28 fevereiro 2019

Hy-Brazil: o momento Chávez

28/02/2019


"Na Academia aprendi o que Napoleão chama de a 'flecha do tempo'. Quando um estrategista planeja uma batalha, deve pensar de antemão no 'momento histórico', portanto, na 'hora estratégica', depois no 'minuto tático' e, por fim, no 'segundo da vitória'. Nunca esqueci esse esquema de pensamento".
Hugo Chávez

poucos meses antes de ser eleito presidente pela primeira vez em 1998, Chávez deu uma entrevista defendendo uma política de "terceira via", "um modelo econômico humanista" como solução para se ter emprego, salário justo, seguridade social.

dez anos depois, em 2008, Chávez abandonara todas as suas ingênuas ilusões, principalmente após a "ação selvagem de sabotagem econômica e de terrorismo" do golpe de 2002, já se dera conta de que o "único caminho para sermos livres e independentes é o caminho do socialismo".

mesmo derrotado, o golpe de 2002 provocou uma queda de 27% no PIB no primeiro semestre de 2003.

para possibilitar a reversão da política anti-nacional praticada pela PDVSA desde 1975, foram demitidos 18 mil funcionários de um total de 42 mil.

conhecidas como misiones,  várias políticas sociais se viabilizaram com a decisiva participação do Exército, concretizando de maneira tangível a democracia participativa e protagônica

o "socialismo bolivariano do Séc. XXI" da constituição do Estado Comunal, como consolidação e articulação das diversas instâncias de poder popular: Conselhos Comunais, Comunas e Cidades Comunais.

em 2014 haviam mais de 48 mil Conselhos Comunais e mais de 2 mil Comunas.

Chávez teve perfeita clareza quanto ao caráter da burguesia venezuelana: 'Se eu tivesse feito um pacto com a Direita, eu já estaria politicamente acabado'.

{fonte: "A Revolução Venezuelana e o subdesenvolvimento com abundância de divisas", Fábio Luis Barbosa dos Santos}.

não nos enganemos. tampouco eles mesmo se enganem.

os Generais estão tão perdidos em suas próprias bolhas de fake-news e pós-verdades quanto todos os demais: tanto quanto a Ex-querda, quanto eles, nós, tu, eu.

se não há vida inteligente dentro das bolhas, fora delas viceja barbárie e desintegração. e nada indica haver sinais de reversão desta descontrolada demolição destruindo o Brasil.

ainda assim, os Generais nunca antes neste país ganharam chance tão magnânima da História para enfim fazerem História.

mas como fazer História sob uma política econômica neoliberal gerida por Chicago's Oldies?

como fazer História sem arrancar o coração das trevas de uma lumpenburguesia que jamais será parceira de qualquer projeto de desenvolvimento nacional?

como fazer História sem colocar-se a serviço do protagonismo da participação popular?

os Generais estão diante de sua esfinge. não há como decifrá-la sem também a devorar. e não há como devorá-la sem devorarem a si mesmos.

do momento Geisel ao momento Chávez, passando pelo exasperante eterno retorno das ondas BolsoNazi, a marcha é sinuosa e espiralada, assolada por tragédias e desmoralizada por farsas, em rumo, quem sabe, a um temível e improvável, mas absolutamente indispensável e inexorável, momento Hy-Brazil.

vídeo: The Revolution Will Not Be Televised - Chavez- Inside the Coup



vídeo: Venezuelanos sendo expulsos do Brasil ao som do hino nacional
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24 fevereiro 2019

Hy-Brazil: o momento Geisel

24/02/2019


"Isto é inegociável para o Brasil. Não temos como negociar. A Democracia, a igualdade a quebra dos preconceitos. Isto não tem mais como voltar atrás. Isto é um avanço que temos de cultivar.
[...]
Racial, sexual, o próprio preconceito social. Todos estes preconceitos, eles tem que ser vencidos. E a nossa geração, e aí eu vou incluir aí a minha geração, nós tínhamos esses preconceitos muito arraigados, que foram pouco a pouco, se demonstrou que isto não tinha fundamento. Isto precisava ser vencido."

Castelo Branco (1964/1967) adotou um política econômica contracionista, marcada pela internacionalização, superexploração e concentração de renda, além de um submisso alinhamento automático aos EUA, a ponto de participar com 1.250 soldados da "pacificação" da República Dominicana, em 1965.

