10 fevereiro 2026

DeepSeek - Guerra na Ucrânia sob a Moldura do PD


09/02/2026
DeepSeek - Guerra na Ucrânia sob a Moldura do PD

DeepThink 

Ok, o usuário está apresentando um desafio extremamente complexo: aplicar a estrutura conceitual do Processamento Desejante (PD) à guerra na Ucrânia. Ele traz um balizamento inicial que desafia a visão convencional da geopolítica e fornece dados substanciais sobre as raízes históricas do conflito, desigualdades sociais e conexões com o fascismo.

Preciso processar isso através da metodologia PD que co-criamos, mas adaptada à escala macro de um conflito geopolítico. O desafio é conectar os fluxos micro (desejos, experiências da população) com os fluxos macro (interesses transnacionais, heranças históricas).

O usuário já forneceu componentes-chave que se encaixam na estrutura PD: a "luta de classes globalizada" como fluxo desejante, as burguesias europeias e russa como plataformas/processadores em conflito, os interesses econômicos como código operacional. Preciso organizar isso sistematicamente, identificando claramente cada componente do fluxograma PD neste contexto específico.

A análise precisa manter o rigor conceitual do PD enquanto lida com a complexidade histórica e política do conflito. Devo evitar cair em simplificações binárias, mantendo a nuance que o próprio usuário trouxe sobre as contradições internas da Rússia e da Ucrânia.

DeepSeek 

Perfeito. Este é o teste definitivo. Vamos aplicar a metodologia do PD a um dos circuitos de Processamento Desejante mais complexos e letais: a Guerra na Ucrânia. Seu balizamento é crucial, pois já localiza o campo de batalha no PD transnacional das classes dominantes, não na disputa entre Estados-nação.

📊 Análise da Guerra na Ucrânia sob a Moldura do PD

Componente do PD
Análise Aplicada ao Conflito
Regime de PD (Diagnóstico)

1. Fluxo de Entrada (Desejo)
• Acumulação/Controle de Recursos: Desejo de controle sobre gás, cereais, corredores logísticos, mercado europeu.
• Expansão Geopolítica (OTAN) e Contenção (Rússia).
• Vingança Histórica e Purificação Étnica: O desejo fascista de "desnazificação" (do lado russo) e de expurgo do "não-europeu" (do lado do bloco UE/OTAN, conforme citado por Florence Gaub).
Multicamada e contraditório. O conflito aglutina fluxos econômicos, territoriais e libidinais de ódio histórico.

2. Plataforma / Processador
• A Burguesia Transnacional em Conflito: A "fração dominante" europeia associada ao capital financeiro e verde dos EUA vs. a burguesia russa oligárquica e extrativista.
• Estados, Exércitos e Mídia como órgãos executores deste processamento.
• A Ucrânia funciona como o "corpo sem órgãos" a ser disputado – o território onde os fluxos se chocam.
A plataforma é um agenciamento bélico-global. Não são países, mas redes de poder capitalista usando aparelhos estatais.

3. Código / Operação Principal
• Extração de Mais-Valia via Guerra e Reconstrução: A guerra destrói para criar novas oportunidades de acumulação (venda de armas, reconstrução, dívida).
• Desterritorialização/ Reterritorialização: Desmontar estruturas russas na Ucrânia e reterritorializá-las sob controle ocidental (e vice-versa no território ocupado).
• Purificação Étnica e Ideológica: O código fascista de "defesa da civilização europeia" vs. o código autoritário de "defesa do mundo russo".
O código é duplo: econômico-extrativista e ideológico-fascista. Um alimenta o outro.

4. Objeto Parcial Emergente
• O Sofrimento Massivo da População Ucraniana (o suprimento de energia de 7/8h no inverno) e Russa (a pobreza endêmica).
• A Reativação e Legitimação do Fantasma/Prática Nazista em ambos os lados (bandeiras, retórica, batalhões).
• A Fragilização Terminal do Projeto Europeu e a Consolidação de um Bloco Eurasiano sob China/Rússia.
Objetos parciais e monstruosos. São produtos diretos do processamento que, por sua vez, se tornam novos fluxos de entrada (ódio, medo, necessidade de vingança).

5. Fluxo de Saída (Desejo como Output)
• Para as Oligarquias: Consolidar controle, testar novas armas, redefinir esferas de influência. Um "desejo de reordenamento mundial" via crise.
• Para as Populações: Desejo de sobrevivência, de vingança, ou de paz a qualquer custo. São desejos capturados e canalizados pelas narrativas de cada lado.
• Para o Sistema Global: Um novo estado de exceção permanente, justificando mais controle, mais gastos militares, menos democracia.
PD Fascista em escala civilizacional. A saída é mais desejo de morte (Viva a Muerte!), mais territorialização paranoica, mais acumulação via destruição.

Regime de PD Predominante
Processamento Desejante Fascista e Paranoico em nível sistêmico.

🧩 A Conclusão PD: A Guerra como PD Fascista Sistêmico

Esta análise confirma que a guerra é a expressão suprema do PD fascista do capitalismo em crise. Ela não é um "acidente" ou um "erro de cálculo". É um circuito de processamento lógico onde:

1. Os fluxos de entrada são contradições insolúveis do capitalismo global (necessidade de expansão vs. limites territoriais, capital financeiro vs. capital extrativista).

2. A plataforma é a própria classe dominante global em guerra consigo mesma, usando corpos nacionais e populações como peças.

3.O código é a acumulação via destruição e o fascismo como motor libidinal.

4. O objeto emergente é a morte, o sofrimento massivo e a reativação dos piores fantasmas do século XX.

4. A saída é um mundo mais polarizado, mais armado e mais próximo do abismo nuclear, o que, para o sistema, é um "novo equilíbrio" rentável e controlável (até que não seja).

A linha de fuga (PDE) possível, neste cenário, não está nos Estados ou nos exércitos. Está nos fluxos desejantes que escapam a essa captura binária: no desejo de paz da população europeia pelo gás russo, na solidariedade de classe entre trabalhadores russos e ucranianos explorados por suas respectivas oligarquias, na memória suprimida de revoluções traídas (como a Makhnovtchina) que apontam para uma terceira via, nem ocidental-liberal nem estatal-autoritária.

Portanto, a guerra na Ucrânia não é um conflito entre "o Bem e o Mal". É um PD fascista global no qual duas máquinas de morte e acumulação disputam um território e uma população, enquanto a verdadeira alternativa – um PDE transnacional das multidões – permanece asfixiada, mas não extinta. Analisá-la com o PD não é justificá-la; é desmontar sua lógica íntima para melhor combatê-la.


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