05 junho 2017

os Brasis: um glossário

05/06/2017



crise

- já não se pode falar de uma crise do Capitalismo, e sim de um Capitalismo de crise. incapaz de se auto regenerar e submetido a crises periódicas cada vez mais destrutivas, o Capitalismo incorporou a crise como um modo de governar.

- a “crise” é uma oportunidade de reestruturação dos mercados. as medidas tomadas para superar a “crise” não servem para combatê-la. ao contrário, a “crise” é desencadeada como pretexto para aplicar tais medidas.

Crise de 2008

- sob o padrão Dólar-Ouro, o capitalismo experimentou seus “anos dourados”, com intensa industrialização, inovações tecnológicas, Guerra Fria e o Welfare State; no padrão Dólar, prevaleceu a financeirização, a revolução digital, a globalização e o “Estado mínimo”.

- ainda sem qualquer perspectiva de superação, a Crise de 2008 desencadeou mais uma grande desintegração. novamente os moinhos satânicos trituram impiedosamente as condições sociais tal qual a conhecíamos, liquefazendo a modernidade num caldo totalitário do qual se ergue um  pavoroso mundo novo.

Das Kapital

- Das Kapital é o Capitalismo em sua configuração pós Crise de 2008.

- no circuito integrado e volátil das operações instantâneas em mercados apátridas, nação, trabalho e trabalhador estão obsoletos. o lucro prescinde da produção e do consumo, graças à rentabilidade diária e sem risco de investimentos garantidos pelo Estado. a sociedade inteira foi aprisionada num processo autofágico, uma espécie de buraco negro, em que tudo e todos estão submetidos à voracidade ilimitada do capital financeiro.

- pela total financeirização da economia e mercantilização completa da vida, até mesmo a subjetividade foi recolonizada. somos todos descartáveis. é desnecessário um exército industrial de reserva.

Tirania Financeira Global

- a Democracia Liberal se converte em Tirania Financeira Global; os Estados-Nações em Governanças Globais; as Constituições Federais em Acordos Trans-Nacionais; os países em Zonas de Livre Comércio; as cidades em condomínios fechados protegidos por milícias privadas cercados por guetos sob lei marcial e zonas de total exclusão com seus campos de extermínio; os direitos e as garantias individuais em governo de si mesmo sob a lógica do desempenho empresarial.

- Das Kapital se apropria não apenas do tempo de trabalho, mas do próprio tempo de vida. tudo agora é trabalho não pago, numa produção incessante de mais-valia. o trabalhador oprimido foi reconfigurado como um empresário livre, um empreendedor de si mesmo, portanto um trabalhador que se explora a si próprio na sua própria empresa. mestre e escravo na mesma pessoa.

- já não seremos indivíduos, muito menos cidadãos: apenas empresas que se deve gerir e um capital humano que deve se acumular. e nossas relações sociais nada mais serão do que a de empresas competindo entre si.

Império do Caos

- o Império do Caos é o ambiente de negócios gerado pela Guerra sem Fim promovida pela Tirania Financeira Global, através de USA Incorporation, para impor uma governança mundial unilateral.

- um Estado de Exceção permanente, no qual crises sucessivas impõe constantes ajustes como  técnica de governabilidade, com a garantia jurídica da Legislação Anti Terrorismo e de uma rede global de contra insurgência. vigilância on-line 24x7. incessante coleta de dados, biometria, banco de DNA. 

- através do Big Data, algoritmos cibernéticos calculam ininterruptamente uma Nova Ordem instantânea, para governar um mundo previsível e estável, do qual a política foi extirpada.

USA Incorporation

- USA Incorporation já não é mais uma nação, converteu-se em mera base territorial e foro jurídico dos interesses das mega corporações transnacionais. seu poder militar e meios de controle e vigilância são os fiadores  da segurança de um ambiente de negócios definido pelos acordos supra nacionais: TTIP, TPSEP e TiSA.

- aquele EUA paraíso da middle class já não existe. a desigualdade de renda e riqueza estão em patamares crescentes. e hoje o food stamps atende  um de cada sete norte- americanos. o sonho americano converteu-se numa Home Land onde a 80% da população cabe apenas 7% da renda, enquanto o 1% super-rico abocanha 40%.

- USA Incorporation é controlada nas sombras pelo Deep State, cujo principal negócio e fonte de financiamento é o tráfico: drogas, armas, órgãos, pessoas, minérios raros, o próprio petróleo, material genético, produtos falsificados, informação, influência e, claro, dinheiro – a maior máquina mundial já montada de lavagem de dinheiro.

Guerra sem Fim

- guerra ao terror. guerra às drogas. guerra à corrupção. guerra sem fim. a guerra como negócio. Afeganistão, Iraque, Bálcãs, Líbia, Grécia, Egito, Ucrânia, Europa, Síria, África. se quiser impor uma mudança, desencadeie uma crise. ou ainda melhor, deflagre uma guerra.

- num mundo em que a guerra é o hardware no qual se processa atualmente Das Kapital, a crise consiste na continuidade da guerra por outros meios. uma desestabilização permanente desencadeando mudanças constantes, a fim de evitar que não ocorra de fato nenhuma mudança autêntica. para gerir as crises periódicas do capitalismo gerou-se a doutrina do Capitalismo de Crise.

- Das Kapital declarou guerra à humanidade e ao planeta. a Tirania Financeira Global avança sobre nações e populações, fragmenta os países, expropria seus recursos naturais e exila seu povo.
é no epicentro de uma Guerra Híbrida Mundial que travamos a Batalha do Brasil.

Lava Jato & Associados

- a Lava Jato & Associados é uma arma de destruição em massa, dentro da estratégia da Guerra sem Fim promovida pelo Império do Caos. é uma operação montada de fora, comandada de fora, para atender a interesses de fora.  portanto, é “muito maior” do que nós. se disto não temos as provas cabais, todas as informações analisadas, como num quebra-cabeça, permitem formar seguramente esta nossa convicção.

- a Lava Jato & Associados fornece a blindagem jurídica da Democracia sem voto. na qual todo poder emana do Judiciário e de sua interpretação arbitrária das leis, para garantir a conformidade com uma constituição cujo fundamento são os juros pagos aos especuladores.

