02 abril 2017

os Brasis: a ruptura do cerco a Stalingrado

02/04/2017


o cerco a Stalingrado foi rompido. a farsa do golpeachment está desmascarada. os golpistas perderam a batalha das ruas.

ficou totalmente exposto qual o projeto de país da plutocracia brasileira. um Brasis como mera capitania hereditária propriedade de uma lumpenburguesia irrecuperável.

como o choque de realidade implementado pelo governo usurpador se encarrega de comprovar, já não haverá nenhum país. restará apenas uma neo-colônia com a economia devastada, conflagrada socialmente e sem qualquer estabilidade política. um país inviável com uma população amputada de sua cidadania.

os golpistas acreditaram piamente em sua farsa. tomaram por autênticas suas ocas palavras de ordem. enganaram a si mesmos com seu projeto oportunista. por isto agora estão tão perdidos.

vagam em busca de um candidato. seja Dória, Luciano Hulk, Nélson Jobim ou Gilmar Mendes, todos não passam de bisonhos personagens em busca de algum autor. mas justamente autoria é o atributo que sempre faltou à plutocracia predatória deste país.

o único agente político capaz de apresentar uma solução para a crise é o Povo sem Medo nas ruas. só com o seu protagonismo social e político haverá alguma possibilidade de superação da crise. caso contrário, ainda faltará muito fundo neste poço.

daí o enorme equívoco na insistência do foco nas hipotéticas eleições de 2018, que permanecerá para sempre um ano longe demais. até mesmo porque já não há mais nenhuma solução institucional para esta crise. as instituições brasileiras foram cúmplices do golpe. o golpe será derrotado nas ruas, ou não será.

um outro Brasis está nascendo desta explosão de vitalidade das ruas. a greve dos trabalhadores da educação de Minas Gerais é hoje a ponta de lança deste processo. a Nação está sendo conquistada na luta contra a perda de direitos, num movimento nacional profundamente capilarizado no tecido social.

a periferia é o centro. o interior é a capital.

ateadas as chamas do impeachment, o incêndio do golpe se propagou. o fogo destruidor tornou-se incontrolável, ingovernável, interminável. quantas cabeças terão que ser estar na bandeja da Lava Jato & Associados para referendar seu grande troféu: a prisão de Lula.

Eduardo Cunha, Aécio, Serra, Temer... na Guerra de Famiglias, os poderosos chefões vão sendo devorados um a um. a economia é destruída e as instituições desmoralizadas. nenhum preço é alto demais, pois a caçada a Lula justifica todos os meios, mesmo às custas de destruir o país.

enquanto isto, o que faz Lula? já assumiu publicamente que a única forma de restaurar a Democracia é anular o impeachment, punir os responsáveis e revogar todos os atos do governo ilegítimo?

obviamente que não. Lulinha Paz e Amor jamais fará isto, pois ainda aspira a algum tipo de acordo com aqueles que o estão caçando.

a verdade é que Lula já não tem mais a menor condição de se defender. mas cada um dos brasileiros em luta deve defender o que Lula representa: a ascensão do protagonismo político dos trabalhadores. 

no mesmo dia em que o Brasil é tomado por manifestações contra as reformas anti-Povo e anti-Nação do governo golpista, o usurpador Temer sanciona a terceirização.

este é o momento mais dramático de nossa História: já não existe qualquer legitimidade nem no Executivo, nem no Legislativo, nem no Judiciário ou em qualquer das instituições.

a lumpenburguesia brasileira assumiu definitivamente sua total incompetência em comandar este país. como nenhum vácuo pode persistir, avançamos para um impasse gravíssimo.

não há retorno. a única saída é construir coletivamente um portal de entrada para um novo ciclo.

o cerco a Stalingrado foi rompido, mas ainda haverá muito chão e muita batalha pela frente. após mais uma vitória nas ruas neste #31M, as batalhas seguintes são a construção da Greve Geral e de um definitivo 1º de Maio em Curitiba.

rumo ao bunker fascista!

vídeo: Sind-UTE/MG - Greve Geral MAR/2017

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20 março 2017

os Brasis: rumo ao bunker fascista!


20/03/2017


há exatamente um ano atrás, Luis Nassif publicou um de seus artigos antológicos, e premonitórios: O xadrez da batalha de Stalingrado do impeachment.

“Os alemães montaram uma blitzkrieg contra Stalingrado. Precisavam vencer rapidamente, caso contrário o inverno rigoroso jogaria contra a ocupação. Houve uma resistência heróica que segurou as tropas alemãs, expondo-as ao inverno russo. O fator tempo decidiu a batalha. É um quadro muito similar ao brasileiro.”

então, nos perguntávamos: “O que fazer?”

o que fazer? resistir

os soldados e o povo em Stalingrado resistiram porque já não havia outra coisa a fazer. não porque tivessem esperança. resistir é um imperativo ético. da tenaz resistência surgiu a saída.


hoje, após 12 meses de infâmias e aniquilamentos, não tenhamos qualquer dúvida: o cerco foi rompido.

há um outro Brasil se erguendo poderosamente. a articulação da sociedade civil e a retomada do protagonismo dos movimentos sociais são a ponta de lança deste outro Brasil, nascido dos escombros do cerco à Democracia.

