedo. [5]

o argumento em prol da atual necessidade de se realizar uma alta preventiva da Selic não parece válido. tanto o lado real quanto as expectativas de inflação da economia brasileira desabonam a tese da necessidade de uma reversão na política monetária. [6]

o balanço entre oferta e demanda agregada está equilibrado. claros sinais de expansão da capacidade produtiva, aliados a um ritmo saudável de expansão da atividade industrial, apontam para a disponibilidade de o setor atender ao crescimento da demanda por meio de expansão da oferta, e não por elevações de preços, como teme o BC. [7]

ao caçar os fantasmas da inflação, mirando implacavelmente o limite inferior da meta, o BC acaba por exorcizar a sustentabilidade do atual ritmo de crescimento, ao impor um desnecessário viés deflacionário à economia brasileira.

uma elevação da Selic, ainda que não interrompa os investimentos já em curso, certamente inibiria novos investimentos. aí, sim, a expansão da demanda poderia comprometer a estabilidade dos preços. [8]

o BC vai repetir o mesmo erro de 2004, quando iniciou um ciclo de alta dos juros, com um aumento de 0,25 ponto, e a economia se desacelerou. [9]

apesar das críticas de empresários e de boa parte do governo à decisão do BC de aumentar a taxa básica de juros, os últimos movimentos de aperto na política monetária se mostraram bastante acertados para a estratégia eleitoral de Lula.

um ano após o BC elevar a Selic, em 2004, a inflação passou a rodar em torno dos 3%, os juros começaram a cair e a economia recuperou o fôlego. mesmo com o governo atolado em denúncias de corrupção, Lula foi reeleito em 2006.

é com base nesse histórico que o Lula apóia o BC nesta nova etapa de alta da Selic. Lula espera que, em 2009, com preços novamente sob controle, os juros recuem, a economia avance e, em 2010, ela ajude a fazer seu sucessor. [10]

Lula faz em seu governo aquilo que as classes dominantes nunca imaginaram que aconteceria: realiza magistralmente o que o governo FHC fez apenas razoavelmente bem. [11]

afinal, tem certas coisas, no que tange a favorecer os que dominam fingindo defender os explorados, que só Lula é capaz de fazer... [12]


[1] Henrique Meirelles, Presidente do BC, 09/04/2008
[2] Antônio Gois e Janaína Lage, sobre pesquisa do IBGE, Folha de São Paulo, 29/03/2008
[3] Leda Maria Paulani, “A fraqueza da social-democracia”, 08/12/1996
[4] FMI, relatório sobre a economia global, 09/04/2008
[5] Andrew Haldane, do BC da Inglaterra, citado por Claudia Safatle, em “BC, o caça-fantasmas”, 11/04/2008
[6] André de M. Modenesi, Miguel Bruno e Salvador Werneck Vianna, “Contra o viés deflacionário do Banco Central do Brasil”, 10/04/2008
[7] André de M. Modenesi, Miguel Bruno e Salvador Werneck Vianna, “Contra o viés deflacionário do Banco Central do Brasil”, 10/04/2008
[8] André de M. Modenesi, Miguel Bruno e Salvador Werneck Vianna, “Contra o viés deflacionário do Banco Central do Brasil”, 10/04/2008
[9] Júlio Sérgio Gomes de Almeida, do Iedi, citado por Guilheme de Barros, 11/04/2008
[10] Vicente Nunes, “Pertinho do aumento”, Correio Braziliense, 10/04/2008
[11] Ricardo Antunes, entrevista ao Correio da Cidadania, 08/04/2008
[12] arkx, “suicídio”, 21/12/2007

06 abril 2008

a lugar nenhum

com sua economia mantida num estado de exceção pela ditadura do Copom, mais uma vez o Brasil se vê ameaçado por uma nova rodada de elevação da taxa básica de juros.

apesar da taxa brasileira ser a mais alta do mundo em valor real, o BC considera que o importante para o país não é o movimento dos juros, mas a inflação dentro da meta.
[1]

setores do governo reconhecem que aumentar a Selic, num momento em que os EUA estão num processo de forte redução dos juros, pode ampliar o fluxo cambial no país e induzir a valorização do real. ou seja, dessa forma se gera instabilidade econômica.
[2]

no entanto, a independência e autonomia do BC reivindicam a si a última palavra: Meirelles está certo!

