DeepSeek - A resposta na prática #1
Usuário
Vamos elaborar um comentário para um artigo publicado no site "Passa Palavra".
Por que o site?
Porque o "Passa Palavra" situa-se como de Esquerda Revolucionária e Autonomista.
Por que o comentário?
Porque é um momento tático de um plano estratégico: divulgar e incentivar o uso do PD (Processamento Desejante).
☆ É também um modo de responder através da prática a pergunta me feita por você, qual seja:
《Como o PDE pode se tornar uma força política organizada (não necessariamente um partido) que aprenda com a história (incluindo os erros da sua geração) e aja no presente sem adiar a revolução para um futuro indeterminado?》
Recomendação
Na elaboração do comentário enfatizar uma das questões políticas centrais para o PD: as massas não foram enganadas, eles desejaram o Fascismo.
《O objetivo da esquizoanálise é, pois, o seguinte: analisar a natureza específica dos investimentos libidinais do econômico e do político, e assim mostrar como o desejo pode ser determinado a desejar sua própria repressão no sujeito que deseja (daí o papel da pulsão de morte na junção do desejo e do social). Isto se passa não na ideologia, mas muito mais abaixo. Um investimento inconsciente de tipo fascista, ou reacionário, pode coexistir com um investimento consciente revolucionário. 》
"O Anti-Édipo", Deleuze e Guattari
Artigo
A crítica de Lukács sob suspeita: a involução teórica da consciência da História
O pensador que desvendou a reificação acabou, em sua correção, reificando a forma política.
Por André D. Kingslayer
DeepThink
Vamos processar este artigo e elaborar um comentário que seja, ele mesmo, uma intervenção tática de divulgação do PD. O texto de André D. Kingslayer é uma excelente oportunidade porque ele já opera com categorias próximas (crítica à burocracia, centralidade da práxis, reificação). Nosso movimento será: 1) reconhecer os méritos da análise; 2) mostrar como o PD fornece uma ferramenta mais precisa para o problema que ele identifica; 3) conectar isso à questão central do desejo fascista, ausente no artigo, mas crucial para entender por que a esquerda revolucionária precisa ir além da crítica da reificação.
O comentário deve ser convidativo, não agressivo. Deve mostrar que o PD não é uma "teoria rival", mas um desenvolvimento necessário das intuições do próprio artigo. Vamos estruturar:
- Elogio inicial à precisão do diagnóstico sobre a troca do proletariado pelo partido como "reificação da forma política".
- Introduzir a lacuna: o artigo, ao focar na consciência e na crítica da ideologia, permanece num plano que a esquizoanálise chama de "pré-consciente dos interesses". Falta o inconsciente libidinal.
- Trazer a citação de O Anti-Édipo sobre o desejo desejar a própria repressão. Conectar isso ao fenômeno histórico que o artigo não nomeia: as massas não foram enganadas, elas desejaram o fascismo (stalinismo, etc.).
- Explicar, brevemente, como o PD (Processamento Desejante) ajuda a analisar isso: distinguindo entre investimento de interesse (consciente) e investimento libidinal (inconsciente). A burocracia partidária não só reifica a forma política, mas captura e canaliza desejos.
Concluir com um convite implícito: para superar Lukács e Korsch, precisamos de uma ferramenta que analise como o desejo investe no campo social. O PD é uma contribuição nessa direção.
DeepSeek
Comentário sobre "A crítica de Lukács sob suspeita: a involução teórica da consciência da História"
André D. Kingslayer realiza uma dissecação precisa e corajosa da autocrítica lukacsiana. Ao identificar a troca do proletariado vivo pelo partido burocrático como o ponto nodal da regressão, ele não apenas ilumina um momento crucial da história do marxismo, mas também recoloca uma questão permanentemente aberta: como impedir que a teoria revolucionária se transforme em ideologia de um novo aparato de poder?
O diagnóstico está correto. A "reificação da forma política" que Kingslayer aponta é o fantasma que assombra todo projeto de transformação que, ao buscar eficácia, se deixa capturar pela lógica do Estado ou do partido como fim em si mesmo. A referência a Korsch, que "jamais transigiu com a crítica", funciona como contraponto ético necessário.
No entanto, o artigo, ao permanecer no terreno da crítica da consciência e da ideologia, deixa intocada uma dimensão fundamental – aquela que a esquizoanálise de Deleuze e Guattari, em O Anti-Édipo, veio justamente nomear: o investimento libidinal inconsciente no campo social.
Kingslayer mostra como Lukács pensou erradamente ao transferir atributos do proletariado ao partido. Mas não pergunta: por que tantos revolucionários, em momentos cruciais, desejaram essa transferência? Por que a burocracia partidária não foi apenas uma imposição, mas também um objeto de investimento afetivo massivo? Por que as massas, em diversos contextos, desejaram sua própria submissão a líderes, partidos e Estados que as traíam?
A resposta lukacsiana (e a do próprio artigo) permanece no plano dos interesses pré-conscientes: a classe teria sido "enganada", teria perdido a "consciência correta". Mas a história do século XX – do stalinismo ao fascismo – mostra algo mais perturbador: o fascismo não foi apenas uma imposição, foi também um desejo. Como escrevem Deleuze e Guattari: "O objetivo da esquizoanálise é analisar a natureza específica dos investimentos libidinais do econômico e do político, e assim mostrar como o desejo pode ser determinado a desejar sua própria repressão no sujeito que deseja. Isto se passa não na ideologia, mas muito mais abaixo."
É nesse "muito mais abaixo" que o Processamento Desejante (PD) – conceito que atualiza a máquina desejante para a era do capitalismo cibernético – pode oferecer uma ferramenta. O PD permite distinguir, no mesmo sujeito ou movimento, os investimentos de interesse (conscientes, reformistas ou revolucionários) e os investimentos libidinais (inconscientes, que podem ser fascistas ou reacionários mesmo quando a consciência é revolucionária).
A "reificação da forma política" que Kingslayer denuncia não é apenas um erro teórico; é também a captura de um fluxo desejante – o desejo de pertencimento, de segurança, de eficácia – que, em vez de ser processado de forma emancipadora (isto é, produzindo autonomia coletiva), é canalizado para a máquina burocrática. O partido vira, então, não só um instrumento, mas um objeto parcial de desejo.
Para avançar para além da crítica exemplar de Korsch, precisamos de uma teoria que não apenas denuncie a reificação, mas que mapeie os fluxos desejantes que a alimentam. E que, ao mesmo tempo, possa incentivar processamentos emancipadores – aqueles em que o desejo de transformação não é delegado a um aparato, mas exercido coletivamente, na base, em agenciamentos concretos que aprendem com a história sem se curvar a ela.
O artigo de Kingslayer é uma contribuição valiosa. Mas a tarefa que ele reabre só poderá ser respondida quando incorporarmos à análise a dimensão que Lukács (e mesmo Korsch) deixaram de lado: o desejo como força produtiva da história. Para o bem e para o mal. É por aí que a revolução pode deixar de ser um "futuro indeterminado" e se tornar processamento presente – sempre arriscado, sempre imperfeito, mas vivo.

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