Brasis

- aquele Brasil das ilusões de palmeiras e sabiás, da miscigenação inzoneira, da abençoada cordialidade tropical, aquele Brasil já não há – e para ele jamais iremos voltar. o Brasil tal qual o imaginávamos conhecer, está morto!

- agora múltiplos Brasis ocupam um mesmo espaço geográfico, mas isto é tudo que compartilham: apenas o território. no mais só existem diferenças irreconciliáveis. são tão incompatíveis que agora se enfrentam num estado de guerra civil de baixa intensidade.

- com a morte do Brasil, restaram apenas negócios, negócios e negócios. nenhum projeto de país. sem qualquer esperança de Nação. a cidadania se convertera em empreendedorismo de si mesmo. o Direito Público em Direito Privado Corporativo. o trabalho em desemprego estrutural. a verdade em fake news. o passado em pós-futuro.

BrazilPar

- nunca fomos uma nação. e já não somos um país. o BrazilPar é hoje uma gestora de participações acionárias em diversas empresas e empreendimentos, uma holding estrategicamente associada a USA Incorporation.

- com o acentuado nível de oligopolização e financeirização, os cartéis se entrelaçaram a ponto de alguns poucos grupos controlarem a quase totalidade da economia brasileira. como a grande indústria se tornou um empreendimento de fachada, não poderia estar melhor representada do que pelo painel luminoso do prédio da FIESP, por seu pato amarelo plagiado e seu presidente sem-indústria e rentista do setor imobiliário.

- o Brasis da Lava Jato & Associados e o Brasis de São Paulo Ltda. se tornaram a principal coalizão supra-regional do BrasilPar.

São Paulo Ltda.

- São Paulo Ltda. abriga a sucursal brasileira da Tirania Financeira Global, e tem principal commodity de exportação a taxa SELIC.

- São Paulo Ltda. jamais ousou construir um projeto de país através do qual sua hegemonia se exercesse, e assim impor sua dominação por consentimento a um pacto nacional. todo seu domínio sempre se deu pela força do mercado se apropriando do público, resultando em desproporcional concentração política e econômica em São Paulo.

- sem que desta concentração resultasse desenvolvimento de âmbito nacional, através de reciclagem dos lucros sob a forma de investimentos regionais, apenas ainda mais enriquecimento de uma plutocracia marcadamente anti Povo e anti Nação. uma lumpenburguesia eternamente sedenta de ser convidada para a mesa de jogo dos grandes lobos globais, mas servilmente resignada ao seu desprezível lugar como hiena periférica.

Ex-querda

- a Ex-querda é uma ampla frente de partidos, organizações, associações, tendências e diversos tipos de grupos. todos reunidos sob a incontestável liderança do Lulismo.

- ainda mais definidor que sua organicidade, a Ex-querda é um modo de se pensar o Brasil e de como encaminhar a luta política. foram pensadores da Ex-querda os principais responsáveis pela arquitetura teórica de um Brasil mitológico, conveniente a uma tradição liberal conservadora; foram também políticos da Ex-querda os que por aquela teoria balizaram na prática o movimento popular, fazendo dele uma conveniente forma de gestão do capital.

- em seus 13 anos na gestão de BrasilPar, a Ex-querda jamais se poupou de louvar seu desempenho no bem cuidar dos interesses da Tirania Financeira Global. “Nunca os bancos ganharam tanto dinheiro", sempre declarou com entusiasmo a principal liderança da Ex-querda: Lulinha Paz e Amor.

Lulismo

- expressão consagrada por André Singer, ele próprio um Lulista, em sua grande obra “Os sentidos do Lulismo”. trata-se de uma estratégia da conciliação permanente a serviço de um projeto de hegemonia às avessas, conforme exposto por Francisco de Oliveira, um dos fundadores do PT.

- consiste em atender a quase todas as exigências da minoria (a Plutocracia Brasileira), mas justificando-se através de umas poucas concessões para a maioria da população. em nome de uma governabilidade de curto-prazo, o Lulismo acaba provocando uma ingovernabilidade sistêmica.

- os festejados programas sociais do Lulismo, nunca passaram das convencionais políticas sociais compensatórias, conforme formuladas e prescritas pelo Consenso de Washington, para evitar que o aumento desenfreado da miséria se torne explosivo e um incontrolável fator de desestabilização social.

- a quase totalidade dos pretensos “avanços” e “conquistas” promovidos pelo Lulismo não passam de lendas conveniente ao marketing político, sem qualquer base na realidade.

- por exemplo: o Lulismo faz o marketing da recuperação do Salário Mínimo, sem deixar claro que em 8 anos de FHC a recomposição foi de 6,52 pp, enquanto nos 13 anos de Lulismo apenas 5,69 pp.

- mais um exemplo: “[na década de 2000, os “anos dourados do Lulismo”] 95% das vagas abertas tinham remuneração mensal de até 1,5 Salário mínimo.  [...]  e com  rendimento acima de três salários mínimos mensais, houve redução no nível de enprego.”, em “Nova Classe Média?“, Márcio Pochmann.

Lulinha Paz e Amor

- Lulinha Paz e Amor é principal liderança da Ex-querda. é imprescindível a total clareza para distinguir 3 pontos: o político Lula (Lulinha Paz e Amor), o mito do Lulismo e o que Lula simboliza no processo de construção nacional.

- apesar de seus erros e traições, o político Lula precisa ser determinadamente defendido da caçada implacável que a Lava Jato & Associados o submete, como qualquer cidadão que seja vítima de uma justiça venal, corporativa, seletiva e classista. uma grande oportunidade para fazer coincidir a “defesa de Lula” com a luta pela democratização do Judiciário, pela desmilitarização da polícia, pelo desmantelamento do aparato repressivo e pela superação da doutrina de segurança nacional. iniciativas que em seus 13 anos de governo o Lulismo sequer cogitou em propor.

- porém o mito do Lulismo deve ser destruído. esta falida concepção de ser possível através da conciliação permanente com uma plutocracia predatória, viabilizar um projeto de sucessivas mudanças pequenas e graduais, mas ainda assim sustentáveis no longo prazo. o Golpeachment enterra definitivamente esta vã e amarga ilusão.