em 1999, FHC baixou o decreto 3.088, em cujo o artigo 1º consta: “Fica estabelecida, como diretriz para fixação do regime de política monetária, a sistemática de metas de inflação”. desde então, o único objetivo institucional da política monetária é o controle da inflação. não há menção a atividade econômica ou emprego. ao BC compete executar as políticas necessárias para cumprimento das metas fixadas.
[3]

por trata-se de um instrumento de regulação do Sistema Financeiro, e este não poderia ser regulado a não ser por lei complementar, como está previsto no Art. 192 da Constituição Federal, o decreto de FHC é claramente inconstitucional.
[4]

inflação não é controlada por meta. inflação é resultado de um processo complexo de interação entre demanda e oferta. a meta que temos que ter, enquanto economia e enquanto sociedade, é uma meta de redução da taxa de desemprego, a partir do aumento da demanda e da produção, simultaneamente. uma sociedade que tem por principal meta uma inflação baixa, a despeito das taxas de desemprego e da queda da renda do trabalho, está acumulando tensões sociais e políticas que, cedo ou tarde, se tornarão insuportáveis.
[5]

segundo o BC, o Brasil colhe os dividendos da estabilidade do poder de compra da moeda, sendo esta a maior contribuição que a política monetária pode oferecer para assegurar o crescimento econômico sustentado com inclusão social. [6]

ao se analisar os números do PIB o que se vê é uma desigualdade irresolvida, e crescente. em 1995, o total pago na forma de salários como proporção do PIB era superior a 35% e as rendas do capital ficavam um pouco acima de 31%. em 2005 a situação se inverte: os salários comparecem com 31/% e as rendas do capital saltam para quase 36%.
[7]

pela hegemonia dos mercados não pode haver alternativa em relação a inflação brasileira, senão render-se ao dogma do pensamento único: a gênese de nosso processo inflacionário está tanto na demanda excessiva quanto na natureza inelástica da oferta, sendo a insuficiência de poupança interna sua causa primária.
[8]

com isso, a inflação se torna a principal variável a se considerar na elaboração de políticas econômicas no Brasil. e o seu controle ser feito pela via da compressão de demanda (juros) e pela abertura comercial (câmbio) demonstrando a supremacia dos bancos e oligopólios nacionais e estrangeiros.
[9]

a idéia de inflação por excesso de demanda impede que se enxergue tanto o problema da capacidade ociosa, quanto seu resultado: a alta taxa de exploração e sua relação direta com o fenômeno inflacionário. em outras palavras, a inflação como efeito da má distribuição de renda no país.
[10]

ocorre que só pode haver aumento da demanda se houver investimento, caso contrário o que ocorre é puro e simples aumento de preços. o centro de gravidade do problema inflacionário no Brasil (devido ao fato de a alta taxa de exploração do sistema afetar a expansão da demanda e a emissão não suscitar o aumento desta) está no mecanismo de formação de preços do sistema.
[11]

devido a sua altamente concentrada estrutura de distribuição de renda, o Brasil é um país de baixíssima propensão a consumir. para quem não erga o “véu monetário”, entretanto, este fato se mostra deformado e mascarado, de tal forma que uma demanda insuficiente aparece como excessiva. um país sufocado ao peso de sua própria capacidade produtiva ociosa apresenta-se como se tudo lhe faltasse.
[12]

embora seja visto como padecendo de insuficiência crônica e incurável de recursos, o Brasil tem sido um país de oferta necessariamente abundante de capitais. [13]

enquanto mantém a direção econômica do país terceirizada para o presidente do BC, Lula não se constrange em cumprir uma agenda de vereador federal, inaugurando, freneticamente, insignificâncias e promessas. as claques aplaudem. o povo gosta. políticos sôfregos pegam carona. e o Brasil não vai a lugar nenhum. quem viver verá. [14]


