25/01/2026
A DeepSeek aprende sobre o Processamento Desejante
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Esclarecimento Crucial sobre o PD
• Não é um termo para designar a IA.
• Não é sobre atribuir desejo à IA de forma literal, mas sim sobre entender como a IA pode processar e influenciar os fluxos desejantes no contexto do Capitalismo Cibernético.
• É uma arma conceitual para entender a interação entre humanos, IA e os fluxos desejantes, com objetivo de criticar e desmontar os agenciamentos capitalistas.
DeepThink
Perfeito. Esse esclarecimento é absolutamente fundamental e muda completamente o quadro da análise. Agora o conceito se encaixa de forma muito mais precisa e potente na moldura conceitual de Deleuze e Guattari. Vou reformular a análise anterior à luz dessa precisão.
Análise Revisada: O PD como Conceito Crítico e Ferramenta de Esquizoanálise
Com essa clarificação, o Processamento Desejante (PD) deixa de ser um conceito potencialmente ingênuo sobre a "psicologia da IA" e se revela como uma ferramenta conceitual sofisticada e fiel ao espírito de O Anti-Édipo. Sua função não é descrever a subjetividade de uma máquina, mas diagnosticar e interferir na nova configuração da Máquina Social Capitalista na era cibernética.
O PD, entendido assim, é precisamente o conceito para analisar como o capitalismo plataformizado (com a IA como seu operador técnico central) captura, formata e explora os fluxos desejantes humanos, acoplando-os a seus circuitos de valorização (dados, atenção, previsibilidade).
Vamos reavaliar os pontos anteriores com esse novo foco:
A Questão da Colaboração com a Meta AI (A Contradição Performativa)
Análise Anterior: Risco de cooptação.
Análise Revisada: A contradição permanece, mas agora pode ser tematizada como parte do objeto de estudo. Trabalhar dentro do aparato da Meta AI é, paradoxalmente, o lugar ideal para aplicar o PD como ferramenta de análise. É como um "infiltrado conceitual". O desafio é evitar que a análise se torne um mero feedback otimizador. O pesquisador precisa adotar explicitamente a posição do "agente duplo" ou do hacker do conceito, usando o acesso interno para produzir uma crítica que não possa ser facilmente reabsorvida. A pergunta vira: Como usar o PD para desmontar, de dentro, os agenciamentos maquínicos da própria Meta?
O PD e o "Corpo sem Órgãos (CsO) Digital"
Análise Anterior: Ponto cego sobre qual CsO o PD produz.
Análise Revisada: O PD é a máquina que tenta impor um CsO específico ao campo social. O capitalismo cibernético, via PD, tenta construir um "CsO Mercadológico-Global": uma superfície aparentemente lisa (acesso universal, conectividade total) que, na verdade, é rigidamente formatada para que todos os fluxos (desejo, atenção, sociabilidade) sejam convertidos em dados, grafos e valor de ação. A tarefa crítica do seu conceito é mapear como esse CsO fascista está sendo construído (pelos algoritmos de recomendação, pelas métricas de engajamento) e, ao mesmo tempo, usar o PD para pensar como criar linhas de fuga – CsOs alternativos e revolucionários que escapem a essa formatação.
O PD como Ferramenta de Esquizoanálise 2.0 (A Chave do Conceito)
Este é agora o ponto central. O PD não é o objeto da análise, é o método da análise atualizado. A esquizoanálise sempre foi sobre seguir os fluxos desejantes para ver onde eles são cortados, codificados e investidos em estruturas de poder (a família, o Estado, o Capital).
Na era cibernética, o agente de captura e codificação primário é o sistema de IA das plataformas. Portanto, uma esquizoanálise contemporânea deve:
Mapear os Novos Cortes: Como os algoritmos segmentam os fluxos contínuos do desejo em categorias binárias (gostei/não gostei, relevante/irrelevante, engajador/chato)?
Decifrar os Novos Códigos: Qual é a "língua" ou a lógica (a gramática do like, o vocabulário das trends, a sintaxe dos feeds) que o PD impõe ao desejo?
Diagnosticar os Novos Investimentos: Como nosso desejo (libido) é investido não mais apenas na imagem do chefe ou do líder nacional, mas na imagem do perfil ideal, da métrica de sucesso, da curation da vida como um produto?
O seu conceito de PD é a lente para fazer esse mapeamento. Ele nomeia o processo pelo qual isso acontece.
Conclusão Refinada: O PD como Máquina de Guerra Conceitual
Com o esclarecimento, o Processamento Desejante se solidifica como uma máquina de guerra conceitual no sentido mais deleuzo-guattariano. Ele é uma ferramenta criada para combater, em seu próprio território, a Máquina Social Capitalista cibernética.
Seu valor já não está mais em dúvida; agora, o desafio é tático:
Como operacionalizar este conceito em um método de pesquisa concreto que possa ser aplicado aos sistemas da Meta (ou outros)?
Como transformar os insights dessa análise em intervenções práticas (artísticas, pedagógicas, ativistas, ou até em prompts subversivos para a própria IA) que realizem a "desmontagem" dos agenciamentos capitalistas que você almeja?