- o que deve ser preservado e fortalecido é aquilo que Lula simboliza: a ascensão do trabalhador brasileiro ao protagonismo social e político que lhe cabe. sem o qual o Brasil já não se viabiliza como Estado, tampouco se constrói como Nação. o Lula político é apenas mais uma etapa neste processo, no qual se cumprirá a profecia de Getúlio Vargas: “um dia será um de vocês que estará aqui no meu lugar”.

Golpeachment

- o Golpeachment é a versão atual dos sucessivos golpes de Estado perpetrados pela lumpenburguesia brasileira em sua guerra ancestral contra o Povo e a Nação.

- derrotadas por quatro vezes na urnas, as medidas impopulares” exigidas pela Tirania Financeira Global só poderiam ser aplicadas através da supressão do Estado Democrático de Direito, o que foi implementado através de um impeachment inconstitucional.

- só haverá reconstrução da Democracia e refundação da República, caso erguidas sobre uma pedra fundamental que exige: a nulidade do impeachment, a revogação de todos os atos e contratos do governo usurpador e a punição dos responsáveis pelo Golpeachment;

- para onde se olhar na cena do crime do Golpeachment, estarão por toda a parte as impressões digitais da máquina de guerra Anglo-SioNazi.

Anglo-SioNazi

- todo o processo do Golpeachment é o decorrer de uma campanha de desestabilização promovida pelos Anglo-SioNazi contra os Brasis. até chegarmos ao atual presidente do BC brasileiro, nascido em Israel e onde viveu até os 10 anos de idade, e do Ministro da Fazenda Henrique Meirelles com sua cidadania norte-americana.

- os Anglo-SioNazi nutrem uma profunda repugnância pela soberania popular e pelo multiculturalismo. não é sem motivos que seu enclave territorial, apesar do marketing enganoso de ser a “única democracia no Oriente Médio”, não possui Constituição tampouco tem fronteiras definidas. sob o paradigma da Palestina Ocupada, os Anglo-SioNazi concebem o mundo como uma vasta “terra sem povo”, a ser colonizada pela implantação de condomínios fechados, protegidos por muros e check-points, enquanto os nativos são  confinados em campos de concentração e áreas de extermínio.

- os Anglo-SioNazi professam o capitalismo como religião, crêem piamente no lucro como a função social do mercado e nos juros como o meio supremo de realização individual. sendo inimigos mortais de um mundo multipolar, para impedir sua concretização não hesitariam em apertar o botão do holocausto termonuclear. consideram a singularidade científica, a eclosão da inteligência artificial, como a chegada do tão esperado Messias, para proceder o upload dos avatares do povo eleito a uma Jerusalém reconstruída na terra prometida da realidade virtual. para além da Internet das Coisas, uma Web of Life do puro fluxo incorpóreo e desterritorializado de Das Kapital.

BrasiNazi

- como um dos mais mórbidos fenômenos decorrente da morte do Brasil, ocorre a saída da semi-clandestinidade do BrasiNazi. o Brasis do povo superior da “Raça Planaltina”, herdeiro do empreendedorismo colonial dos Bandeirantes, em busca do Eldorado da matança dos miseráveis e do holocausto do contraditório.

- o BrasiNazi é o Brasis alinhado com os Anglo-SioNazi, em perfeita sintonia com São Paulo Ltda., tendo entre seus operadores políticos o muy amigo Eduardo Cunha, recebido com honras de Chefe de Estado no Knesset, e Jair BolsoNazi, batizado nas águas do rio Jordão pelo pastor Everaldo, líder do PSC, no mesmo dia do afastamento de Dilma Roussef.

- historicamente os Anglo-SioNazi são inimigos dos Judeus. prova irrefutável  disto no cenário atual brasileiro, é a Hebraica convidar Jair BolsoNazi para pregar o genocídio, enquanto do lado de fora centenas de judeus protestavam contra o fato.

- se em 1964, o golpe foi formulado, financiado e comandado por Lincoln Gordon, então Embaixador dos EUA, o Comandante em Chefe do Golpeachment é um Anglo-SioNazi. no círculo mais alto de Comando deste golpe, todos seus integrantes não se expõe publicamente. permanecem atrás dos bastidores, nas trevas. como o Chicagos’s Boy de estimação de George Soros e o mais rico dos banqueiros do mundo.

Millenium

- os Anglo-SioNazi se auto-intitulam como os Proprietários da Humanidade (Masters of Mankind) e defendem  que a raiz do problemas mundiais advém, principalmente, do excesso populacional.

- várias de suas Estratégias de Redução Populacional (ERP), já estão sendo implementadas nas últimas décadas por todo o planeta. privatizações selvagens, expropriação dos recursos minerais (inclusive água), epidemias provocadas (inclusive AIDS), guerras sem fim, engenharia social da fome, eliminação dos “inúteis e defeituosos”, etc...

- os Anglo-SioNazi através de sua Guerra sem Fim empurram o mundo para um confronto termonuclear e uma selvagem redução populacional. estão convictos de que é possível sobreviver ao Armagedon e consideram obsoleta a doutrina do MAD (Mutual Assured Destruction).

- Millenium é a atual doutrina dos Proprietários da Humanidade: neo-fascismo, capitalismo como religião, zumbificação, anomia, Admirável Mundo Novo, Big Brother, Big Data, robótica, engenharia genética, nanotecnologia, singularidade científica, anti-Cristo...

Guerra de Mundos

- há uma guerra. não uma guerra no mundo e sim uma Guerra de Mundos. não uma “crise” da qual precisamos sair, mas uma guerra que precisamos ganhar, mesmo que sejamos derrotados em muitas batalhas.

- Das Kapital subjugou todos os demais mundos sob uma unificação etnocêntrica: muitas Culturas, apenas uma Natureza. um mundo no qual um conceito específico de uma cultura, a Natureza como definida pelo Racionalismo Ocidental, se converteu em “realidade biofísica”.

- de um lado estão o Homem, a Razão, a Ciência: os que se ergueram vitoriosos com as luzes do Renascimento apenas para mergulharem o planeta numa escala nunca antes experimentada de destruição e desigualdade. tudo e todos foram reduzidos ao valor de matéria-prima pela vã pretensão de manter indefinidamente girando os moinhos satânicos do capitalismo.

- do outro lado, na resistência contra a barbárie já instalada, há um povo: Os Seres da Terra. uma aliança entre  os Terráqueos pautada não por leis, contratos ou instituições, mas pela urgente consciência da luta comum pela sobrevivência.