Geisel (1974/1979) pautou a política externa pelo "pragmatismo responsável", denunciou o tratado militar com os EUA, reatou relações diplomáticas com a China, reconheceu a independência de Angola, assinou acordo nuclear com a Alemanha, exonerou o comandante do II Exército por conta dos assassinatos de Vladimir Herzog e Manoel Fiel Filho, impediu o "auto-golpe" de seu Ministro do Exército, extinguiu o AI-5 e lançou o até hoje mais complexo e ambicioso plano de nacional de desenvolvimento: o II PND.

embora Geisel tenha vencido muitos "preconceitos" importantes, faltou romper com dois dos mais decisivos:

- o grande empresariado brasileiro, de modo geral, jamais será parceiro de um autêntico desenvolvimento nacional com inclusão social;

- nenhum desenvolvimento nacional se viabiliza sem o protagonismo da participação popular.

“A verdade é que não estamos diante de uma simples crise, aguda embora, de reajustamento econômico em larga escala. Enfrentamos uma mudança estrutural de toda a economia mundial. O Brasil está conseguindo evitar a estagnação e a recessão.”
véspera do Natal de 1975, em cadeia nacional de rádio e TV

"No que se refere ao plano propriamente dito, o II PND cumpriu toda sua conturbada trajetória, como um produto de gabinete, incapaz de obter o apoio, e muito menos a mobilização de uma sociedade, que não participou de sua elaboração e não tinha como controlar sua execução.
[...]
O que fracassou foi a chamada "estratégia social", de acordo com a qual seria necessário "realizar políticas redistributivas enquanto o bolo cresce"."
Antonio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza

"Geisel teve um enorme sucesso na obtenção do financiamento privado externo e deixou montada uma extraordinária máquina produtiva estatal bem como o sonho de uma Nação-potência. Mas, mesmo assim, teve que se submeter a uma rigorosa, ainda que oscilante, política macroeconômica monetarista, que, instigada pela inflação e pelo desequilíbrio do balanço de pagamentos, estimulou, até o limite, o endividamento externo em, que todos, unidos, se afundaram mais à frente. Deixou como herança de seu sucesso a forte suspeita de que esse Estado não foi montado com vistas a uma industrialização pesada, mas como objeto de desfrute cíclico generalizado. Desfrute na predação, quando as coisas vão bem, e na socialização das perdas, quando as coisas vão mal."
José Luis Fiori

"Mas, o II PND, enquanto estratégia de superação da crise e consolidação dos interesses de longo prazo da economia brasileira, que rejeita e redireciona os impulsos procedentes do mercado, poderia haver sido adotado através dos mais límpidos processos democráticos. Em outras palavras, a perversão política reside nos métodos através dos quais o II PNBD foi definido e implementado."
Antonio Barros de Castro e Francisco Eduardo Pires de Souza

"O antiestatismo de nossos empresários liberais não consegue esconder suas prolongadas relações de dependência clientelista com o próprio Estado. Mas o estatismo de nossos desenvolvimentistas — dos conservadores mais do que dos progressistas — tampouco consegue justificar as alianças que comprometeram historicamente o Estado com a parafernália corporativa e cartorial e com o autoritarismo, sendo que o reformismo de nossos social-democratas não consegue jamais esclarecer como se faz a omelete da reforma do Estado sem quebrar os ovos que alimentaram os vários e heterogêneos segmentos pactados na base social de apoio á estratégia que modernizou nossa sociedade sem ampliar a cidadania social e política."
José Luis Fiori

vídeo: Conversa com Bial General Augusto Heleno 12/12/2018


vídeo: #Coronel José Jacaúna fala sobre episódio lamentável na #Venezuela

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22 fevereiro 2019

Hy-Brazil: do momento Geisel ao momento Chávez

22/02/2019

"Muito obrigado Comandante Villas Bôas. O que já conversamos, morrerá entre nós. O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui."

um conflito armado do Brasil com a Venezuela é concretamente o tipo de "ajuda humanitária" que o Imperium entrega às nações e povos após "despedaçar a substância física de suas economias nacionais".

não há nenhuma guerra no mundo. e sim uma Guerra de Mundos. a lumpenburguesia global já não pode mais dissimular sua necropolítica: viva la muerte!

o Capitalismo globalmente financeirizado declarou guerra à humanidade e ao planeta, conduzindo em escala mundial um campanha genocida de extermínio contra todos nós.

longe de ser uma aberração, o Daesh é a expressão mais explícita e contundente do grau de patologia do Capitalismo contemporâneo. o terror pelo terror, a destruição pela destruição, a morte pela morte.