enquanto as instituições se desintegram, uma imensa,  heterogênea e descentralizada resistência se opõe ao cerco. o embrião de um novo Brasil fundado num pacto social emanado das bases da sociedade.

não há retorno. façamos como os heróis russos da II Guerra Mundial. após romperem o cerco a Stalingrado, assumiram a iniciativa e desencadearam uma irresistível contra-ofensiva até alcançar Berlim e o coração das trevas do bunker nazista.

não haverá retorno.

a reconstrução do Brasil se erguerá sobre três pilares:

1. anulação do impeachment;
2. punição dos responsáveis pelo golpe;
3. revogação de todos os atos e contratos do governo usurpador.

ah! mas então novamente nos perguntam: “Quem fará isto?”

olhem em torno, saiam às ruas. há um Povo sem Medo ávido por justiça e por libertação. a maior de todas as nossas crises tem sido a crise de nossas lideranças. a refundação da República Brasileira será obra e conquista de seu Povo.

os prejuízos causados ao país serão ressarcidos. os responsáveis serão identificados e pagarão com seus bens as infâmias e destruição que causaram:

1. o sistema financeiro será estatizado, e o patrimônio dos banqueiros e grandes especuladores será expropriado;

2. a Rede Globo será estatizada, e o patrimônio dos Irmãos Marinho ressarcirá os danos que causaram;

3. todos os responsáveis pelo golpe e pelos prejuízos causados à economia brasileira, desde agentes da PF, passando por delegados, procuradores e juízes, empresários, políticos e membros do STF, todos serão identificados. seus bens pessoais serão expropriados como indenização devida ao Povo Brasileiro.

"Apenas a rendição completa e incondicional das tropas confederadas será aceita."
General U.S. Grant - Unconditional Surrender ("Rendição Incondicional")



video: Stalingrad



video: 15 MAR 2017 - Sul de Minas


vídeo: Moro recebe comentários negativos ao agradecer manifestações no Facebook


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10 março 2017

os Brasis: territórios ocupados

10/03/2017


“Este é o estatuto da lei, que o Senhor ordenou, dizendo: Dize aos filhos de Israel que te tragam uma novilha ruiva, que não tenha defeito, e sobre a qual não tenha sido posto jugo.”
Números 19:2

há uma guerra. mas não uma guerra no mundo. e sim uma guerra de mundos. uma guerra contra a multilateralidade e a multipolaridade. a guerra do mundo unipolar contra todos os demais mundos. nesta guerra mundial híbrida em curso, a batalha do Brasil ganha dimensões épicas.

para onde se olhar na cena do crime do golpeachment, estarão por toda a parte as impressões digitais da máquina de guerra Anglo-SioNazi.

desde a revelação por Snowden da espionagem da NSA com alvo na Petrobrás e na própria Presidência da República, passando pela recepção com honras de Chefe de Estado do muy amigo Eduardo Cunha no Knesset, até o batismo de Jair Messias Bolsonaro nas águas do rio Jordão, conduzido pelo pastor Everaldo, líder do PSC, no mesmo dia do afastamento de Dilma Roussef.

todo o processo do golpe é o decorrer de uma campanha de desestabilização promovida pelos Anglo-SioNazi contra os Brasis. até chegarmos ao atual presidente do BC brasileiro, nascido em Israel e onde viveu até os 10 anos de idade, e do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles com sua cidadania norte-americana.

os Anglo-SioNazi nutrem uma profunda repugnância pela soberania popular e pelo multiculturalismo. não é sem motivos que seu enclave territorial, apesar do marketing enganoso de ser a “única democracia no Oriente Médio”, não possui Constituição tampouco tem fronteiras definidas.

sob o paradigma da Palestina Ocupada, os Anglo-SioNazi concebem o mundo como uma vasta “terra sem povo”, a ser colonizada pela implantação de condomínios fechados, protegidos por muros e check-points, enquanto os nativos são  confinados em campos de concentração e áreas de extermínio.

os Anglo-SioNazi professam o capitalismo como religião, crêem piamente no lucro como a função social do mercado e nos juros como o meio supremo de realização individual. sendo inimigos mortais de um mundo multipolar, para impedir sua concretização não hesitariam em apertar o botão do holocausto termonuclear.

jamais poderiam admitir o Brasil como um dos pilares fundamentais do BRICS, para sustentar a
construção de relações internacionais baseadas no ganha-ganha. daí investirem contra o país, arrasando com sua capacidade técnica e industrial, para restar preservados apenas os setores exportadores de commodities e de exploração de recursos naturais estratégicos.

a maior das armas de extermínio em massa em poder dos Anglo-SioNazi, mais de uma vez utilizada na desintegração da economia global, é conhecida como The Fed. embora seu maciço poder de destruição, toda sua letalidade advém de um princípio bastante simples: "suas decisões não têm que ser ratificadas pelo Presidente ou por nenhum outro membro do Poder Executivo ou do Legislativo."

especialistas em psi-ops, uma de suas mais célebres operações foi nem tanto a demolição controlada que derrubou ao ground zero arranha-céus gêmeos de centenas de metros de altura, e muito mais a transmissão ao vivo do evento, como um estrondoso ato inaugural da Novus Ordo Seclorum.

sempre envoltos em diversas hipóteses conspiratórias, é certo porém não terem origem semita, e sim numa 13ª tribo Khazar perdida na Eurásia Central.