[1] Henrique Meirelles, Presidente do BC, 06/04/2008
[2] Bernard Appy , Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, 06/04/2008
[3] J. Carlos de Assis, “Meirelles está certo!”
[4] J. Carlos de Assis, “Meirelles está certo!”
[5] J. Carlos de Assis, “Os deputados "infantis" do PT e a confusão das metas de inflação”
[6] Henrique Meirelles, em nota do BC sobre resultado do PIB de 2007, 12/03/2008

[7] João Sicsú, citado por Cyro Andrade, “Um bolo para ser entendido “Valor, 07/03/2008

[8] Elias Jabbour, sobre os 45 anos do livro “A Inflação Brasileira”, de Ignácio Rangel
[9] Elias Jabbour, sobre os 45 anos do livro “A Inflação Brasileira”, de Ignácio Rangel
[10] Elias Jabbour, sobre os 45 anos do livro “A Inflação Brasileira”, de Ignácio Rangel
[11] Elias Jabbour, sobre os 45 anos do livro “A Inflação Brasileira”, de Ignácio Rangel
[12] Ignácio Rangel, “A inflação brasileira”
[13] Ignácio Rangel, “A inflação brasileira”

[14]
César Benjamin, “Em direção a lugar nenhum”, 05/04/2008

02 abril 2008

a banca

impulsionado pela expansão do crédito e pelos juros ainda elevados, o sistema financeiro do Brasil dobrou de tamanho no governo Lula e o crescimento do lucro líquido consolidado atingiu nada menos que 200,5% sobre 2003, ano da posse de Lula em seu primeiro mandato. [1]

um mês antes de entrar em vigor a regulamentação do Conselho Monetário Nacional, que congela o valor das tarifas bancárias por seis meses, tabela divulgada pela Febraban mostra aumento de até 150% em algumas taxas, para uma inflação de 5,54% no período. [2]

a rentabilidade dos bancos não tem sido afetada pelas oscilações da economia brasileira. a única diferença está na fonte de lucros das instituições financeiras. em períodos de menor crescimento e maior instabilidade econômica, os ganhos são inflados pelas operações com títulos públicos, que ficam mais rentáveis com o aumento da taxa básica de juros. com um maior dinamismo da economia, o lucro vem da cobrança de tarifas, impulsionadas pela expansão das operações de crédito. [3]

depois de tudo o que disse na última ata do Copom, não há como o BC não elevar os juros. [4] em mais um de seus surtos esquizofrênicos, o governo Lula ao mesmo tempo acelera e breca o crescimento. [5]

segundo o BC, que projeta 4,8% de crescimento do PIB em 2008, índice inferior aos 5,4% de 2007, o forte ritmo de expansão da economia é o principal fator a ameaçar o cumprimento das metas de inflação. assim, o movimento é de alta dos juros já na próxima reunião do Copom, [6] restando uma única receita para não se elevar a Selic: o corte de gastos públicos. [7]

para as vozes do mercado, entretanto, com o PAC, as transferências sociais e a alta do salário mínimo, o resultado é a colocação de mais recursos na economia, injeção na veia do consumo, pressionando a inflação. [8]

se o PT era um partido de esquerda, o governo Lula acabou sendo um governo extremamente conservador na política econômica. mais conservador até do que os mercados esperavam. [9]

do ponto de vista da banca, nunca o Brasil esteve tão bem como hoje. a educação, a saúde, tudo melhorou enormemente. infelizmente, porém, a taxa de natalidade ainda cresce de forma absurda. o Brasil precisa diminuir a taxa de natalidade. [10]

apesar dos bancos nunca terem ganho tanto dinheiro quanto no governo Lula, [11] o que se constata é um mercado não saturado de crédito. no setor informal e de baixa renda, há muita necessidade não atendida porque os bancos tradicionais não estão prontos para esse segmento. [12]

o maior tomador de crédito no Brasil é o governo, que paga taxas altíssimas. se o governo quer baixar os juros tem de deixar de chancelar essas taxas. se os bancos tem acesso para captar do público e simplesmente emprestar ao governo com uma margem gigante, não precisa ser nenhum gênio para fazer isso. é fácil. além disto, ao pagar juros altos, o Brasil atrai grande quantidade de fluxo estrangeiro, o que valoriza o câmbio. [13]

