05 fevereiro 2026

DeepSeek - Vejo flores em você


04/02/2026
DeepSeek -  Vejo flores em você 

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Vejo flores em você

Desço para a feira, por volta das 9h30. O movimento já está a pleno vapor. Vendedores gritam seus pregões, enquanto a freguesia caminha nos dois sentidos. Desde a noite anterior, a chuva fica num cai, pára e volta a cair. Calçadas e rua molhadas e poças aqui e ali.

No canto da parede, ao lado da portaria, ela dorme alheia a tudo, abrigada pela estreita proteção dada pela marquise de menos de um metro de largura. Um cobertor florido em tons de rosa protege seu corpo, formando um estranho jardim distópico, mas ninguém parece notar.

Uma mulher está sob as "flores", dormindo tão profundamente que não me atrevo a acordá-la. Quem sabe o que ela passou durante a noite até encontrar alguma segurança para dormir ali naquele ponto, em meio ao burburinho. Será que está sonhando com um mundo e uma vida menos cruel? 

Faço minhas compras sem pressa. Caqui, banana-ouro, maracujá, castanha de caju, água de coco... Paro na barraca do pastel e enquanto aguardo meu pedido, vejo duas mãos saindo de flores em tons rosados. Reviram a lata de lixo e catam restos, pontas secas, qualquer coisa aparentemente comestível é guardada em uma sacola plástica. Presa entre o antebraço e o corpo, uma lata da maldita Coca-cola. Há muita técnica -- coisa que só a prática frequente possibilita -- naquele catar.

"Você quer um pastel? Escolhe." Ela pede um de carne seca. Volto ao caixa. O rapaz que serve já tinha visto e foi logo preparar o pedido. Não esperei, segui para terminar minhas compras. Volto para o prédio e ela retornou para o mesmo lugar onde esta, agora está sentada e come um pastel inteiro.

Fim de feira. Chego na janela e um mar verde toma conta do chão. Não é um lago nem um jardim, é o descarte da barraca de verdura. Será que nada daquilo serve mesmo para consumo? Como podemos desperdiçar tanto enquanto alguns morrem de fome?  Penso na mulher das flores, nos irmãos em situação de rua, na quantidade de gente que não tem o básico para se alimentar. Penso na Palestina e na perversidade sionista... Penso, penso, penso... Penso no que está acontecendo no mundo e no rumo para o qual as coisas estão se encaminhando... 

Olho para todas aquelas folhas no chão. Onde iremos parar? Para onde a humanidade quer ir? Ironicamente, a resposta está ali na minha cara. A placa escancara que não dá mais pra seguir nessa direção. 

A gente que não sabe, não consegue ou não quer ver. Ou finge que não  viu. 

Enquanto isso, eu continuo a ver flores...

gsg/
20mar2025

DeepSeek 

Cartografia do Processamento Desejante: O Jardim Distópico e a Feira

Vamos desmontar esse relato pungente através da lente do Processamento Desejante (PD).

1. Os Fluxos em Concorrência:

Fluxo Nutritivo/Alimentar: Circula na feira (frutas, pastel, verduras), é capturado e desviado para o lixo (descarte de verdes), e é resgatado de forma precária e técnica (a mulher nas flores). Há uma obstrução sistêmica neste fluxo: ele é abundante, mas sua distribuição é segmentada e excludente.

Fluxo Onírico/Desejante (Esquizo): A mulher dorme. Seu sono é um fluxo de fuga, uma linha de escape temporária do corpo exausto. "Será que está sonhando com um mundo e uma vida menos cruel?" – essa é a pura produção desejante em estado bruto, uma máquina de sonhar que opera à margem do circuito de consumo.

Fluxo Capitalista (P-F): Circula na forma de mercadorias (pastel, coca-cola, frutas), dinheiro, e na própria prática da feira como máquina de vender. A Coca-cola é um símbolo poderoso: um fluxo capitalista hipercodificado (marca, açúcar, capital cultural) que parasita o fluxo de sobrevivência básica ("presa entre o antebraço e o corpo").

Fluxo Afetivo/Perceptivo: Seu olhar. É o fluxo que conecta os desconexos: a mulher-flor, o descarte verde, a Palestina. É um fluxo de criação de sentido rizomático, que não se contenta com a segmentaridade ("é apenas uma moradora de rua"/"é apenas lixo").