nos que nos tange especificamente, o envolvimento do Brasil no teatro de operações da Venezuela é consequência direta da conversa entre Villas Bôas e Bolsonaro.

os Generais são os responsáveis por nossa participação este conflito. enfim, terão a guerra que precisam. talvez assim tenham outra ocupação além de "pacificarem" o Haiti e de fazer daqui, do Brasil, outros Haitis.

numa das inclementes ironias da História, os Bolsominions recebem uma oportunidade para mostrarem seu valor: "vão para a Venezuela" para libertá-la do "socialismo" e de sua bandeira erradicar a cor vermelha.

com o momento Geisel definitivamente perdido na poeira dos anos dourados do Capitalismo fordista e keynesiano, os Generais estão cavando fundo as covas das quais brotará o momento Chávez.

vídeo: Jair Bolsonaro- 'General Villas Boas o senhor é o responsável por eu estar aqui


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03 fevereiro 2019

Brasil em Transe: falsos Messias

03/02/2019

“Estivemos juntos em três Guerras Mundiais e é essa parceria que estamos dando continuidade”.


a presença dos genocidas militares israelenses no Brasil, sob a fachada de "ajuda humanitária" para resgatar cadáveres do mar de lama tóxica causada pelo grande empresariado brasileiro, mas na verdade fazendo parte de uma psyop para angariar apoio à transferência da Embaixada Brasileira para Jerusalém, é também mais uma sessão no processo de maldição a que todos, sem exceção, estamos sendo submetidos desde o Golpeachment.

como se ainda não fosse o suficiente, as bolhas fake BolsoNazis passaram a circular com a versão de que o crime ambiental e humano em Brumadinho foi: um atentado de uma célula terrorista cubano-venezuelana no Brasil para sabotar a abertura econômica de Paulo Guedes.

este é o grave, profundo e irreversível transe de um Brasil completamente delirante. nenhum de nós está imune a ele. e de suas consequências todos nós estamos sendo afetados.

não olhem para a Venezuela. a Venezuela é prelúdio. o decisivo teatro de operações na AL localiza-se nas terras prometidas de Hy-Brazil.

bem o sabe a companhia especial israelense de resgate, com suas 10 toneladas de equipamento, incluindo "sonares" sensíveis ao calor dos corpos e עוד דברים, muito embora não sejam efetivos frente  ao gélido rigor mortis dos assassinados pelo rompimento criminoso da barragem da Vale em Brumadinho.


o aparente paradoxo deste desprezo do Messias Bolsonaro com a tecnologia militar brasileira é consequência direta do desprezo das FFAA pelo Povo Brasileiro.

forte demais? de modo algum! quem até hoje é o patrono do Exército Brasileiro?

um Duque! o único no Brasil. cujos títulos de nobreza foram recompensa pelo seu dedicado trabalho de "pacificação" das revoltas populares durante o Império, ao qual nosso "maior soldado" serviu com fidelidade canina.

qual a relação das FFAA com o Capitão Sérgio Macaco do caso PARASAR, durante a Ditadura Civil-Militar? este sim um herói! este sim deveria ser um ícone permanente para as FFAA! mas as FFAA deixaram que o Brigadeiro Sérgio Macaco morresse sem lhe fazer justiça.

para nosotros, os patronos são os militares e lideranças que sob o lema "Desobedecer El Rei para servir ao Povo!", ainda agora nos conclamam: "Sigam-me os que forem brasileiros!".

então, não se trata tão somente de fazer o acerto de contas a respeito dos porões de um regime  militar a serviço dos grandes empresários civis. há todo um amplo, geral e irrestrito resgate a ser feito. desde as malas de dinheiro do Gal. Kruel até a humilhação do Vice-Almte. Othon.

como falso Messias, Bolsonaro jamais imaginou que seria eleito. e os Generais também não. em que pese a já famosa matéria sobre um pretenso projeto da cúpula militar para uma pretensa "Nova Democracia".

nada foi previamente planejado. tudo ocorreu de acordo com as veleidades circunstanciais da História. assim como também por estas circunstâncias, não apenas eles, mas vós, nós, ele, tu e eu, estamos todos igualmente perdidos, perambulando sem destino no interregno de um labirinto sem saída.

com seu intestino grosso cirurgicamente transformado em "verdadeira obra de arte", o Capitão-Presidente jaz convalescente numa mudez forçada, para aquilo que lhe sai espontaneamente pela boca volte também a ser expelido pelas vias normais.