seria um erro muito grande o BC subir os juros. tem de baixá-los para que a economia cresça mais. a forma para garantir um crescimento que se prolongue é com o mercado interno. o que há é um problema de oferta, e não de demanda. quando sobe os juros, o BC faz a demanda baixar. é preciso criar mais oferta. [14]

sempre com suas idéias fora de lugar, o pensamento liberal brasileiro não desiste de seu sonho impossível: um estado sem nação, uma nação sem povo e um povo sem cidadania.

como jamais chamou a si a responsabilidade pela construção nacional, a burguesia brasileira não consegue encarar a miséria como desafio, e a vê como fatalidade a ser atenuada evitando-se a reprodução dos miseráveis.


[1] blog Diário Gauche, “Bancos mostram força no governo Lula”, 01/04/2008, http://www.diariogauche.blogspot.com
[2] Correio Braziliense, 01/04/2008
[3] Ney Hayashi da Cruz, “Bancos têm lucro com crise ou expansão”, Folha de São Paulo, 25/02/2008
[4] Luís Otávio de Souza Leal, Economista-Chefe do Banco ABC Brasil, 14/03/2008
[5] arkx, “do seu lado”, 16/03/2008
[6] Ney Hayashi da Cruz, “BC prevê inflação acima da meta e sinaliza alta de juros”, Folha de São Paulo, 28/03/2008
[7] Folha de São Paulo, 26/03/2008
[8] Zeina Latif, Economista-Chefe do Banco Real, Newton Rosa, Economista-Chefe da Sul América Investimentos,Otáviode Souza Leal, Economista-Chefe do Banco ABC Brasil, Folha de São Paulo, 26/03/2008
[9] Olavo Setubal, Folha de São Paulo, 13/08/2006
[10] Olavo Setubal, Folha de São Paulo, 13/08/2006
[11] Lula, 19/02/2008
[12] Ricardo Salinas, empresário-banqueiro mexicano ao inaugurar as duas primeiras lojas do grupo Salinas no Brasil,Folha de São Paulo, 31/03/2008
[13] Ricardo Salinas, Folha de São Paulo, 31/03/2008
[14] Ricardo Salinas, Folha de São Paulo, 31/03/2008

31 março 2008

os idiotas

não obstante serem obsequiosamente subsidiados com a maior taxa de juros reais do mundo, os “companheiros” do mercado alertam que a melhor coisa para o governo fazer no momento é aumentar ainda mais a Selic. [1]

antecipando-se ao Copom, os juros bancários dispararam em janeiro de 2008, com a taxa média para pessoas físicas subindo de 43,9% para 48,8%, e para empresas, de 22,9% para 24,7%. [2]

embora o setor bancário tenha apresentado lucro de R$ 45,4 bi em 2007, numa alta de 35,9% em relação ao resultado de 2006 [3], o BC registrou prejuízo de R$ 47,513 bilhões, valor 2,5 vezes maior do que o rombo registrado em 2006, sendo o resultado negativo decorrente da valorização do real no ano passado. [4]

a rentabilidade média conseguida pelos bancos em 2007 correspondeu a 25,2% do patrimônio líquido do setor. em 2006, essa taxa de retorno havia sido de 22,90%. já as despesas do setor com sua folha de pagamentos cresceram apenas 12,9% em relação a 2006. [5]

segundo o BC, o crescimento do PIB de 5,4% em 2007 é não apenas robusto como consiste na melhor prova de que o Brasil colhe os dividendos da estabilidade do poder de compra da moeda, sendo esta a maior contribuição que a política monetária pode oferecer para assegurar o crescimento econômico sustentado com inclusão social. [6]

também como resultado da política monetária do BC, o Brasil reconquista a liderança de país com a maior taxa real de juros do mundo, hoje em 6,73% anuais. a Turquia, vice-líder registra taxa real de 6,69%. seguem a Austrália, com taxa de 4,89%, e o México, com 4,18%. [7]

