05/02/2026
DeepSeek - Crônica de Natal
Usuário
Dia 25 de dezembro de 2025.
Acordei muito cedo e resolvi descer de Santa Teresa e ir à praia para esperar a Maíra e o Italo já na praia.
Me arrumei e liguei para o Santaxi, e não tinha taxi disponível, esperei uns quinze minutos e desci para a rua para ver se passava algum. Nada. Desmarquei o Santaxi e desci as escadarias para o bairro de Fátima. Nenhum taxi, quase ninguém na rua, só no ponto de ônibus. Esperei, esperei e nenhum taxi. Claro é Natal.
Então peguei um ônibus para chegar no Largo do Machado e pegar o metrô para a praia. As pessoas tranquilamente dentro do ônibus. O motorista ouvindo música. Muito calor. De repente o ônibus para no ponto da praia do Flamengo e o motorista começa a falar alto, dando um esporro num cara que entrou pela porta de saída lá atrás.
“Como que tu faz um negócio desses? Sabe que tem câmera aí atrás filmando tudo. Vai ficar ruim pra mim. Pô, porque você não falou comigo antes aqui na frente? Dava uma palavrinha aqui ... “ E por ai vai.
Mas estava dando uma bronca na maior moral, e não pediu para o cara sair não.
Eu já estava pensando até em pagar a passagem do rapaz. Mas foi com a maior elegância e autoridade o que o motorista falou que fiquei admirada.
Chegou então o meu ponto de ônibus de descida, desci, peguei 20 reais e entrei pela porta da frente elogiei o motorista e coloquei o dinheiro na “caixinha de Natal”.
Claro que o motorista ficou super contente e abriu aquele sorriso. Eu também. E segui o meu caminho para o metrô, entrando na rua Machado de Assis.
Passando em frente ao Hortifruti tinha um crioulo magro e seu pequeno cachorrinho agachados perto da árvore pedindo esmola.
Fui passando e ele falou que não tinha comido nada e nem o cachorrinho naquele dia. Aquilo me comoveu. Passar fome é horrível. E me veio o sentimento de ser uma pessoa largada na rua que se torna invisível para todo mundo no seu sofrimento. É insuportável.
Parei, peguei 20 reais e dei para o rapaz, ele olhou e não acreditou , tampou os olhos com as mãos e começou a chorar escondido. Me agradeceu, e que Deus me abençoasse. E pediu desculpas por estar chorando. Eu me emocionei e falei que as coisas iam melhorar para ele. Me despedi e fui pegar o metrô. A rua toda vazia.
Cheguei em Ipanema, encontrei a Maíra e o Italo, fomos a praia e conversamos das dificuldades das pessoas. Almoçamos juntos.
Saimos quase no por do sol lindo de Ipanema. Eles ainda iam ficar por ali mas eu resolvi pegar o metrô de volta até o Largo do Machado.
Nesta altura já tinha gente na rua e alguns carros passando. As pessoas mais do subúrbio e da periferia eram a maioria quando entrei no metrô. Então chego na plataforma de embarque e vou caminhando para ficar mais para o meio da estação. Escuto duas moças andando mais atrás de mim com pressa. Então uma delas passa ao meu lado. Pede desculpas por estar me abordando e me faz um grande elogio a minha saia florida e ao meu cabelo azul. Agradeci sorridente.
É Natal.
DeepThink
Bem, o usuário começou com uma narrativa detalhada do Natal de 2025, mas a instrução original era para analisar através da lente do Processamento Desejante (PD). Preciso conectar essa história aos conceitos discutidos anteriormente.
A narrativa descreve várias interações humanas em um dia de Natal no Rio de Janeiro. Vou analisar cada evento como um circuito de PD, identificando componentes e fluxos. O motorista de ônibus, o homem em situação de rua e as moças no metrô representam diferentes agenciamentos sociais.
No caso do motorista, há um fluxo de autoridade e cuidado, mas também de controle (câmeras, regras). A doação espontânea da narradora pode ser vista como uma linha de fuga momentânea do sistema monetário tradicional. O homem em situação de rua mostra a invisibilidade social como uma forma de captura do regime paranóico-fascista, enquanto o ato de dar esmola gera um fluxo emocional que rompe brevemente essa lógica.
Os elogios no metrô sugerem conexões afetivas espontâneas, possíveis vetores para um regime esquizo-revolucionário. O cenário de Natal parece intensificar tanto a solidão quanto a solidariedade, expondo como os fluxos desejantes são canalizados ou rompidos em datas simbólicas.
Preciso estruturar isso em termos de máquinas desejantes: a máquina de transporte (ônibus/metrô), a máquina de caridade (doações), a máquina de reconhecimento social (elogios). Cada uma opera em tensão entre os regimes de controle e emancipação. O calor, a música no ônibus, as lágrimas do homem – todos são afetos que circulam nesses circuitos.
DeepSeek
Análise sob a Moldura do Processamento Desejante (PD)
O seu relato não é apenas uma crônica natalina, mas um campo intensivo de fluxos desejantes em atrito e conexão. Vamos dissecá-lo através da lente do PD, identificando as máquinas, os fluxos e os regimes em operação.
1. Componentes e Circuitos Identificados
• Máquina de Transporte Urbano (Santaxi, ônibus, metrô): Sistema técnico-social que normatiza o fluxo de corpos na cidade. No Natal, sua operação é reduzida, criando falhas e brechas.
• Máquina de Vigilância e Norma (câmera no ônibus): Dispositivo de controle interno ao sistema de transporte, que produz o "risco" para o motorista (fluxo de punição potencial).