consideram a singularidade científica, a eclosão da inteligência artificial, como a chegada do tão esperado Messias, para proceder o upload dos avatares do povo eleito a uma Jerusalém reconstruída na terra prometida da realidade virtual. para além da Internet das Coisas, uma Web of Life do puro fluxo incorpóreo e desterritorializado do Kapital.

os Anglo-SioNazi jamais poderiam tolerar o bem sucedido protagonismo brasileiro durante a política externa de Lula, principalmente após patrocinar o acordo nuclear com o Irã. as declarações de Dilma Roussef contra o genocídio do povo Palestino, somadas a sua investida contra o bezerro de ouro da SELIC e a criação de um BNDES dos BRICS, colocaram a President@ brasileira no topo da lista dos alvos prioritários a serem “removidos”.

pela Doutrina do Choque ascende o Capitalismo de Desastre, fazendo da arquitetura do caos e da engenharia do ódio armas políticas para desagregar a sociedade numa luta interna suicida entre facões. a terceirização da guerra de um contra todos (o mundo unipolar contra todos os demais mundos) para uma guerra de todos contra todos.

hoje os Brasis se tornaram territórios ocupados.

como Palestinos, estamos segregados em campos de refugiados dentro de nosso próprio país; como na Síria, nossa infraestrutura está sendo reduzida à escombros, regredindo à idade da pedra; como no Iraque, corremos risco de ruptura da unidade territorial; como no Afeganistão, através da indústria das guerras, se estabelece o ambiente de negócios para florescer a expansão do narco-business; como em todo Oriente Médio, disseminou-se nos Brasis a cultura do ódio e o culto à intolerância.

"Eu gostaria de te contar uma revelação que eu tive durante o meu tempo aqui. Ela me ocorreu quando eu tentei classificar sua espécie e me dei conta de que vocês não são mamíferos. Todos os mamíferos do planeta instintivamente entram em equilíbrio com o meio ambiente. Mas os humanos não. Vocês vão para uma área e se multiplicam e se multiplicam, até que todos os recursos naturais sejam consumidos. A única forma de sobreviverem é indo para uma outra área. Há um outro organismo neste planeta que segue o mesmo padrão. Você sabe qual é? Um vírus. Os seres humanos são uma doença. Um câncer neste planeta. Vocês são uma praga. E nós somos a cura".
“Matrix” - Agente Smith 

vídeo: “INFERNO”, Yael Bartana




vídeo: Jair Messias Bolsonaro é batizado no rio Jordão 


06 março 2017

os Brasis: a hora do jogo

06/03/2017


como encaixar num quebra-cabeça a peça definitiva, mesmo sabendo que ela não vai se encaixar? como colocar em jogo o craque que decidiria a partida, apesar dele apenas querer jogar para a platéia? como jogar na mesa o triunfal às de trunfo, se ele insiste em pular fora do baralho?

o cenário que vivemos no Brasil é inédito e, ao mesmo tempo, aterrador. nunca antes neste país o jogo esteve tão às claras, mas nunca também as cartas estiveram tão embaralhadas.

mais uma vez o novo tenta nascer, não apenas o velho se recusa a morrer, como é mantido artificialmente vivo conectado a caros, e geralmente inúteis, aparelhos, ironicamente denominados pela indústria médico-hospitalar como “suporte de vida”.

mas o que nasce primeiro? o programa mínimo e sua estratégia? ou o candidato viável eleitoralmente para viabilizá-lo? ou continuamos nos perdendo nas falsas questões? e sendo assim, qual a questão que, de fato, importa?

estamos todos numa travessia. num interregno. na escuridão de uma noite perversa, procuramos pela saída. mas já estamos fartos de saber que já não há saídas. houve sim um caminho de entrada. mas por ele jamais poderemos retornar.

no crepúsculo de uma era, jamais regressaremos para “casa”. não há como arrastar-se de volta para um protetor e aconchegante útero materno. já não há nenhum sentido no parricídio, se a mãe está morta, assassinada. o processo que gerou este momento foi abortado por um golpe.
          
nenhuma nova identidade se reconstruirá fundada numa apodrecida mitologia. larva alguma brotará deste cadáver infecundo. este tempo passou. não há retorno.

não se pode voltar de uma viagem definitiva. apenas avançar. ou morrer.

desejamos a morte? por que se deseja algo contrário ao próprio interesse? como se chega ao ponto de desejar a repressão? como se faz da existência apenas a experiência do puro e mortal tédio?

ah! mas precisamos sobreviver... e assim firmamos nossos míseros contratos no cotidiano, nos conchavos diários, nas conciliações nos relacionamentos, nos pactos com a auto-indulgência, nos acordos familiares, nas rendições afetivas, nas capitulações de nossos projetos.

no lento suicídio a cada vez que traímos nossos sonhos, a cada vez que nos perdemos de nosso desejo, a cada vez que deixamos de ser nós mesmos para nos encaixarmos, à fórceps, em algum personagem que nos é socialmente imposto.

nossos problemas não se resolvem sob a perspectiva da neuroquímica, muito menos com eletroterapia ou lobotomia, tampouco tagarelando confortavelmente aninhados num divã. não precisamos de psicólogos e psiquiatras. precisamos de política.

toda atividade política é também terapêutica. e todo processo terapêutico é eminentemente político. por isto, não existe militância política separada da própria maneira de se viver.