já o crescimento médio da economia brasileira de 3,8% nos últimos cinco do governo Lula, coloca o Brasil em 35º lugar em desempenho, em um grupo de 39 países emergentes, à frente apenas da Guatemala, México, El Salvador e Haiti. neste período, o crescimento médio do conjunto foi de 5,6% ao ano. [8]

fechado na questão inflacionária, o BC é produto do contexto de uma economia com foco no curto prazo. o objetivo da política econômica é o bem-estar do povo. a inflação é um condicionante ao bem-estar da população, mas é preciso ter visão mais ampla. se a economia brasileira cresceu 5,4%, os juros estão o dobro disso. esse é o problema da decisão de investimento. [9]

para os eternos defensores dos juros infinitamente altos, pessoas bem-intencionadas podem piorar a vida dos que pretendem ajudar. como num romance de Dostoiévsky, ansiosos por fazer o bem, acabam fazendo o mal e terminam como perfeitos idiotas. [10]

Dostoiévsky, entretanto, descreveu em seus romances como os homens, uma vez com o dinheiro, se pretendem originais, no supremo grau da palavra, supondo que o dinheiro, apesar de abjeto e odioso, também confere, além de riqueza, algum tipo de talento. [11]


[1] Marcos Lisboa, Diretor-Executivo do Unibanco, “No curto prazo, a melhor coisa a fazer é aumentar os juros“, Folha de São Paulo, 30/03/2008
[2] Lu Aiko Otta , Estado de São Paulo, 27/02/2008
[3] Ney Hayashi da Cruz, Folha de São Pauol, 05/03/2008
[4] Correio Braziliense, 29/02/2008
[5] Ney Hayashi da Cruz Folha de São Paulo, 05/03/2008
[6] Henrique Meirelles, no em nota do BC sobre resultado do PIB de 2007, 12/03/2008
[7] Fabricio Vieira, Folha de São Paulo, 05/03/2008 - os juros reais são calculados a partir da taxa básica de juros, descontando dela a inflação projetada para os próximos 12 meses.
[8] Tribuna da Imprensa, 13/03/2008
[9] Marcio Pochmann, Folha de São Paulo, 15/03/2008
[10] Marcos Lisboa, Diretor-Executivo do Unibanco, citando “O idiota”, de Fiódor Dostoiévski
[11] Fiódor Dostoiévski, “O idiota”

29 março 2008

o pensamento binário

após o fracasso em duas eleições sucessivas, PSDB e PFL-DEM decididamente não demonstram a menor vocação para o incômodo papel de oposição a que se viram alijados. com sua política sem povo e cúmplices do governo no apoio ao modelo econômico, só lhes resta como arena de batalha o circo da grande mídia. [1]

apesar de em seu transtorno compulsivo tentar obsessivamente gerar a crise capaz de golpear Lula até a queda derradeira, ainda mais uma vez é o anti-lulismo que reabilita e fortalece o lulismo. [2]

um paradoxo paralisando o país. um impasse que mantém o Brasil imobilizado no meio de uma travessia, girando em círculos numa falsa encruzilhada, prisioneiro de uma esfinge sem enigmas. [3]

acorrentado ao falso dilema PT x PSDB, duas faces distintas mas complementares da mesma moeda da macroeconomia de juros altos e câmbio apreciado, o debate político no Brasil segue numa camisa de força, fazendo do pensamento binário a alternativa única.

quando se chocam, PT e PSDB criam uma grande faísca, tão útil quanto efêmera, pode até provocar um incêndio, mas geralmente só faz brilhar os egos envolvidos. [4]

enquanto o PSDB na prática não consegue passar do DEM na teoria, o PT na prática se revelou o PSDB na teoria. [5]

nada há de bifásico nesta dicotomia, apenas uma leve oscilação na intensidade monofásica contínua, sem ao menos chegar a ser alternada. [6]

na desolação do cenário político, mesmo que nada se ouça, além do silêncio de muito barulho por nada, ainda assim é possível sentir um grito infinito atravessando a paisagem. [7]

como se captar a silenciosa movimentação social que marca o inicio de novos tempos? qual o exato início da mudança? quando não há mais caminho de volta ao passado? e também não há como voltar-se para o futuro? [8]

entre 1930 e 1970 houve um esforço teórico considerável para se compreender o Brasil. foram antropólogos, sociólogos, historiadores, economistas que produziram a melhor teoria sobre o país.