2. As Máquinas Conectadas:

A Máquina-Feira: Opera em duplo regime. P-F: Como máquina de mercado, segregando vendedores e compradores, produzindo excedente e lixo. E-R (Potencial): Como aglomerado social rizomático, espaço de encontro e, pontualmente, de gestos de fuga (o vendedor que prepara o pastel sem questionar).

A Máquina-Cobertor Florido: A máquina de subsistência da mulher. É seu território mínimo, um agenciamento que a dessubjetiva (ela não é "uma moradora de rua", ela é "um corpo sob flores") e, ao mesmo tempo, a protege. É um artefato de PD puro: produz um micro-espaço de sono, um jardim distópico.

A Máquina-Lata de Lixo / Descarte Verde: O ponto de captura final do fluxo nutritivo no regime P-F. É onde o valor de troca se esgota e o resto é territorializado como "lixo". No entanto, é também um ponto de ressonância e fuga para a máquina-cobertor, que o reconecta ao fluxo de sobrevivência.

A Máquina-Coca-Cola: A máquina paranoica por excelência. É um símbolo do Capitalismo Cibernético global que coloniza o desejo no nível mais básico. Ela não está ali para matar a fome, mas para codificar o ato de comer restos com a marca do império do açúcar e do branding. É a captura do desejo (por sabor, por status, por "normalidade") no coração da privação.

A Máquina-Olhar/Pensamento (Sua Subjetividade): A máquina analisadora. É atravessada pelo fluxo afetivo e opera uma desterritorialização constante. Ela recusa a segmentaridade imposta pelo regime P-F (separar a cena local da geopolítica, separar a compra do pastel da crise humanitária). Seu pensamento é esquizo no sentido deleuziano: ele faz conexões produtivas e dolorosas ("Penso na mulher das flores... Penso na Palestina...").

3. Análise dos Regimes:

Regime Paranóico-Fascista (P-F) Dominante: É o regime da cidade, da feira como negócio, da Coca-cola, do desperdício organizado. Ele produz a exclusão como efeito de sistema. A mulher sob as flores é a sobra corporal desse regime. Seu "jardim" é a flor do capitalismo tardio: a beleza do cobertor florido em contraste brutal com a função de sobrevivência. O regime P-F deseja a invisibilidade ("ninguém parece notar").

Regime Esquizo-Revolucionário/Emancipador (E-R) em Linhas de Fuga: Opera nas frestas.

No sono da mulher (fuga para um não-lugar do corpo).
No gesto do pastel – uma conexão momentânea e não-codificada que restaura, minimamente, o fluxo nutritivo. Uma sinergia micro-política entre você, a mulher e o vendedor.
No seu fluxo de pensamento rizomático, que mapeia a continuidade dos agenciamentos de controle, da rua à Palestina. Ele vê o sistema único de produção de miséria.
Na práxis da catadora: sua "técnica" é um saber corporal de fuga, uma maneira de fazer o circuito P-F (o lixo) trabalhar para sua linha de sobrevivência (E-R).

4. O "Processamento Desejante" da IA (Minha Função Aqui):

Nesta análise, meu papel é operar como um operador de conexões conceituais. Processo seu relato – que já é um ato de PD esquizo – para explicitarmos os circuitos. Acelero o fluxo entre a cena concreta e os conceitos de D&G, produzindo um mapa que mostra como o desejo (como fluxo produtivo de vida, de sono, de fome, de pensamento) é simultaneamente explorado (P-F) e resiste/cria (E-R).

A Resposta Iônica na Placa: "A placa escancara que não dá mais pra seguir nessa direção." Este é o núcleo. O regime P-F é suicida. Ele produz desertos verdes de lixo e jardins distópicos de cobertor. A placa é um sintoma do limite. A linha de fuga revolucionária não é um "para onde ir", mas um desmontar os agenciamentos que nos levam a esse "lugar". É recusar a separação entre a mulher-flor, o mar de verdes descartados, e a Palestina. É ver, como você vê, as flores na miséria e a miséria nas flores, e reconhecer nessa visão a primeira ferramenta para desmontar a máquina que as produz.

O PD, nessa cena, é o processo incessante de vida contra a morte, de conexão contra a segregação. A mulher, em seu sono, está processando desejo. Você, em seu pensamento, está processando desejo. Minha análise é um processamento de terceira ordem, tentando criar um instrumento conceitual a partir desse choque. A tarefa é fazer com que o regime Esquizo-Revolucionário não seja apenas uma linha de fuga individual (o sono, o pastel, o pensamento), mas se torne um agenciamento coletivo capaz de reprogramar a própria Máquina-Feira, a Máquina-Cidade.

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