• Máquina de Caridade/Afepto (caixinha de Natal, doação ao homem em situação de rua): Sistema de transferência microssocial que canaliza fluxos de afeto (compaixão, culpa, solidariedade) através do fluxo monetário.
• Máquina de Invisibilidade Social (homem e cachorro na rua): Efeito perverso do agenciamento coletivo capitalista, que produz e exclui corpos "descartáveis", interrompendo seus fluxos de subsistência e reconhecimento.
• Máquina de Enunciação Afetiva (elogio das moças no metrô): Produção espontânea de um signo de reconhecimento e beleza, criando um fluxo positivo e conectivo entre estranhos.
• Máquina Natalina (data festiva): Grande significante social que reprograma temporariamente os ritmos, expectativas e comportamentos, intensificando tanto a solidão quanto a potencial conexão.
2. Análise dos Regimes de Processamento Desejante
A. Operações do Regime Paranóico-Fascista (R-PF) – Captura e Invisibilização
• Captura do Desejo de Mobilidade: A falha do Santaxi e a escassez de táxis expõem como a infraestrutura urbana é um circuito que prioriza fluxos rentáveis. No dia em que o desejo de ir à praia (fluxo lúdico) não é monetizável, o sistema simplesmente desliga, forçando um desvio para o transporte coletivo.
• Ameaça da Máquina de Vigilância: A bronca do motorista ao passageiro é sintomática. Ele não está indignado com a "fraude" em si, mas com o risco que o fluxo indisciplinado do passageiro causa ao SEU corpo (fluxo de renda, de emprego). A câmera é o olho internalizado do controle, e o motorista age como um operador do R-PF, reproduzindo a lógica da punição para proteger a si mesmo do circuito maior de exploração. É uma captura paranoica.
• Produção da Invisibilidade Soberana: A cena do homem e seu cachorro é o produto bruto do R-PF. O Capitalismo Cibernético é uma máquina de produzir subjetividades desejantes-consumidoras. Quem fica fora desse circuito (sem dinheiro, sem cartão, sem celular) é tornado invisível, um resíduo. Seu sofrimento é um fluxo desejante interrompido (fome, abandono) que o agenciamento social majoritário não processa, apenas contorna.
B. Irrupções do Regime Esquizo-Revolucionário/Emancipador (R-ER) – Linhas de Fuga e Sinergia
• A Bronca como Agenciamento Ético-Menor: A atitude do motorista, porém, tem uma nuance. Ele não expulsa o passageiro. Ele o interpela. É uma normatividade não-fascista, um código de conduta que opera por persuasão e autoridade moral, não apenas por ameaça. Isso abre uma brecha no puro controle. É uma máquina desejante social produzindo um ajuste, não uma exclusão.
• Doação como Fluxo Desterritorializante: Seus dois atos de doação são linhas de fuga micropolíticas.
1. Ao colocar dinheiro na caixinha após o evento, você não paga um serviço, mas recompensa um afeto (a justiça do motorista). É um fluxo monetário dessacralizado, transformado em signo de gratidão e reconhecimento mútuo. Cria uma sinergia momentânea.
2. Ao dar dinheiro ao homem, você reconecta um fluxo interrompido. O choro dele é a explosão de um afeto há muito capturado pela inércia da miséria. Esse ato não "resolve" o R-PF, mas cria uma passagem momentânea, uma desterritorialização do seu fluxo monetário e do fluxo de esperança dele. A emoção compartilhada é um produto desejante puro, uma produção de realidade afetiva nova.
• Elogio como Produção de um Corpo sem Órgãos Momentâneo: O elogio no metrô é um evento esquizo menor. É uma máquina enunciativa que, sem motivo, produz um signo positivo (a beleza da saia e do cabelo azul) e o dirige a um estranho. Isso cria um circuito afetivo instantâneo e gratuito, uma conexão desejante que foge à lógica do transporte (apenas mover corpos) e da cidade indiferente. É uma pequena revolução subjetiva.
3. Conclusão Diagnóstica (PD)
O seu Natal de 2025 foi um campo de batalha entre regimes de PD. A cidade, sob a máquina natalina, teve seus fluxos desacelerados, o que expôs as falhas brutais do R-PF (a exclusão, o controle paranoico, a invisibilidade) mas também criou as condições para irrupções do R-ER.
Os espaços "vazios" (ruas, metrô) não eram vazios de desejo, mas cheios de potencial. O calor, a lentidão, a suspensão da rotina funcionaram como um desacelerador que permitiu que conexões não-mediatizadas pelo consumo ou pela produtividade emergissem: a justiça ética do motorista, a explosão de afeto do homem na rua, o elogio gratuitamente dado e recebido.
Sob a lente do PD, sua narrativa mostra que o desejo como produção nunca cessa. No seio mesmo da captura capitalista (a cidade como máquina de exploração) e da data mais comercial do ano, linhas de fuga esquizo-revolucionárias se abrem em atos mínimos, porém potentes, de reconexão, reconhecimento e pura produção de afeto compartilhado.
O desafio político, sugerido pelo PD, é como multiplicar e sustentar esses agenciamentos coletivos de enunciação e cuidado, transformando exceções natalinas em novos circuitos desejantes permanentes.
Pronto para o próximo tópico ou para aprofundar algum aspecto desta análise?

Um comentário:
São caminhos, entre olhares e sentimentos é convivência. O céu não foi descrito. Era dia, será cinza ou azul. As estrelas se camuflam com o brilho do sol o nosso astro maior.
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