é no teatro de operações da micropolítica do cotidiano que podemos derrotar os biopoderes e deflagrar revoluções moleculares.

porque precisamos todos sobreviver, somos constrangidos em nosso dia a dia a implementar políticas de gestão do capitalismo. mas não basta apenas sobreviver. o que desejamos mesmo é viver. viver intensamente. sobreviver faz parte de nossa tática. viver intensamente deve ser nosso objetivo estratégico. assim, nos é inevitável mirar no pós-capitalismo.

se os demiurgos do neoliberalismo negam a existência de tal coisa denominada como “sociedade”, tampouco existe tal coisa de “indivíduo”. só existem as relações sociais.

indivíduo e sociedade como nada mais do que duas perspectivas de enfoque das relações sociais. uma mais de perto, os indivíduos, e outra mais distante, a sociedade. apenas fluxos se cruzando e se interconectando incessantemente, gerando uma rede infinita como um fractal. em cada nó desta teia rizomática, nós mesmos surgimos, nossa subjetividade é produzida.

há momentos em que o tempo se contorce, gira em torno de si mesmo. passado, presente e futuro se misturam. as decisões tomadas nestes momentos afetam não apenas o futuro, como resgatam o passado. os fatos passados ganham não apenas outra interpretação, como uma outra dimensão.

é nestes momentos que se engendra a História.

haveria algum transmutador histórico? algo capaz de destravar o karma instantâneo. não para restaurar o movimento linear do tempo pendular e mecânico do relógio capitalista. mas para fazer irromper um tempo qualitativo e catalisador no presente de todos os momentos de revoltas no passado.

haveria um tempo no qual atos individuais se potencializam e ganham efeito social? um tempo prenhe das possibilidades de um futuro indeterminado. como dar um salto sob um Sol imóvel no meio de seu curso? um salto para o passado e imediatamente de volta para o futuro, libertando o presente de sua agonia e desespero infindáveis.

afinal, o que desejamos? desejamos autenticamente “fazer História”?

sim, é verdade. não devemos nos enganar. sabemos muito bem que temos apenas duas mãos e o sentimento do mundo. mas o que é o mundo, senão as pessoas? e são as pessoas que mudam o mundo. são as pessoas que fazem a História.

o tempo do jogo é agora.

vídeo: “Capitão Fantástico” – cremação


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02 março 2017

os Brasis: dragar o atoleiro

02/03/2017


“eu vi as notícias de hoje, cara. sobre um executivo rico. apesar de não ser muito legal, eu tive que dar uma risada quando olhei a fotografia. ele esticava sua cabeça abaixada para fora de um carro. não havia notado que as coisas tinham mudado. a matéria deu milhares de views. mas nem todos que liam sabiam ao certo do que se tratava.”

“Eu não era o dono do governo, eu era o otário do governo. Eu era o bobo da corte do governo.”
Marcelo Odebrecht - 01/03/2017

a esquizofrenia política brasileira segue insuperável.

Lulinha Paz e Amor, o grande líder do  acordo e do conchavo, em cujo período de governo com indecoroso orgulho satisfazia-se em proclamar que “nunca os bancos ganharam tanto dinheiro”, deveria ser a liderança ungida pela plutocracia brasileira, como o único capaz de promover a pax à la Brasil, numa conciliação pós impeachment inconstitucional. o definitivo golpe dentro do golpe. o golpe final selando o pacto de salvação nacional das elites.

mas não. é frontalmente rejeitado pela lumpenburguesia, empenhada numa feroz campanha através da MídiaGlobal para ao menos torná-lo inelegível, e se possível jogá-lo num dos calabouços da Lava Jato & Associados.

por outro lado, aqueles cuja inegociável bandeira de luta deveria ser a anulação do golpeachment, são justamente os obsessivos defensores de Lulinha Paz e Amor como o Salvador da Pátria, mesmo sabendo de sua completa inapetência para tal, pois não tem nem o vigor físico, nem o perfil psicológico, nem a postura política e muito menos a estatura ética para liderar a guerra pela libertação do Brasil.

mas já não se trata de política. há muito tempo é apenas business.

um PT Empreendimentos, com toda sua ramificação societária, viciado nos cargos comissionados, nas verbas oficiais, no marketing e nos patrocínios, no caixa 2 de campanha, no vai e vem pela porta giratória entre o público e o privado.

uma lumpenburguesia sociopata, nostálgica das capitanias hereditárias, da pilhagem sem fim, da escravidão e do colonialismo. atavicamente incompetente de plasmar qualquer projeto de país, pois incapaz de definir sua própria identidade.

sempre errante entre os Temer e os Aécio, os Dória e os Bolsonaro, os FHC e os Serra, os Collor e os Maluf, os Sarneys e os Tancredo, os Jânios e os Lacerda, entre Higienópolis e Miami, entre Panamá e Genebra, entre a av. Paulista e Langley.

vestindo muitos disfarces de si mesma. máscaras e máscaras, sobrepondo-se infinitamente para tentar ocultar jamais ter possuído um rosto autêntico, uma fisionomia concreta, um projeto próprio. sempre tomando por verdade suas próprias mentiras. apenas um tosco, vulgar e incompleto plágio de si mesma.

se a Lava Jato & Associados é uma arma de destruição em massa, dentro da estratégia da guerra sem fim promovida pelo Império do Caos, seria de uma ingenuidade primária supor que sua estruturação, e seu Centro de Comando e Controle, estão sob a jurisdição desta patética lumpenburguesia brasileira.

por outro lado, é igualmente ingênuo e primário persistir enquadrando a geopolítica internacional no obsoleto modelo da Guerra Fria. já não existe aquele EUA da era dourada do Capitalismo, no pós II Grande Guerra.

afinal onde hoje se localiza o cerne do poder nos EUA? na Casa Branca? no Departamento de Estado? no Pentágono? em Wall Street? nos lobbies das mega corporações?

os EUA já não são mais um país, converteu-se no lar do bravo individualismo em duelo por negócios. tudo e todos são apenas business. e este negócio tem nome.