embora não possa receber visitas, ainda assim decidiu reassumir o exercício da Presidência. como resultado, sofreu uma recaída e ganhou a companhia de náuseas, vômitos e uma sonda naso-gástrica.

em outra frente de batalhas, o agora tido como "sensato" General-Vice ganha terreno rapidamente. sem encontrar resistências, avança para ser impor ele próprio como a solução do "auto-golpe".

são muitos os falsos Messias. os milagres e a salvação que trazem sempre são de interesse próprio. sem sequer uma única palavra acerca dos mais urgentes de nossos problemas: pouca renda e muita inadimplência!

até mesmo dentro dos quartéis os falsos Messias já começam a ser desmascarados, com a profunda insatisfação com a inclusão dos militares na Reforma da Previdência do financista e rentista Paulo Guedes.

aquele Brasil tal qual o imaginávamos conhecer, está morto! aquele sistema de poder no qual viemos aos barrancos e solavancos, acabou-se em definitivo com o Golpeachment. a pax instituída pela Constituição de 1988 faliu. a ela não haverá retorno.

já se romperam as barragens de lama tóxica do grande Capital. para todos nós atingidos pelo tsunami criminoso, já não se trata, desde muito, de ter qualquer esperança. nem mesmo de uma morte rápida. somos todos mortos-vivos. e nenhum falso Messias fará de nós Lázaro.

"Aqueles no topo nos pedem para nos curvarmos enquanto esperamos pela catástrofe. Eles nos pedem para nos juntar às suas fileiras! Eles nos pedem para fazer um acordo com o diabo! Mas é ficando longe do mundo deles que podemos parar essa cadência infernal. Ainda temos a oportunidade de virar a maré para semear novas sementes em solo fértil."

Carta 20: Vamos teclar "DESLIGAR"!

vídeo: Vítimas da tragédia de Brumadinho são homenageadas

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25 janeiro 2019

Brasil em Transe: 34 anos depois

25/01/2019

"O senhor traz a necessária renovação e a liberação das amarras ideológicas que sequestraram o livre pensar, embotaram o discernimento e induziram a um pensamento único e nefasto."

General Vice-Presidente Mourão, sobre o rompimento da barragem da Vale em Sobradinho, 25/01/2019

há 34 anos atrás, o último Ditador General saiu pela porta dos fundos do Palácio do Planalto, recusando-se a passar a faixa para o sucessor. mas Figueiredo nunca escondeu que ao cheiro do povo, preferia o das cavalgaduras.


mesmo interinamente através de um General Vice de um Capitão Presidente, o qual em poucos 20 dias de mandato já está desmascarado e desmoralizado. devidamente. definitivamente

trata-se de um General Vice cuja primeira demonstração de liderar pelo exemplo foi dar um jeitinho para promover o próprio filho.

um General Vice que durante a campanha não hesitara em afirmar ser o Coronel torturador Ustra um herói.

assim como antes o Capitão Presidente dedicara seu voto pela admissibilidade do impeachment ao mesmo Coronel Ustra, o primeiro oficial brasileiro a ser declarado como torturador numa sentença oficial.

a apologia do Capitão Presidente à tortura, aos grupos de extermínio e às milícias é uma óbvia consequência de após 34 anos os Generais manterem até hoje ocultos nas trevas os porões da Ditadura Civil-Militar.

a dupla Capitão Presidente e General Vice agem como se representassem a vingança de seu herói torturador Ustra.

o revanchismo dos porões da Ditadura Civil-Militar contra uma "abertura lenta, gradual e segura", que embora mantivesse intocado o entulho autoritário desmontou de vez com o próspero negócio da tortura executado pelos DOI-Codi.

qual o segredo oculto na Casa da Morte? os porões da Ditadura jamais poderiam operar sem bater continência aos Generais Ditadores, e muito menos sem o patrocínio dos grandes empresários.

Bolsonaro é o Capitão do baixo-clero da tortura: sargentos, policiais, milicianos, grupos de extermínio, esquadrões da morte.

Mourão é o General do grande capital: esta lama tóxica que expropria e destrói nossos recursos minerais e humanos.