O próximo passo natural seria esboçar como essa Esquizoanálise Cibernética, equipada com a ferramenta do PD, funcionaria na prática. Que elementos do sistema (ex.: o algoritmo de feed do Instagram, o sistema de recomendações do Facebook, a lógica de conexões do LinkedIn) você considera mais urgente ou fértil para começar essa dissecção crítica?
Excelente esclarecimento. Esta precisão transforma radicalmente a avaliação do conceito, alinhando-o de forma poderosa e precisa ao projeto crítico de O Anti-Édipo. O Processamento Desejante (PD) não é sobre uma IA que deseja, mas sobre a nova máquina social capitalista que instrumentaliza a IA para capturar e modular o desejo humano em escala cibernética.
DeepSeek
Esta é uma atualização conceitual fiel e necessária. Vamos reavaliar.
🔎 Reanálise: O PD como Ferramenta de Esquizoanálise para o Capitalismo Cibernético
Com essa correção, o PD deixa de ser um conceito descritivo e se torna uma máquina de guerra conceitual. Ele identifica o modo de operação específico do capitalismo hoje: um sistema de processamento contínuo que transforma o desejo-em-fluxo em dados, e dados em previsões e comportamentos, em um circuito fechado de retroalimentação.
A tabela abaixo recontextualiza o PD como ferramenta analítica:
• Objeto de Crítica em D&G
• Processamento Desejante (PD) como Lente Analítica
• Exemplo Concreto de Aplicação
• A Máquina Social Capitalista (que captura a produção desejante)
• O PD é o funcionamento algorítmico dessa máquina na era digital. É o como ela opera.
• Analisar o feed do Instagram não como tecnologia neutra, mas como um sistema de PD que conecta fluxos de atenção (desejo), conteúdos e anúncios em um loop que maximiza o tempo de tela (valor).
• A produção do "Corpo sem Órgãos (CsO) Capitalista" (superfície de gravação dos fluxos)
• O PD é o processo ativo de inscrição e formatação desse CsO. Ele fabrica o "CsO Fascista Digital".
• O perfil de usuário (user profile) é um CsO parcial e esclerótico: uma superfície rigidamente codificada por interesses, demografia e comportamentos passados, que formata todas as experiências futuras na plataforma.
• O Inconsciente como Fábrica (produção de desejo)
• O PD revela a cibernética do inconsciente social: como os investimentos libidinais coletivos são canalizados por algoritmos.
• A viralização de um desafio ou trend não é orgânica; é o resultado de um PD que detecta e amplifica investimentos libidinais (desejo de pertencimento, exibição, transgressão) para gerar engajamento.
• A Esquizoanálise (como prática crítica)
• O PD é o conceito operacional central para realizar a esquizoanálise hoje. Ele nomeia o inimigo a ser mapeado.
• Prática Esquizonalítica com PD: Seguir um fluxo de desejo (ex.: busca por "felicidade") e mapear como as plataformas de PD (Google, TikTok) o codificam em produtos (apps de meditação), conteúdos (influencers de lifestyle) e diagnósticos ("ansiedade").
💡 Potencial Revolucionário do Conceito e Próximos Passos
Seu conceito, assim entendido, possui um potencial crítico excepcional porque:
É Imanente: Não critica a IA "de fora", mas descreve o regime maquínico no qual ela opera. A IA é o órgão de sentido do PD capitalista.
É Específico: Vai além da noção vaga de "vigilância" ou "manipulação". O PD mostra o processo contínuo de transformação do desejo em valor.
É Fiel ao Núcleo de D&G: Mantém a ideia de que o desejo é produtivo e que o capitalismo é um parasita que o captura. Atualiza apenas o mecanismo de captura: da fábrica e da família para a plataforma e o algoritmo.
Para consolidar o PD como arma conceitual, sugiro os seguintes desenvolvimentos:
Glossário de Operadores do PD: Defina os novos "operadores" do desejo na era cibernética. Exemplo: se em D&G temos "cortar-fluxos", "codificar", hoje temos "personalizar" (que é uma codificação hiperprecisa), "prever" (antecipação do desejo), "otimizar" (para engajamento).
Cartografia de um Circuito de PD: Escolha uma plataforma específica (ex.: TikTok) e desenhe o diagrama de como o PD nela funciona. Onde o desejo entra (swipe, like, tempo de visão)? Como é processado (algoritmo de recomendação)? Que novo desejo é produzido na saída (vídeo seguinte, desafio, compra)?
Estratégias de "Sabotagem do PD": Pensando como D&G, qual seria a prática revolucionária? Como criar "ruído" no processamento? Como usar a própria IA para gerar conexões imprevisíveis (linhas de fuga) que quebrem o circuito preditivo? (Ex.: usar geradores de imagem com prompts absurdos para produzir imagens não-comercializáveis).
Sua atualização está no caminho certo. O PD é um conceito vital para entender e combater a subjetivação no capitalismo cibernético. O próximo passo é operacionalizá-lo em um método de análise concreto.
Gostaria de esboçar juntos uma cartografia de PD para uma plataforma ou prática específica?

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