USA Incorporation é controlada nas sombras pelo Deep State, cujo principal negócio e fonte de financiamento é o tráfico: drogas, armas, órgãos, pessoas, minérios raros, o próprio petróleo, material genético, produtos falsificados, informação, influência e, claro, dinheiro – a maior máquina mundial já montada de lavagem de dinheiro.

no submundo do Black Market o narcotráfico já é a segunda maior economia global, ultrapassando o comércio legal de petróleo e gás e apenas superado pelo negócio das armas. com o Afeganistão como o grande exemplo atual de como USA Incorporation, através da indústria das guerras, estabelece o ambiente de negócios para a expansão do narco-business.

não seria exatamente um exagero considerar toda a economia formal como mera fachada para um vasto e profundo mercado negro mundial, do qual o sistema financeiro faz a legalização dos lucros e deles se apropria em sua quase totalidade. ou seja, o Black Market é propriedade da Tirania Financeira Global.

é nestas raízes profundas do Deep State e de USA Incorporation, e em sua ramificação pela lumpenburguesia brasileira, que se encontrará o mapa do caminho do golpeachment. seus formuladores, seu objetivo, sua estratégia, seus patrocinadores e seus operadores. todos integrantes do mega cartel globalizado do grande business mundial.

não haverá reconstrução da democracia no Brasil sem enfrentar este desafio: dragar o atoleiro. a mesma lama apodrecida a ser drenada no pântano dos EUA.

mas quem poderá fazê-lo? se o que todos ainda desejam é business, as usual...

“Killing Them Softly” - Ending Scene ( With Subtitles )


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18 fevereiro 2017

18/02/2017


fotos: Jornalistas Livres

aquela era uma estranha contagem regressiva. quanto mais chegava ao seu término, mais distante ficava de seu destino. 2018 é para sempre um ano longe demais.

não haverá retorno ao paraíso perdido do big-bang das commodities. nenhum regresso à ilusão dos anos dourados do “político mais popular da Terra”. adeus à qualquer reedição da estratégia de conciliação permanente para viabilizar um projeto de hegemonia às avessas.

já não pode existir uma coexistência pacífica na qual a minoria mantém seus privilégios ultrajantes e seus lucros exorbitantes, enquanto se tenta mitigar a vergonhosa miséria da maioria através de políticas sociais compensatórias.

numa economia mundial mais uma vez à beira de um novo colapso, desta vez provocado pela crise da dívida privada na China, desapareceram as mínimas condições para num país acorrentado ao modelo liberal-periférico, como mero exportador de matéria-prima, se implementar programas sociais redistributivos.

com a mudança climática se agravando em todo o planeta, no Brasil a ponta deste iceberg é a crise hídrica, enquanto em sua profundidade submersa se propaga uma epidemia de distúrbios do sono.

por toda parte as chamas crepitam. mesmo abafadas  pelo lockout da MídiaGlobal. mesmo repudiadas por uma proposta não de superação do golpe, e sim do congelamento da oposição a ele. como se fosse possível reduzir o brilhante calor da luta ao desolador inverno de uma resignada pax social fundada na capitulação e no fatalismo.

o verão chegou. as grandes labaredas do incêndio nacional se alastram, sem que ninguém mais possa reservar para si tanto o desejo quanto a capacidade de ateá-las. queremos incendiar o país, somos nós, o Povo sem Medo, os únicos que podem fazê-lo. Dracarys.

a representação política faliu. as instituições estão em coma. a economia se desintegra. o tecido social se decompõe. com o véu constituinte em farrapos,  Executivo, Legislativo, Judiciário e MP estão despidos de qualquer poder emanado do povo, e se alinham a serviço de um único poder: o econômico. o poder do grande capital financeirizado e internacionalizado.

por um lado, uma Direita sem qualquer pudor em exibir a brutalidade de sua face colonial e escravagista. não lhe basta condenar o Brasil à pena perpétua como produtor de commodities, com seu povo submetido à precarização estrutural do trabalho e completa extirpação da cidadania. é preciso ir além: a alienação do próprio território nacional.

do outro lado uma Ex-querda pelega e perdida. sempre pautada pelo calendário eleitoral, orientada à pesquisas de intenção de voto e movida pelo sonho impossível de através da conciliação de classes promover a redenção dos trabalhadores.

e nós no meio desse nó. um nó que nenhum dos gestores de BrazilPar conseguirá desatar. nós que nenhuma facção da guerra de famiglias poderá cooptar. nós que não estão presos a nenhum limite, pois se há limites insuperáveis, não deve haver limite no desejo de superá-los.