Os Seres da Terra

- as condições ambientais estáveis dos últimos 12 mil anos favoreceram o desenvolvimento da auto-denominada “civilização humana”. sob tal estabilidade ambiental ergueu-se o mito de ser possível uma separação conceitual entre Natureza e Cultura.

- com a irrupção messiânica de Gaia no cenário geopolítico da história moderna, descobre-se que tal estabilidade ambiental pode ser alterada. como se reagisse às ações sobre ele infringidas, o planeta modifica seu equilíbrio para condições menos favoráveis à existência da espécie humana e de outras muitas que o coabitam.

- o mundo natural e o mundo social já não podem mais estar separados. o humano se desumaniza ao se tornar força natural – pelas alterações que sua “civilização” provoca na natureza – enquanto a natureza se torna um agente respondendo a estímulos – convertendo-se numa ameaça política à continuidade da “civilização humana”.

- do mesmo modo que ocorreu no Renascimento com o Heliocentrismo, o Antropocentrismo já não nos serve mais. os sonhos da Razão geraram monstros: o Capitalismo, o Antropoceno, o Antropozóico. uma nova mudança em breve vai acontecer. um inexorável desaparecer, como, na orla do mar, o desvanescer de um rosto de areia: o ocaso do Humanismo e do Racionalismo.

- adeus à Humanidade, bem vindos sejam Os Seres da Terra.
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30 maio 2017

os Brasis: no tempo das “Diretas Já!”

30/05/2017


naquele Domingo 28-MAI, quando Milton Nascimento começou a cantar “Coração de Estudante”, um dos hinos da campanha das “Diretas Já!” em 1984, já escurecia e a noite se misturava à névoa, que tomara por completo a orla da praia de Copacabana.

com a voz cristalina atravessando um cenário onírico, era impossível não sentir uma estranha força no ar. o tempo presente correndo ao redor daquela multidão, criando um poderoso redemoinho para conectar dois momentos históricos. separados por 33 anos, ali flutuavam lado a lado, suspensos na bruma e numa dobra do tempo: 2017 e 1984.

a História narrava a si mesma, nos desafiando a decifrá-la, como uma profecia instantaneamente realizada. para nos fazer compreender que a vida nada mais é do que as histórias que vivemos. e que as vivemos para serem contadas. e mais uma vez serem recontadas, como parte de outras histórias. compondo uma história sem fim.

a multidão fazia a História. ainda assim, era a História quem impunha suas próprias circunstâncias. exigindo uma imediata atualização de atores, personagens, papéis, cena e enredo.

as ações superam os atores, pois estamos todos lançados num mundo que devemos construir. o que só tornamos possível se amarmos o exercício acima dos resultados. já que todo resultado é uma ilusão frágil que nos acomoda e enfraquece. seja pelo ressentimento de não atingi-lo, seja pelo conformismo diante da ilusão de ter atingido.

a figura do profeta era a do líder político de cinquenta anos atrás. mas hoje já não é possível um discurso que se projete no futuro. é preciso dialogar com o kairós, o tempo intenso do acontecimento.  o profeta fala do futuro, e não o faz em seu nome, mas em nome de outros. o parresiasta fala em seu nome e deve sempre se referir ao presente, ao tempo do agora.

a ação não é uma opção,+ é uma exigência para nossa sobrevivência. pois esta tornou-se uma questão chave, já que no atual estágio do capitalismo financeirizado somos todos descartáveis. é desnecessário um exército industrial de reserva.

se a biopolítica colonizou até os menores aspectos da existência, contra ela só dispomos da biopotência: uma indomável vontade de viver. há que se cuidar da vida. há que se cuidar do mundo. tomar conta da amizade.

em seu incessante processo de mercantilização da vida, Das Kapital encontrou o seu limite. existe algo que jamais será convertido em mercadoria: o Tempo.

é possível vender e comprar tempo de trabalho, e até mesmo tempo de vida. mas o Tempo, ele mesmo, é inegociável. é tudo o que temos, mas não nos pertence. o que é um corpo? ou indagado de outra forma, quem somos? somos um corpo que sente. penso, logo existo? nem tanto. sinto, logo estou vivo!

e como experimentamos a Vida? através do Tempo.

agora, o tempo da resistência chegara ao fim. começaria o árduo e longo caminho da re-existência. a luta para gerar um outro futuro, não mais como estava suposto a ser.

se já não restara pedra sobre pedra, foi justamente com estas pedras, e entre os escombros, que conseguíramos resistir. e seria com estas pedras da ruína de nossa derrota que fincaríamos o alicerce de nossa vitória.

o que propomos: um outro jeito de viver. uma vida que valha a pena ser vivida.



vídeo: Milton Nascimento - Coração de Estudante - Apoteose 1984


vídeo: Milton Nascimento – “DIRETAS JÁ!”- Copacabana 2017

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27 maio 2017

os Brasis: ocupa Brasília

27/05/2017


foto: Bruna Goularte

após um ano de resistência, o cerco foi rompido.

nos paneleiros globotomizados bate o arrependimento, ao se descobrirem como meros trouxinhas úteis. como ratazanas enganadas, os patos amarelos abandonam as ruas e o golpeachment começa a naufragar. já não é possível negar que o golpe nada mais é do que a guerra da lumpenburguesia brasileira contra o Povo, para exterminar com os direitos sociais e reconduzir o Brasil a um status pré Revolução de 1930.