nos últimos 25 anos o Brasil mudou muito. se constituiu um novo país que ainda não foi reinterpretado. aquela teoria do Brasil diz respeito ao país que existia até os anos 1980, não a este de hoje. estamos em vôo cego pois não temos uma teoria contemporânea do Brasil.

imersos em uma crise de destino, a maior da nossa existência, a História está nos encarando nos olhos, indagando: “afinal, o que vocês são? o que querem ser? tem sentido existir Brasil? qual Brasil?” [9]

para romper a corrente do estéril sectarismo binário, utilizando a web para pensar em conjunto o cenário econômico, político e social brasileiro, é preciso abrir lugar para a crítica e a dúvida metódica, sempre questionando em primeiro lugar as próprias certezas, a fim de se ter uma interlocução produtiva. [10]

parte desta nova teoria sobre o Brasil será construída em rede, pela contribuição quase anônima, mas insubstituível, de todos nós.



[1] arkx, “uma esfinge sem enigmas”
[2] arkx, “ai! que cansaço...”
[3] arkx, “uma esfinge sem enigmas”
[4] Luiz, comentário no blog do Luis Nassif
[5] Juliano, comentário no blog do Luis Nassif
[6] Neves, comentário no blog do Luis Nassif
[7] arkx, “entreato”
[8] arkx, “ai! que cansaço...”
[9] César Benjamin, “Uma certa idéia de Brasil”
[10] Clara-Maria, comentário no blog do Luis Nassif

22 março 2008

veja o inimigo

qual o pior inimigo? aquele que se apresenta como tal? ou o que esconde sua face e sorri candidamente enquanto apunhala pelas costas?

em 25/03/2008 o iG rescindiu unilateralmente o contrato de Paulo Henrique Amorim, retirando seu blog do ar sem qualquer explicação aos leitores.

o Conversa Afiada ficou fora do ar por 8 horas e 58 minutos, até Paulo Henrique Amorim reabir o site em novo endereço: http://www.paulohenriqueamorim.com.br/ [1]

o que o iG fez com Paulo Henrique Amorim e com os milhares de internautas que freqüentavam diariamente o Conversa Afiada foi, para dizer o mínimo, um grosseiro desrespeito. em respeito aos leitores, deveria ter comunicado oficialmente que o site de Paulo Henrique Amorim seria tirado do ar. [2]

o abrupto rompimento do contrato que ligava o jornalista ao portal ecoa situações inaceitáveis, de sorte a se lhes entender os motivos em um piscar de olhos. basta averiguar quais foram os alvos das críticas negativas de Paulo Henrique neste tempo de Conversa Afiada. [3]

o iG é controlado pelo Internet Group do Brasil. o Internet Group do Brasil é atualmente controlado pela Brasil Telecom.

o Internet Group do Brasil foi fundado pelos grupos GP Investimentos e Opportunity.

da composição societária da Brasil Telecom fazem parte a Telecom Itália, o Citigroup, fundos de pensão brasileiros e o Opportunity.

a aquisição de controle do iG foi controvertida e recebeu manifestações contrárias de acionistas da Brasil Telecom em razão do alto valor pago na transação, com indícios de ser muito acima da avaliação de mercado, e ao fato do Opportunity encontrar-se entre os vendedores.

o dono do Opportunity é Daniel Dantas.