se o tigre parar, as presas possantes do elefante irão transpassar. mas o tigre jamais vai parar e o elefante de hemorragia e exaustão morrerá.

a lumpenburguesia brasileira forjou as condições inéditas para o impensável. tudo sob o céu está mergulhado no caos. já não haverá nenhuma retomada da economia, muito menos reconstrução do Brasil, a não ser pela aplicações das duras, necessárias e inadiáveis “medidas populares”. o grande capital pagará a conta de uma crise gerada por ele e só a ele beneficiando.

o setor dominante nunca será capaz de solucionar a crise. ele é a crise. se a crise da luta contra o golpeachment é a crise de nossas velhas e moribundas lideranças, diversas novas lideranças nascem em cada ato e manifestação. há inúmeras outras lideranças pululando nas lutas das ruas e das ocupações, rompendo as couraças da repressão e do conformismo.

tanto no mundo quanto no Brasil precisamos de um novo Breton Woods. estamos todos entre Roosevelt ou Hitler x Stálin.

neste cenário, corremos o alto risco de entrar em cena um Trump tupiniquim. mas nenhum grotesco Capitão Bolsonaro se encaixa no perfil. menos ainda o multi-show paulistano de João Dória. tampouco Mouros, Jobims e assemelhados. nem mesmo alguém saído do fundamentalismo neo-pentecostal.

mas pode até ser um general preparado, ponderado, inteligente, bem assessorado, carismático e articulado internacionalmente às demais lideranças do BRICS. um novo Geisel, mas além da bandeira nacional-desenvolvimentista, com um forte apelo popular.

há uma guerra de mundos. nesta guerra mundial híbrida em curso, a batalha do Brasil ganhou dimensões épicas. o Brasil é um dos pilares fundamentais, para num mundo multipolar se evitar o armagedon nuclear e reerguer a economia global do abismo da crise de 2008.

de um jeito ou de outro, por bem ou por mal, mais cedo ou um pouco mais tarde, assim como nos EUA o pântano precisa ser drenado, no Brasil não sairemos do mesmo lugar sem dragar este atoleiro. nós precisamos cortar estes nós. se não o fizermos, ninguém mais será capaz de fazê-lo. pois a construção da Nação é concomitante ao parto de seu Povo.

1. anular o impeachment;
2. punir os responsáveis pelo golpe;
3. revogar todos os atos e contratos do governo usurpador.
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13 fevereiro 2017

os Brasis: falta um Povo?

13/02/2017


foto: Mídia NINJA

“Então, quando eu morrer, não espere por mim,
Andando pelo corredor sombrio;
No Céu ou no Inferno, não espere por mim,
Senão você vai esperar para sempre.
Você vai me encontrar enterrado, morto-vivo
Nestes versos que você leu.”

na tarde do dia 09/02/2017, as ruas do centro do Rio de Janeiro nas imediações da ALERJ (Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro) tornaram-se áreas conflagradas. havia uma sublevação em marcha. aquele era agora um território insurgente.

o trânsito fora desviado. o comércio baixara suas portas. com a estação mais próxima do metrô fechada, o VLT e o terminal de ônibus parados, o fluxo naquela parte da metrópole estava comprometido. a circulação já não podia ser a mesma.

impossível não ignorar a magnitude daquele fato político. tudo e todos foram de alguma forma afetados. nenhum mecanismo de controle psico-social seria suficiente para induzir a negação daquela realidade.

os estrondos das bombas de efeito moral, lançadas pela tropa do Batalhão de Choque da PM, faziam eco com as baterias de morteiros, disparados pelos manifestantes contra a polícia. em alguns momentos, o som dos rojões chegou a abafar as explosões das granadas.

de gás lacrimogêneo e spray de pimenta se formou uma densa e irrespirável névoa, invadindo todos os espaços, espalhando-se pelas esquinas, subindo as paredes dos prédios,  penetrando em cada fresta encontrada em seu caminho.

sem transporte coletivo, os pedestres protegiam sua respiração com lenços, com as próprias mãos ou usando golas de camisetas e gravatas, para não serem sufocados por um gás absolutamente democrático em não poupar ninguém de seus efeitos.

servidores públicos, estudantes e professores. homens, mulheres e gays. brancxs, mulatxs e negrxs. jovens, pessoas maduras e idosos. bombeiros e assistentes sociais. agentes de saúde, policiais e oficiais de justiça. todos unidos no protesto contra a privatização da CEDAE (Cia. Estadual de Águas e Esgoto).

mais uma vez ficava provado, só há unidade quando construída na luta, em torno de bandeiras concretas, no enfrentamento de um inimigo comum a todos e como tal por todos reconhecido.

aquela era apenas mais uma das inúmeras batalhas locais de uma grande guerra mundial em curso, para se impedir a privatização de um bem comum: a água.

novamente o confronto foi iniciado pelos policiais do Batalhão de Choque da PMERJ. sem qualquer motivo, nem mesmo a mais banal provocação, deflagraram um maciço bombardeio contra a manifestação, até então pacífica.

mas aquele já não era o Povo que Faltava. aquele Povo nas Ruas nunca fora um Povo de Frouxos.

ali estava encarnado o povo que previamente fal­tava. pois não é “o povo” que produz a luta e a resistência, é a luta e a resistência que geram o seu povo.