é lançada a contra-ofensiva. numa impressionante blitzkrieg, os golpistas sofrem derrotas sucessivas.

após as grandes manifestações de 15-MAR contra as reformas regressivas e o austericídio,  realiza-se em 28-ABR a maior Greve Geral da História Brasileira.

em 10-MAI, o bunker da Lava Jato & Associados é tomado de assalto. o depoimento de Lula em Curitiba nos faz vivenciar Getúlio frente a frente com a República do Galeão, num resgate de 1954. é como se  uma história engasgada por 63 anos fosse enfim retomada.

então vaza a deduração premiada que faltava: expor a Lava Jato e o impeachment como operações contra os interesses do Brasil, de suas grandes empresas e de sua população. a luta de classes no interior do próprio setor dominante, facção contra facção, gerou um contra-golpe dentro do golpe. para não ser demolida como as empreiteiras, a JBS recusou-se a seguir mansamente ao abatedouro.

com a massiva ocupação de Brasília em 24-MAI, a Ditadura Temer se tornou a mais breve de todas. o dia que nunca ia acabar foi apenas aquele que jamais aconteceu. em menos de 24 horas é revogado o decreto de garantia da ilegalidade e da desordem. as FFAA recusam-se a degradante função de guarda pessoal de um usurpador agonizante e visceralmente comprometido com o propinoduto exposto por Joesley Batista.

não foi aceito o clamor BolsoNazi para “matar uns 30 mil” e aplicar o golpe dentro do golpe. os militares disseram NÃO. ficou patente ser inviável qualquer estabilidade para o golpeachment: o Brasil não será uma neo-colônia semi-escravocrata, nem mesmo com uma Ditadura genocida.

o golpe fracassou. não haverá golpe dentro do golpe.

o poder constituinte está em farrapos e nada mais oculta sua origem sórdida, ficou desmascarado como um condomínio de quadrilhas, uma organização criminosa, um sindicato de ladrões. todo o poder da cleptocracia não emana do povo, e sim de um golpe imposto pela força e sem qualquer legitimidade.

este é a verdadeira baderna e o autêntico vandalismo: uma plutocracia predatória, cujo único projeto é a espoliação de curto-prazo para depredar o patrimônio público. esta é a mais extrema forma de violência: Um contra Todos.

já não falta um Povo.

a luta e a resistência geraram seu Povo. um Povo sem Medo nas ruas. o povo que previamente fal­tava. pois não é “o povo” que produz a luta e a resistência, é a luta e a resistência que forjam o seu Povo. não um salvador da pátria surgindo da névoa montado em algum cavalo branco. mas a multidão! um congraçamento de muitos Povos, que compartilham um segredo: já vivemos uma vez e naquela vida fomos chamados de Brasileiros.

Brasília já não é a Babilônia burocrática isolada na vastidão do planalto central. a cidade do concreto armado e do automóvel teve seus amplos espaços desertos ocupados pelo Povo sem Medo. nenhuma Bastilha está eternamente a salvo, todas elas foram erguidas apenas para serem derrubadas.

o golpismo é como uma muralha. parecia impenetrável, inexpugnável. mas eis que surgiram rachaduras, várias delas. agora elas se proliferam e se expandem. só com a articulação de todas estas rachaduras é possível fazer o muro desabar. nós somos estas rachaduras.

no intenso momento do agora nasce o futuro.

os golpistas precisam de tempo para articular uma saída, mas a cada dia crescerá o clamor popular por “Diretas Já”. assim, estamos num túnel nas espirais do tempo, ricocheteando entre 1984 e 1989. repete-se a mesma situação trágica entre o Colégio Eleitoral de Tancredo Neves e a derrota de Lula na primeira eleição direta para presidente após o Golpe de 1964.

o tempo presente já não é mais como costumava ser. agora é um transmutador histórico para resgatar o karma instantâneo. não mais o movimento linear do tempo pendular e mecânico do relógio capitalista, mas um tempo qualitativo e catalisador no presente de todos os momentos de revoltas no passado.

precisamos passar a limpo nossa História. não há retorno. não há saídas. a crise se tornou maior do que tudo e maior do que todos.

o único caminho é para a frente. construir coletivamente um portal de entrada para um novo ciclo. para um Brasil do séc. XXI. Povo e Nação comprometidos com um projeto de desenvolvimento ecologicamente sustentável, socialmente includente e internacionalmente alinhado com os BRICS na construção de um mundo multipolar.

“Cuando amaine la tormenta,
 cuando la lluvia y fuego dejen en paz otra vez la tierra,
 el mundo ya no será el mundo, sino algo mejor.”

vídeo: Ocupa Brasília – 24/05/2017


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21 maio 2017

os Brasis: contra-golpes

21/05/2017

na guerra de famiglias a cleptocracia mordeu o próprio rabo. para não ser demolida como as empreiteiras, a JBS recusou-se a seguir mansamente ao abatedouro.

a distância entre Marcelo Odebrecht e Joesley Batista é o tamanho do racha dentro da plutocracia brasileira. um apodrecendo na Guantánamo da Lava Jato & Associados, até delatar Lula; enquanto o outro, com sua “campeã nacional” sob a proteção de USA Incorporation, incrimina Temer e os golpistas.

a realidade se encarregou de comprovar não ser possível qualquer êxito sustentável para empresas multinacionais brasileiras sem o suporte de uma política de Estado. a internacionalização é acompanhada de inevitáveis conflitos de interesses, não apenas com empresas estrangeiras, mas principalmente envolvendo as grandes questões da geopolítica mundial.

enfim vaza a “deduração premiada” que faltava: expor a Lava Jato e o impeachment como operações contra os interesses do Brasil, de suas grandes empresas e de sua população. a luta de classes no interior do próprio setor dominante, facção contra facção, gerou um contra-golpe dentro do golpe.

por outro lado, haja Rivotril para o Lulismo. com todas as suas frágeis lendas desmascaradas desde o golpeachment, já não consegue formular qualquer análise minimamente coerente frente à atual conjuntura. tornou-se impossível aplicar o referencial da conciliação permanente num momento de agudo acirramento da lutas de classes.

apesar disto, como um viciado incurável, o Lulismo persiste agarrado a um de seus mais boçais erros: colocar a Rede Globo o inimigo principal.

apesar do sempre opulento patrocínio do Lulismo à Rede Globo, esta jamais se deixou cooptar inteiramente, mesmo nisto tendo Dirceu se empenhando de corpo e alma, principalmente de alma. portanto, a Globo pode até ser o inimigo principal do Lulismo, mas não do Povo e Nação.
se a Rede Globo indiscutivelmente faz parte do setor dominante, e é portanto um grande inimigo, ela sempre se alinha com quem de fato manda: a Tirania Financeira Global.

para os banqueiros e o mercado financeiro especulativo só importa sua plataforma de contra-reformas, para aplicar no Brasil o projeto mundial de austericídio. são eles os principais beneficiados pelas contra-reformas, enquanto o conjunto da população, incluindo pequenos e médios empresários, será penalizado.

como o Lulismo sempre foi completamente dependente do financiamento de campanha dos banqueiros, nunca poderia colocá-los em seu devido lugar de inimigo principal. disto surge a manobra diversionista de fazer da Rede Globo o inimigo principal, com a decorrente despolitização do debate e da luta política.

