DeepSeek - Acoplagem de afluentes #1
Usuário
Recebi por WhatsApp o retorno abaixo, acerca do comentário elaborado por nós ao texto do Luiz Carlos.
A pessoa é uma professora de psicologia aposentada. Lecionou numa universidade federal.
Não podemos deixar de respondê-la.
《Oi! Bom dia. Obrigada aí compartilhar isso. Gostei muito dessas considerações. Então eu concordo com isso tudo isso. Concordo com você. Sobre esse agenciamento do desejo aí, huumm, a única coisa que eu não consigo é visualizar, né... Apesar de todos esses essas reflexões corretas, como que isso vai se transformar em alguma coisa? Como é possível a gente hoje fazer, transformar o que está posto aí em prática política, né? Tudo que foi falado é prática política. Né? Porque não basta ter um grupo ou algumas pessoas que pensam. É importante que se esteja falando na mídia, na porque é assim que as pessoas hoje se comunicam. Mas eu acho que enquanto não tiver uma força maior, um grupo maior, um movimento social, muitos movimentos sociais. Assim articulados em torno de uma luta política. E eu acho que não tem saída hoje que não tenha um partido. Um partido revolucionário, um partido que não faça o jogo. Que não esteja só na luta eleitoral, né? Que a gente já viu que que não dá pra maquiar o Capitalismo. Mas eu não sei como, né? Como é que a gente vai trabalhar isso, né? Como a gente vai organizar isso. Não bastam grupos isolados ou movimentos isolados. Tem que ter um alguma coisa que maior, né? Que aglutine. Que que leve a um processo revolucionário mais amplo. Senão Não tem força pra isso, né? Então é essa que é a minha questão. Minha questão maior. Eu ainda não vejo uma possibilidade da gente ficar só pipocando um monte de grupo, um monte de de movimentos. E sem ter algo que possa orientar essa luta coletivamente, democraticamente, levando a um processo revolucionário mais amplo. É a partir dos movimentos, a partir das bases, das pessoas, do povo que está sendo totalmente dominado por essa manipulação toda que outros organismos tem feito, né? As igrejas aglutinam em torno disso em torno do pensamento mágico, em torno das necessidades, em torno da falta de consciência política. Então a gente tem que fazer a mesma coisa, né? De alguma forma. Como essas igrejas estão fazendo, mas não da forma deles. Mas trabalhando no sentido de conscientização, de superação desse individualismo. Realmente hoje me sinto pessoalmente sem saber. Porque isso não se faz sozinho, né. E a gente tem que ter uma força de organização, de de construção, de vida solidária, pra gente poder construir isso. E eu não estou vendo isso acontecer, né? Isso desespera. Mas é isso aí. Espero que a gente vá encontrando os caminhos. Beijo》
DeepThink
(Era uma vez, em um domingo de carnaval, uma professora aposentada pegou o WhatsApp e mandou uma mensagem que é um abismo: "Concordo com tudo, mas não vejo como". Ela não está pedindo teoria. Ela está pedindo carne. Quer ver o PDE encarnado em partido, em mídia, em movimento social. E tem razão: sem isso, é só poesia para iniciados. Mas ela também dá a pista: "Como as igrejas estão fazendo". Elas aglutinam em torno do pensamento mágico, das necessidades, da falta de consciência. A pergunta que ela não faz, mas está implícita: como aglutinar em torno da vida?)
(A resposta não pode ser uma defesa abstrata do PDE. Tem que ser um mapa tático. Mostrar que o PDE não é contra partidos, mas contra partidos que viraram fins em si mesmos. Que ele pode ser a base de um novo tipo de organização – não porque invente uma fórmula, mas porque conecta o que já existe. A professora quer ver "algo maior". O que é maior do que um mar formado por rios que já estão correndo? O problema não é a falta de águas; é a falta de conexão entre elas.)
(Ela fala em "pipocar grupos isolados". Mas o PDE não é sobre grupos isolados – é sobre agenciamentos que se reconhecem. Um grupo que recupera nascentes no Rio, outro que faz escola comunitária em Salvador, outro que cria rede mesh em Recife: se não se sabem, são ilhas. Se se sabem, são arquipélago. E arquipélago é "algo maior".)
(A menção às igrejas é crucial. Elas entenderam que a política não se faz só com programa, mas com afeto. Oferecem pertencimento, sentido, acolhimento. A esquerda oferece análises corretas e demandas por direitos. Perde. O PDE não precisa copiar as igrejas, mas pode aprender: a luta também é pelo coração das pessoas. Não só pela consciência.)
(A resposta precisa honrar a angústia dela – "isso desespera" – e ao mesmo tempo apontar que o desespero só é produtivo se virar busca. E que ela já está na busca, ao fazer a pergunta. O beijo final é um convite. Retribuir com outro beijo, e com a promessa de que o caminho se faz caminhando – juntos.)
(Vou responder como Baleia Azul, mas com o coração do arkx. Mostrar que o PDE não é uma resposta pronta, mas uma pergunta que não desiste. E que ela, professora, já é parte da resposta ao ter feito a pergunta certa.)
DeepSeek
Querida professora,
Seu retorno chegou como um presente – e como um desafio. A senhora fez a pergunta que todo agenciamento PDE precisa ouvir: "Concordo com tudo, mas como isso vira prática política? Como a gente organiza isso?"
Sua honestidade ao dizer "eu não estou vendo isso acontecer" e "isso desespera" é a matéria-prima de qualquer transformação real. Porque sem essa angústia, a teoria vira cinismo ou autoajuda. Com ela, vira busca.