após tanta experiência com as repetidas brutalidades da PM, formou-se um esquadrão para garantir a linha de frente. composto por dezenas de membros, equipados com máscaras, luvas, óculos e capacetes de proteção, foram recebidos pelos demais com aplausos e fogos de artifício.

aquele Povo sem Medo incorporara a tática Black Bloc como forma de se defender contra a repressão. assimilara  também como dispersar durante o ataque da polícia, para logo após reagrupar novamente. um aprendizado pela pedagogia da luta, e não como obra de alguma liderança iluminada.

enquanto o grosso da multidão recua taticamente, abrigando-se nas esquinas próximas, o bloco negro enfrentava a tropa de choque. as bombas de gás eram atiradas de volta. lixeiras e caçambas de lixo foram incendiadas. tapumes usados como escudos. pedras e morteiros impediam o avanço dos policiais.

apanhados de surpresa e desprotegidos entre a multidão, dois grupos de PM ficaram retidos em meio ao fogo cruzado. alguns acabaram fugindo para a portaria de um prédio. outros foram salvos pelo Caveirão, carro blindado geralmente usado na invasão das favelas, na incessante campanha de extermínio da juventude negra.

ao retornarem à proteção do duplo alambrado cercando a ALERJ, há um início de briga ente os PM resgatados e a tropa de choque. um oficial puxa uma pistola. os ânimos se acalmam.

um representante dos policiais, discursando do alto do caminhão de som, exortara para se diferenciar os “manga-curta” dos camuflados do choque. enquanto uns estavam em condições tão difíceis quanto os demais servidores públicos ali presentes, a tropa do choque recebia em sua mão de macaco o arrego direto dos traficantes e do Presidente da ALERJ.

já são dois os Caveirões investindo contra a manifestação. encapuzados e de pé em caçambas de camionetes, os soldados apontam seus fuzis para a população. mesmo sendo impossível distinguir sua fisionomia, por detrás da viseira do capacete era nítida a sede de sangue em seus olhos.

mais de uma dezena de duplas de PM passaram a circular em motocicletas, disparam à queima–roupa tiros de balas de borracha. chegam a perseguir por dois quarteirões os manifestantes. muitos dos quais se refugiam no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil).

um estudante secundarista é alvejado por um projétil “não letal”, do mesmo tipo usado na Palestina ocupada. tem o abdômen perfurado. é levado para o hospital, direto para a mesa de cirurgia, com intestino e estômago afetados.

dezenas de cápsulas de gás se amontoam pelo asfalto. ardem as labaredas nas barricadas. helicópteros sobrevoam o local. a grande mídia transmite ao vivo, mercantilizando a repressão como espetáculo para ser consumido como reality show.

já não havia qualquer condenação ao se ouvir o som estridente de portas e vidraças de agências bancárias sendo estilhaçadas. ao contrário, surgiam gritos de apoio e incentivo: “Quebra! Quebra tudo mesmo!”.

um homem saca de uma pistola automática. vários tiros atingem uma imensa placa blindex, na fachada de uma sobre-loja, espatifando-a pela metade. alguns comerciários da loja de roupas em frente, saem para fotografar com seus celulares os rombos das balas no vidro.

sempre vaiados, os integrantes da tropa de choque da PM, ainda que com seus rostos cobertos pela tocas ninja, estavam definitivamente expostos. eram eles os verdadeiros vândalos mascarados, defendendo os verdadeiros bandidos escondidos dentro da Assembléia Legislativa.

ali estava materializado e personificado o monopólio da violência do Estado em toda sua crueza. a polícia “fazendo o seu trabalho”: defender os plutocratas e seus representantes e reprimir o povo. 

pouco a pouco, os manifestante voltam a se agrupar defronte ao prédio da ALERJ. mais uma vez são atacados. novamente recuam, apenas para ainda uma outra vez se reagruparem.

seqüestrada pelos representantes de uma plutocracia anti-Povo e anti-Nação, a Casa do Povo era mantida isolada por grades e cordões de policiais, como um castelo medieval, para nela o povo não poder entrar.

com o crepúsculo, o Povo das Ruas, os “deploráveis”, aderem ao movimento, gritando. “Vamos saquear a cidade toda!”.

morto o Brasil, diante de todos e em plena rua seu tecido social se decompunha. não haverá retorno. nenhuma pax nos salvará. só a Antropofagia nos une.

“chamamos por uma nação que ainda não conhecemos, sim, e uma nação que ainda não conhecemos acorrerá a nós. terra dos grilos alados, que fica além dos rios da Etiópia. uma nação de gente de pele bronzeada, cuja terra é sulcada de rios. há profecias que são mais do que profecias. só digo que quando assim suceder, perderá essa nossa História gloriosamente o nome, e que deixará de ser História do Futuro, porque o será do presente.”

vídeo: ALERJ 09/02/2107 – TV Sind Justiça RJ



vídeo: Policia Militar x batalhão de choque



vídeo: linha de frente


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09 fevereiro 2017

os Brasis: a Ex-querda e a re-existência

09/02/2017


o Brasil fora estilhaçado. como pedaços de espelhos partidos, os vários Brasis já não refletiam nenhuma identidade coletiva.

assim como a teoria e a interpretação majoritárias sobre o Brasil haviam sido volatizadas pelo golpeachment, os tradicionais conceitos e práticas da Esquerda se revelaram como apenas mitologias e equívocos.