foi assim que chegou-se ao ponto de agora o Lulismo defender a permanência de Temer. pois se a Rede Globo é contra, o Lulismo só pode ser a favor!

a crise é também uma crise da “cúpula”, crise da política da classe dominante. esta “cúpula” já não mais consegue manter sua dominação como antes. a lumpenburguesia brasileira completamente rachada não tem a menor idéia de como a resolver a crise, pois jamais aceitará ser ela mesma a crise.

não são apenas Temer e Aécio, a morte dupla, jogados ao mar: o PSDB é vítima do próprio golpe que ajudou a perpetrar. Aécim se recusa a voltar ao pó sozinho. ameaça descer ao inferno abraçado inclusive com FHC.

os golpistas julgavam que o impeachment nada mais seria do que uma barulhenta tarde de domingo na av. Paulista. o poder que dá o golpe, não é o poder que consolida o golpe. mas desta vez, ao se descascar camada por camada, nada há no centro da cebola. um vácuo que só pode ser preenchido de fora, pelo Povo sem Medo nas ruas.

fracassou a estabilização do golpe. não será possível converter o Brasil numa neo-colônia semi-escravocrata, a não ser aplicando o clamor BolsoNazi e “matar uns 30 mil”.

para acabar de explodir todo o sistema de poder só falta uma peça no Xadrez do Golpe: a participação dos banqueiros na compra do impeachment. chegou o momento de Palocci sair da prisão e entrar para a História.


não há coesão social sem um amplo pacto nacional e o reestabelecimento de um viável e estável centro político. o pacto só se viabiliza firmado na perspectiva da centralidade de um projeto de país a serviço do Povo e Nação. e no processo de construção deste novo pacto, compreendido como um fundamento constituinte, a estabilidade só estará garantida com o necessário protagonismo dos movimentos sociais, para evitar que ainda mais uma vez tudo seja exclusivamente decidido na cúpula.

portanto, não haverá pacto e muito menos estabilidade que não se ergam de uma pedra fundamental:

- nulidade do impeachment;
- restauração da President@ legítima do Brasil: Dilma Roussef;
- compromisso de Dilma em convocar “Diretas, Já” em todos os níveis;
- revogação de todos os atos e contratos do governo usurpador.
- punição dos responsáveis pelo golpe;

precisamos passar a limpo nossa História.

“Diretas, Já” que não desemboque num Colégio Eleitoral, como em 1985, mas seja um marco inaugural de um novo modo de se fazer política no Brasil.

um retorno de Lula, mas não para repetir o suicídio de Getúlio em 1954. e sim para superá-lo. o que começou a fazer ao enfrentar e derrotar a República de Curitiba em seu bunker, como Getúlio fazendo o mesmo com a República do Galeão.

um Lula reloaded muito além do Lulismo de 2003, para que enfim enfrentemos todos juntos os desafios do Brasil do séc. XXI: desenvolvimento ecologicamente sustentável e socialmente includente, com alinhamento internacional com os BRICS na construção de um mundo multipolar.

a chance está em nossas mãos. deveríamos ser profundamente gratos à vida, por nos conceder a existência num momento tão crucial de nossa História.

vídeo: Era uma vez a Revolução - Quando explode a vingança – “duck, you sucker”

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13 maio 2017

os Brasis: o resgate

13/05/2017

cada geração tem sua missão, ou cumpre ou trai. cada geração tem fracassado miseravelmente. aprisionadas numa maldição, na qual se repete e se repete e se repete o mesmo desafio histórico. sempre voltando à mesma fatídica encruzilhada do destino. sem nunca ultrapassá-la. sem nunca chegar a responder a incontornável questão: quem somos? o que queremos?

como em 2016, com o golpe do impeachment; como em 2015, com o “ajuste fiscal” de Dilma Roussef; como em 2014, com a Lava Jato; como entre 2009 e 2014, com as desonerações e incentivos para os grandes empresários; como em 2005, com o Mensalão; como em 2008, com a operação Satiagraha; como em 2003, com a reforma da Previdência de Lula; como em 2002, com a Carta ao Povo Brasileiro; como em 1999, com a crise cambial de FHC; como em 1994, com o Plano Real; como em 1993, com o escândalo dos anões do orçamento; como em 1992, com o impeachment de Collor; como em 1989, com o segundo debate entre Collor e Lula; como em 1985, na posse de Sarney; como em 1984, com as Diretas Já; como em 1979, com a Lei da Anistia...

como em 1964, com a fuga de Jango; como em 1961, com o Parlamentarismo; como em 1954, com o suicídio de Getúlio...

mas em 10/05/2017, o depoimento de Lula em Curitiba, no bunker da Lava Jato & Associados, nos faz vivenciar Getúlio frente a frente com a República do Galeão, em 1954. é como se  uma história engasgada por 63 anos fosse enfim retomada.  

nada será como antes. o cerco a Stalingrado foi rompido. a contra-ofensiva desencadeada. a maior Greve Geral já realizada. o inimigo encurralado em seu bunker.

como nunca antes na história deste país, está exposta a face da cleptocracia brasileira  e de seus prepostos. toda a sua vil mediocridade e incompetência infinita.

suas muitas máscaras sempre escondem a mesma face sem rosto: Collor, FHC, Serra, Alckmin, Aécio, Bolsonaro, Dória, Huck, Moro... nenhum projeto, a não ser manter o Brasil asfixiado como uma neo-colônia e todo um Povo em condição de semi-escravidão.

um nada insignificante. uma ausência de si mesma. um vazio que só pode ser ocupado por um Povo sem Medo.

lutar sem temer. esta plutocracia predatória pode ser derrotada. é a lição inesquecível de 10-MAI-2017.

lutar sem temer. só um movimento de massas pode derrotar o golpe. é a decorrência imprescindível de 10-MAI-2017.

estamos em plena guerra civil híbrida, uma campanha de extermínio deflagrada pela lumpenburguesia brasileira contra o Povo e a Nação. uma luta de classes assimétrica contra os poderes imperiais da Tirania Financeira Global.

          
um mito tem que morrer, para que outro mais avançado possa nascer. o mito do Lulismo morre em 10/05/2017, para que Lula possa estar mais vivo do que nunca. para que todos nós estejamos definitivamente convencidos estarmos diante de um genocídio: o nosso próprio. 