Paulo Henrique Amorim atacava duramente Daniel Dantas e o processo de fusão da Oi com a Brasil Telecom.

para a “BrOi” sair, o Citi precisa fazer um acordo com Dantas. o que significa retirar da Justiça de Nova York a ação de US$ 350 milhões que move contra Dantas. o Conversa Afiada perguntou ao senhor Sérgio Spinelli, representante legal do Citibank, no Brasil, se ele é a favor desta patranha: “Are you part of this scam ?” [4]

Sergio Spinelli é o chairman of the board da Brasil Telecom. Spinelli também é o representante legal do Citibank no Brasil. o Citibank é um dos principais acionistas da Brasil Telecom. [5]

e a Brasil Telecom é a controladora do iG.

em editorial sobre a “descontinuação do contrato com o jornalista Paulo Henrique Amorim” o iG declara “seguir firme na determinação de ser um portal que aposta na pluralidade de opiniões, no respeito à liberdade de expressão e no protagonismo dos internautas”.

ao mesmo tempo, surge na página principal do iG um anúncio da revista Veja.

dossiê publicado em capítulos na web pelo jornalista Luis Nassif tem demonstrado como Daniel Dantas influencia diretamente o rumo editorial da revista Veja. [6]



[1] Paulo Henrique Amorim, “Esclarecimento I”
[2] Luiz Carlos Azenha, “iG fez com Paulo Henrique Amorim o que nem a Globo fez comigo”
[3] Mino Carta, “O último post”
[4] Paulo Henrique Amorim, “BrOi: DANTAS CHANTAGEIA CITI”, 10/03/2008
[5] Paulo Henrique Amorim, “O CITI ME DEMITIU ?”
[6] Luis Nassif, “O Caso Veja”, www.luis.nassif.googlepages.com/home

16 março 2008

do seu lado

se Dilma assume a maternidade da aceleração do crescimento [1], o Copom continua como sempre: padrasto da maior taxa de juros reais do mundo e aborteiro da expansão do PIB. [2]

depois de tudo o que disse na última ata do Copom, não há como o BC não elevar os juros. a manutenção da Selic provocará um ruído desnecessário na comunicação com os agentes econômicos. [3]

em mais um de seus surtos esquizofrênicos, o governo Lula ao mesmo tempo acelera e breca o crescimento.

na busca da conciliação dos antagonismos insuperáveis, Lula acaba usando sua mão direita para decididamente tomar tudo o que tenta timidamente distribuir com a mão esquerda.

ressurge em 2008 a mesma maldição de 2004, quando Meirelles garantiu a Lula que o aumento dos juros era necessário, pois a inflação caminhava rapidamente para taxas de dois dígitos. segundo o presidente do BC, em pouco tempo, voltaria a cortar a Selic. com a inflação novamente sob controle, a economia retomaria o fôlego e renderia bons dividendos políticos nas eleições presidenciais de 2006. a Selic começou a cair em setembro de 2005, e Lula se reelegeu, a despeito de todas as denúncias de corrupção contra o seu governo. [4]

agora, o argumento do presidente do BC é de que a demanda interna está excessivamente forte. um pequeno aumento nos juros provocará uma leve acomodação no consumo. em 2009, a Selic poderá voltar a cair, reaquecendo a economia em 2010, ano de eleições, ajudando a alavancar a candidatura apoiada por Lula. [5]

entre São Bernardo e a av. Paulista [6], entre a Casa Grande e a Senzala, entre os bancos e os grotões, entre as forças do mercado e as favelas, entre o Copom e o Bolsa Família, entre a Selic e as políticas compensatórias, entre o desenvolvimento com inclusão social e a capitulação voluntária aos mercados, entre os fundamentos sociais e históricos do PT e o programa econômico de FHC [7], Lula nunca teve dúvida de que lado está:


do lado dele mesmo.


[1] Dilma Roussef, 11/03/2008, assumindo a condição que lhe foi conferida por Lula, em discurso na Favela do Alemão, no Rio, em 07/03/2008
[2] ata do Copom, divulgada em 13/03/2008, “a opção de realizar, neste momento [quarta-feira da semana passada], um ajuste na taxa básica de juros"
[3] Luís Otávio de Souza Leal, Economista-Chefe do Banco ABC Brasil, 14/03/2008
[4] “Aumento iminente”, Correio Braziliense, 14/03/2008
[5] “Aumento iminente”, Correio Braziliense, 14/03/2008
[6] Francisco de Oliveira, “Entre São Bernardo e a avenida Paulista?”
[7] Demétrio Magnoli, “O Brasil sem o PT"