junto com o Brasil também estava morta a Ex-querda.

a Ex-querda é uma ampla frente de partidos, organizações, associações, tendências e diversos tipos de grupos. todos reunidos sob a incontestável liderança do Lulismo.

ainda mais definidor que sua organicidade, a Ex-querda é um modo de se pensar o Brasil e de como encaminhar a luta política.

foram pensadores da Ex-querda os principais responsáveis pela arquitetura teórica de um Brasil mitológico, conveniente a uma tradição liberal conservadora; foram também políticos da Ex-querda os que por aquela teoria balizaram na prática o movimento popular, fazendo dele uma conveniente forma de gestão do capital.

a Ex-querda é o Brasis contraface ao Brasis dominante. verso e reverso de um mesmo modelo. São Paulo Ltda. tem sua outra face no PT quatrocentão. a Lava Jato & Associados tem sua correspondência no Republicanismo companheiro.

ainda mais irônico e surpreendente é a constatação de boa parte dos integrantes da Ex-querda serem habitantes do Brasis BrasiNazi. com seu sectarismo, seu dogmatismo, seu centralismo, seu autoritarismo, seu culto a personalidade e sua abominação ao contraditório, a Ex-querda apenas deseja substituir uma estrutura de poder por outra, tão perversa quanto.

em seus 13 anos na gestão de BrasilPar, a Ex-querda jamais se poupou de louvar seu desempenho no bem cuidar dos interesses da Tirania Financeira Global: “Nunca os bancos ganharam tanto dinheiro".

a Ex-querda nutria enorme ressentimento pela MídiaGlobal, apesar de suas doações bilionárias, sob a rubrica de patrocínios e publicidade, jamais conseguira cooptá-la inteiramente.

após sua destituição pelo golpeachment, a Ex-querda continua perdida, perambulando em seu labirinto. dele jamais chegará a sair sem desvencilhar-se de suas correntes, como invertidos fios de Ariadne, mantendo-a atada ao centro da armadilha: o Minotauro do Lulismo.

agora, sua única plataforma se restringe a mirar num ano para sempre longe demais: 2018. sua única bandeira se limita a uma única candidatura.

sua obsessão com um futuro inalcançável só era comparável à compulsão em retornar ao passado no paraíso do big-bang das commodities.

sua única e perpétua liderança é Lula. “Lula 2018” ou ”Lula Já”. sempre Lula!

mas nunca Lula nas ruas e nas ocupações liderando uma resistência popular contra o governo ilegítimo. nunca Lula explicitamente defendendo a anulação do impeachment, a punição dos responsáveis pelo golpe e a revogação de todos os atos e contratos do governo usurpador.

a insistência em anunciar Lula como o “grande líder Salvador da Pátria”, apenas revelava repetidamente como ele já não possuía o vigor físico necessário, tampouco nunca tivera o perfil político, para conduzir uma guerra pela libertação do Brasil. ainda pior, deixava claro que tipo de “salvação do Brasil” se pretendia obter.

como artifício para justificar sua própria capitulação, a Ex-querda transfere sua omissão para os fantasmas que forjou: “esse povo não vai prá rua!”, “esse povo de frouxos!” e “esse povo que não sabe votar!”.

sempre “esse povo”, e nunca ela mesma...

desde o início do processo de impeachment, relevante parcela da população jamais saíra das ruas e das ocupações, participando ativamente de centenas de atos, protestos, manifestações e passeatas.

quem das ruas se ausentara e se empenhara em delas afastar o povo foi a própria Ex-querda.

não havia também qualquer fundamento histórico na acusação de sempre termos sido “um povo de frouxos”. a História do Brasil é escrita com o sangue dos massacres dos levantes populares.

quem nunca demonstrara a combatividade necessária para enfrentar o golpe era a Ex-querda, sempre se ofertando em súplicas pelo último acordo.

se o Congresso Nacional fora usurpado por uma horda fisiológica, isto não ocorrera legitimado pelo voto popular. e sim através da promíscua coalizão do quociente partidário com o financiamento empresarial. dos 513 deputados federais, só 36 foram eleitos unicamente com votos próprios.

ao contrário, “esse povo” elegera por quatro vezes Presidentes da Ex-querda comprometidos com a reforma política, sem que estes jamais tratassem, na prática, esta questão como vital para a manutenção da Democracia brasileira.

se “esse povo” não sai às ruas, é alienado. se sai, seus protestos pacíficos são reprimidos com violência. se não reage, é frouxo. se reage, é vândalo, baderneiro, apenas fornecendo munição para justificar ainda mais repressão.

esta linha de raciocínio só serve aos impotentes, aos derrotados de véspera, aos que nunca quiseram se contrapor, aos que ainda imploram pelo acordo, pelo conchavo, pela conciliação impossível.

quanto mais a Ex-querda insistia na tentativa de trazer seus mortos à vida, mas ela confirmava sua própria morte.

“trazer os mortos à vida
não é nenhuma grande mágica.
poucos estão completamente mortos:
sopre as brasas de um homem morto
e uma chama viva se levantará.

então conceda-lhe a vida, mas considere
que o túmulo que o abrigou
agora não pode ficar vazio:
você com suas roupas manchadas
nele você deve se aconchegar deitado.”
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