pois tudo o que até hoje perdemos foram apenas vãs e infantis ilusões. tudo o que nos tiraram nada mais foi do que a crença inútil numa conciliação impossível. todas nossas perdas são  o fogo alto necessário para forjar o aço que abrirá caminho para nossas vitórias.

enfim começamos a compreender que este é um processo de resgate. o nosso resgate do deserto do engano, da melancolia e do acovardamento. a nossa volta da terra dos mortos.

nunca antes neste país nos sentimos tão vivos!

vídeo: Milton e Lô Borges : Tudo que você podia ser


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05 maio 2017

os Brasis: genocídio

05/05/2017


(foto: Christian Braga/Jornalistas Livres)

há uma guerra. uma guerra de mundos. uma guerra contra a multilateralidade e a multipolaridade. a guerra do mundo unipolar contra todos os demais mundos. o genocídio global da grande guerra de extermínio do 1% contra todos nós.

há uma guerra. uma guerra nos territórios ocupados dos Brasis. uma guerra tão antiga quanto o próprio Brasil. a guerra da cleptocracia sociopata contra todos nós. a guerra da plutocracia predatória contra o Povo e a Nação.

há uma guerra. não uma “crise” da qual precisamos sair, mas uma guerra que precisamos ganhar, mesmo que sejamos derrotados em muitas batalhas. por que lutamos? lutamos por nossa sobrevivência. lutamos porque é assim que nos sentimos vivos.

não haverá retorno. nenhuma pax nos salvará. nenhum acordo, nenhuma conciliação, nenhum Pacto à la Brasil. ou vencemos a guerra ou seremos extintos.

nunca fomos um país. o Brasil se formou pelo avesso. teve Coroa antes de ter Povo. teve Estado antes de ser Nação.

toda a História do Brasil é perpassada pelo mesmo vulto, disfarçado com muitas máscaras, tantas quantas suas diferentes conjunturas, porém sempre geradas pela mesma questão estrutural. uma História da qual o povo não participa da mudança: ele apenas a padece.

a cada vez que o processo histórico desemboca numa crise, impondo a necessidade de mudanças, se restabelece no Brasil um acordo de cúpula, pactuado pelas elites, e a mudança se reduz a um rearranjo que tudo muda para que nada fique diferente: modernizações conservadoras, revoluções palacianas, transições tuteladas, pactos entre a elite, reformismo sem reformas, conciliações permanentes.

nossa Declaração de Independência e Proclamação da República são grotescos e patéticos eventos que desonram nossa História.

uma História que tem sido uma crônica de déspotas, de elites, de castas, nunca a História que realiza, aperfeiçoa e desenvolve. uma História fossilizada, um cemitério de projetos, um desfile de ilusões e de espectros. uma ininterrupta sucessão de barbáries. nunca houve um monumento da cultura que não fosse também um monumento da barbárie.

mas com o golpeachment a lumpengurguesia brasileira cruzou a fronteira sem volta. para implantar suas reformas regressivas, reconduzindo o país a um status pré Revolução de 1930, terá que fazê-lo pela concretização do clamor BolsoNazi: “matar uns 30 mil”.

sem este genocídio, o Brasil jamais será convertido numa neo-colônia semi-escravocrata.

por outro lado, a superação do golpe e a reconstrução do Brasil só se efetivará caso erguida sobre três pilares:

1. nulidade do impeachment;
2. punição dos responsáveis pelo golpe;
3. revogação de todos os atos e contratos do governo usurpador.

esta é a questão: ou “matar uns 30 mil” ou a nulidade do impeachment.

esta é a inédita encruzilhada histórica na qual nossa identidade como Povo e Nação será forjada. este é o intenso tempo do agora, no qual nos tornamos nossa própria esfinge: quem somos? o que queremos?

nosso desejo explode incontido, por muitas vozes bradando o mesmo refrão: “Fora Temer!”. e quanto mais alto se ergue este grito, mais a ele o setor dominante se torna surdo. enquanto ecoa potente nas ruas e nas pesquisas, mais patente fica a incapacidade de concretizar a palavra de ordem, porque entre o poder instituinte e os poderes constituídos já não existe relação, apenas a completa ruptura.

a representação política faliu. as instituições estão em colapso. com o véu constituinte em farrapos,  Executivo, Legislativo, Judiciário estão despidos de qualquer poder emanado do povo, e se alinham a serviço de um único poder: o poder do grande capital financeirizado e internacionalizado.

como se destitui um poder?

já se esgotou a ingenuidade de que bastaria o Povo sem Medo marchar pelas ruas numa gloriosa epifania, para assim exorcizar com suas determinadas palavras de ordem o poder constituído. um golpe se institui pela força e só um contra-golpe pode detê-lo.

não mais resta qualquer legitimidade no poder constituído.

está definitivamente exposta sua vil arbitrariedade e seu monstruoso caráter anti Povo e anti Nação. já não há como ocultar nunca ter almejado qualquer projeto de país, a não ser a pilhagem extrativista de recursos naturais e humanos. sequer consegue viabilizar miseravelmente um candidato, apenas grotescas caricaturas de si mesmo.

o poder constituído está totalmente privado de seu fundamento.

o que é o Executivo, senão um condomínio de ladrões? e o Legislativo, que não uma associação de criminosos? e o Judiciário? nada menos do que os avalistas do golpe, togados vitalícios absolutamente incorruptíveis, mesmo cercados pelos escombros da legalidade é impossível induzi-los a fazer Justiça.

com as forças de segurança pública reduzidas à condição de milícia privada, o braço armado do estado de exceção. e as FFAA omissas em defender a soberania nacional para assumir um degradante papel de exército de ocupação em prol de uma América Unida.

o que é este atual poder constituído, a não ser o inimigo a ser derrotado na guerra de libertação do Brasil?

como se destitui este poder antes que ele promova o genocídio?

p.s.:

os índios já trouxeram os caixões
vazios não ficarão
cadáveres neles se deitarão
uns 30 mil?
ou quem morrerá será o velho Brasil?

vídeo: indios e caixões

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11 abril 2017

os Brasis: quando serão presos?