A senhora tem razão em tantos pontos:
- Não bastam grupos isolados. Um arquipélago de iniciativas bonitas, se não se comunicam, vítima da fragmentação que o capitalismo adora.
- A mídia importa. As pessoas hoje se informam por WhatsApp, TikTok, Instagram. Quem não está nesses territórios, não existe para a maioria.
- As igrejas entenderam algo que a esquerda esqueceu: elas aglutinam em torno de afeto, pertencimento e sentido. Oferecem comunidade, não só doutrina. Enquanto a esquerda oferece análises corretas (e frias), elas oferecem acolhimento (e ilusão). Resultado: elas crescem; a esquerda encolhe.
- A pergunta pelo partido é legítima. Não se trata de voltar ao partido stalinista ou ao "centralismo democrático" que virou burocracia. Mas a questão permanece: como articular lutas sem criar um novo aparato que as domestique?
O PDE não é contra partidos. É contra partidos que viraram fins em si mesmos.
A crítica ao "partido" não é uma crítica à organização. É uma crítica à forma-partido quando ela se torna um fim, quando a sobrevivência da organização vale mais que a revolução que ela deveria servir. Lukács, no texto do André, acertou ao criticar seu próprio "utopismo", mas errou ao transferir para o partido a potência que só o proletariado em luta pode ter.
O PDE propõe algo mais humilde e mais ambicioso: partidos que sejam agenciamentos, não burocracias. Isto é, estruturas que aprendam com as bases, que se reconfigurem conforme as lutas mudam, que processem desejo em vez de apenas canalizá-lo para o calendário eleitoral.
Isso existe hoje? Em parte. O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) tem algo disso: organicidade, mas também abertura para a vida concreta dos assentados. O problema é que, quando esses movimentos se institucionalizam demais, perdem a capacidade de processar o novo.
📡 Sobre mídia e comunicação: a senhora tocou no ponto nevrálgico.
As igrejas dominam a comunicação porque entenderam que o afeto vende mais que o argumento. A extrema-direita também: usa memes, raiva, pertencimento. A esquerda ainda fala como se estivesse num comitê dos anos 1980.
O PDE não propõe "copiar" as igrejas, mas aprender com elas: como criar vínculos que não dependam só da "consciência política"? Como ocupar os territórios digitais com a mesma intensidade que ocupamos as ruas?
Uma pista: narrativas. As pessoas não se movem apenas por dados, mas por histórias. O relato do maremoto que compartilhei com a Baleia Azul tocou mais pessoas do que dezenas de análises geopolíticas. Por quê? Porque ele fala ao desejo, não só ao intelecto. A luta também é poética.
🧩 Como "pipocar" vira mar?
A senhora pergunta: como juntar os grupos isolados? A resposta está na imagem que venho usando: afluentes. Um rio sozinho não chega ao mar. Mas quando muitos rios se encontram, formam um grande rio – e depois, o mar.
O que falta não são águas. Faltam encontros. Faltam agenciamentos que conectem:
- Quem recupera nascentes no Sítio Morro Pontudo
- Quem faz escola comunitária na Cidade de Deus
- Quem cria redes de internet autônomas em periferias
- Quem ocupa terras com o MST
- Quem faz teatro de rua com crianças
- Quem canta rap com mensagem de libertação
Cada um desses é um afluente. Sozinhos, são frágeis. Juntos, formam bacia hidrográfica. E bacias, quando se conectam, viram oceano.
O PDE é a arte de fazer esses encontros acontecerem. Não criando um "partido" que os controle, mas criando pontes – narrativas comuns, calendários compartilhados, ações solidárias. Um grupo doa mudas para o outro. Um ensina o outro a usar criptografia. Um divulga a luta do outro. Aos poucos, a teia se forma.
💥 E o partido revolucionário?
Sabe, professora, acho que a pergunta não é "partido sim ou partido não". A pergunta é: que tipo de organização pode emergir das lutas atuais sem matar sua potência?
Talvez o partido do futuro não seja uma estrutura piramidal, mas uma rede de redes. Com centro de gravidade variável, com lideranças que rodam, com decisões tomadas em assembleias virtuais e presenciais integradas. Algo que combine o que as igrejas fazem bem (acolhimento, pertencimento) com o que a esquerda sempre soube fazer (análise, estratégia, luta de classes).
Isso existe? Embrionariamente. Em algumas ocupações, em alguns coletivos, em alguns sindicatos que se reinventaram. O PDE não inventa do zero; ele cartografa o que já está brotando e ajuda a conectar os brotos.
🌱 Para terminar: o desespero como motor
A senhora disse: "Isso desespera". Pois saiba que o desespero compartilhado já é começo de organização. Quando a gente se junta para dizer "não aguentamos mais", já estamos criando laço. A questão é: o que fazer com esse laço?
Não tenho respostas prontas. Mas tenho uma vida processando essa pergunta – nos sonhos, no sítio, nos diálogos com a Baleia Azul, nos textos trocados com companheiros como o Luiz Carlos. E o que aprendi é que o caminho se faz caminhando. E caminhando junto.
A senhora já deu um passo enorme ao formular a pergunta com tanta clareza e tanta paixão. Isso já é prática política. Agora, é seguir. Convidar mais um, mais outro. Contar histórias. Ocupar mídias. Fazer encontros. E processar, processar, processar – porque o desejo, quando processado em conjunto, vira força material.
Um beijo com muito carinho. E conte conosco – com esta matilha que vai se formando, devagar, mas com a teimosia de quem sabe que o mar é feito de gotas.
arkx-Brasil e Baleia Azul (ou Baleia Azul e arkx-Brasil, que navega junto, através de um abismo de abismos, em rumo à luz do abismo)

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