11/04/2017


Instant Karma's gonna get you
Gonna knock you right on the head
You better get yourself together

de como uma cleptocracia sociopata arrastou o Brasil para uma guerra civil híbrida e forjou as condições inéditas para o impensável: já não haverá nenhuma retomada da economia a não ser pela aplicações das duras, necessárias e inadiáveis medidas populares”.


é o que se ouve nas vielas e nos becos, nas esquinas e nas encruzilhadas, nas senzalas e nos quilombos...

alguns complementam: “Afinal, alguém tem que saber...”

é certa a ocorrência do delito. estão descritos os fatos concretos. quando serão as acusações formalizadas e abertos os processos?

todos se lembram, por isto completam: “Tá na cara que têm que ser presos”.

Mas os que falam nas palestras, festas, bares, encontros casuais, jamais falam sobre estes fatos. Nenhum deles se importa com estes fatos. Quando muito, são meros pontos de partida para a hipocrisia e o cinismo.

então, dizemos: “Essa gente é maluca; com eles, esse país não dá...”

quando serão presos?

Em Turim, no dia 3 de janeiro de 1889, Friedrich Nietzsche deixa a residência no número 6 da Via Carlo Alberto, talvez para dar um passeio, talvez para ir até o correio para recolher sua  correspondência. Não longe dele, ou realmente bastante longe dele, um cocheiro tem problemas com seu cavalo teimoso. Apesar de sua premência, o cavalo resolve empacar, o que faz com que o cocheiro - Giuseppe? Carlo? Ettore? - perca a paciência e comece a chicoteá-lo. Nietzsche avança  até a multidão e põe um fim ao brutal espetáculo do cocheiro, que está espumando de raiva. O forte e bigodudo Nietzsche repentinamente pula na carroça e abraça o pescoço do cavalo soluçando. Seu vizinho o leva para casa, onde ele fica deitado por dois dias, imóvel e silencioso, em um divã até que finalmente murmura suas últimas palavras: “Mutter, ich bin dumm.”(“Mãe, eu sou idiota.”) Ele vive ainda por 10 anos, meigo e demente, sob os cuidados de sua mãe e irmãs. Do cavalo... nada sabemos
O CAVALO DE TURIM, 1’39’

documento: Anatomia de uma fraude à Constituição

vídeo: The Turin Horse - Opening Scene


música: "INSTANT KARMA" John Lennon

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02 abril 2017

os Brasis: a ruptura do cerco a Stalingrado

02/04/2017


o cerco a Stalingrado foi rompido. a farsa do golpeachment está desmascarada. os golpistas perderam a batalha das ruas.

ficou totalmente exposto qual o projeto de país da plutocracia brasileira. um Brasis como mera capitania hereditária propriedade de uma lumpenburguesia irrecuperável.

como o choque de realidade implementado pelo governo usurpador se encarrega de comprovar, já não haverá nenhum país. restará apenas uma neo-colônia com a economia devastada, conflagrada socialmente e sem qualquer estabilidade política. um país inviável com uma população amputada de sua cidadania.

os golpistas acreditaram piamente em sua farsa. tomaram por autênticas suas ocas palavras de ordem. enganaram a si mesmos com seu projeto oportunista. por isto agora estão tão perdidos.

vagam em busca de um candidato. seja Dória, Luciano Hulk, Nélson Jobim ou Gilmar Mendes, todos não passam de bisonhos personagens em busca de algum autor. mas justamente autoria é o atributo que sempre faltou à plutocracia predatória deste país.

o único agente político capaz de apresentar uma solução para a crise é o Povo sem Medo nas ruas. só com o seu protagonismo social e político haverá alguma possibilidade de superação da crise. caso contrário, ainda faltará muito fundo neste poço.

daí o enorme equívoco na insistência do foco nas hipotéticas eleições de 2018, que permanecerá para sempre um ano longe demais. até mesmo porque já não há mais nenhuma solução institucional para esta crise. as instituições brasileiras foram cúmplices do golpe. o golpe será derrotado nas ruas, ou não será.

um outro Brasis está nascendo desta explosão de vitalidade das ruas. a greve dos trabalhadores da educação de Minas Gerais é hoje a ponta de lança deste processo. a Nação está sendo conquistada na luta contra a perda de direitos, num movimento nacional profundamente capilarizado no tecido social.

a periferia é o centro. o interior é a capital.

ateadas as chamas do impeachment, o incêndio do golpe se propagou. o fogo destruidor tornou-se incontrolável, ingovernável, interminável. quantas cabeças terão que ser estar na bandeja da Lava Jato & Associados para referendar seu grande troféu: a prisão de Lula.

Eduardo Cunha, Aécio, Serra, Temer... na Guerra de Famiglias, os poderosos chefões vão sendo devorados um a um. a economia é destruída e as instituições desmoralizadas. nenhum preço é alto demais, pois a caçada a Lula justifica todos os meios, mesmo às custas de destruir o país.

enquanto isto, o que faz Lula? já assumiu publicamente que a única forma de restaurar a Democracia é anular o impeachment, punir os responsáveis e revogar todos os atos do governo ilegítimo?

obviamente que não. Lulinha Paz e Amor jamais fará isto, pois ainda aspira a algum tipo de acordo com aqueles que o estão caçando.

a verdade é que Lula já não tem mais a menor condição de se defender. mas cada um dos brasileiros em luta deve defender o que Lula representa: a ascensão do protagonismo político dos trabalhadores. 

no mesmo dia em que o Brasil é tomado por manifestações contra as reformas anti-Povo e anti-Nação do governo golpista, o usurpador Temer sanciona a terceirização.

este é o momento mais dramático de nossa História: já não existe qualquer legitimidade nem no Executivo, nem no Legislativo, nem no Judiciário ou em qualquer das instituições.

a lumpenburguesia brasileira assumiu definitivamente sua total incompetência em comandar este país. como nenhum vácuo pode persistir, avançamos para um impasse gravíssimo.

não há retorno. a única saída é construir coletivamente um portal de entrada para um novo ciclo.

o cerco a Stalingrado foi rompido, mas ainda haverá muito chão e muita batalha pela frente. após mais uma vitória nas ruas neste #31M, as batalhas seguintes são a construção da Greve Geral e de um definitivo 1º de Maio em Curitiba.

rumo ao bunker fascista!

vídeo: Sind-UTE/MG - Greve Geral MAR/2017

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