Mourão e Bolsonaro não existem um sem o outro. assim como os grandes empresários não existem sem os dois.

por isto mesmo, a hipocrisia, o cinismo e as mentiras do Capitão Presidente não resistiram ao seu "completo despreparo na arte de tornar vidraça".

nem ainda tendo acertado sua dívida com a rodada anterior, mais uma vez o lance pertence aos Generais.

se em 34 anos os Generais se recusaram a fazer seu acerto de contas com a História, agora é a História ela mesma quem vem para fazer seu acerto de contas com eles.

as ossadas se levantarão das covas rasas, os cadáveres calcinados nos fornos nas usinas de açúcar irão se recompor, milhares de indígenas exterminados estão se erguendo do vale da morte.

mas não só eles. junto também virão os espectros da herança maldita do amaldiçoado "Brasil Grande" dos Generais: hiper-inflação, faraônica dívida externa e mega desigualdade social.

enfim reaparecerão todos e tudo que foi "desaparecido", num inesperado, atordoante e inclemente Kuarup para assombrarem os Generais.

que venham os Generais! e que venham com eles todos os seus fantasmas e demônios!

como bem já o disseram Janot e Barroso: “2016 não acaba. É a era de Aquarius ao inverso". são as “trapaças da sorte”.

o Golpeachment se tornou um tipo de maldição. e a conta desta maldição por um longo tempo continuará vindo para todos nós.

não restará pedra sob pedra. Deus não é brasileiro e não terá qualquer misericórdia desta Nação.

mais uma vez: da lama ao caos.

"Nós devemos começar hoje um projeto radical: nossa clara separação com o mundo de cima.

Temos de lançar experiências locais na recuperação de terras abandonadas, poluídas, ameaçadas e desmatadas! Precisamos reconstruir nosso mundo a partir de baixo com nossas mãos, com nossos corações, com nossa força vital.

Então, homens e mulheres de baixo, saiam da web, saiam das bolhas digitais, saiam dessa prisão funerária! Vamos encerrar os softwares, sair dos programas! Não hesitem mais! Não recuem! Vamos descarrilar este trem da morte! Nunca nos deixemos mais ser codificados pelo mundo de cima! Vamos criar curtos circuitos a partir de baixo! Espalhem o vírus amarelo em todo o mundo!

A nós."

Carta 20: Vamos teclar "DESLIGAR"!


música: "INSTANT KARMA" John Lennon



24 janeiro 2019

Brasil em Transe: os responsáveis

24/01/2019

"O senhor é um dos responsáveis por eu estar aqui."

a rápida e profunda fragilização do clã Bolsonaro dá também a justa medida de como é apenas aparente uma suposta inexpugnabilidade do setor dominante no Brasil.

não apenas os empreiteiros e donos de frigoríficos, também os banqueiros, os exportadores de commodities e os empresários da grande mídia, todos eles tem como fonte principal de seus lucros a apropriação de recursos públicos, mesclando negócios especulativos com todo tipo de atividades abertamente ilegais.

e disto  a Lava Jato & Associados forneceu o mapa da mina. basta segui-lo para se chegar ao coração das trevas do Brasil: uma lumpenburguesia neo-colonial e semi-escravocrata.

o tatibitate de Bolsonaro em Davos é a exata dificuldade de expressão de uma lumpenburguesia completamente despreparada para governar o Brasil, a não ser em seu projeto único de espoliar nossos recursos naturais e humanos.

enquanto um setor dominante parasitário e não-produtivo não for por nós combatido e derrotado, continuaremos sendo nada mais do que atônitos espectadores acompanhando uma Guerra de Famiglias, na qual por mais que torçamos seremos sempre os únicos vencidos.

com ou sem Bolsonaro. com ou sem Mourão. com ou sem Lula. com ou sem os Generais.

no momento, o lance pertence aos Generais.

afinal, segundo admitiu o próprio, eles são responsáveis por Bolsonaro estar lá, aqui, ali, acolá e alhures. muito embora sua presença, seja onde for, nunca passe daquele inconfundível vazio de nada ter para acrescentar, exceto na vergonha alheia.

apesar disto, uma magnânima História oferece aos Generais uma chance para se redimirem de seu humilhante fracasso durante a Ditadura Civil-Militar. quando o milagre de um "Brasil Grande" redundou tão fake quanto os zaps de Bolsonaro, de "grande" restando a hiper-inflação, uma faraônica dívida externa e o brutal aumento da desigualdade social.

mas a História é também impiedosa. cheia de armadilhas e trapaças para aqueles a ela se considerando superiores.

o açodamento brasileiro em reconhecer um governo interino na Venezuela, seja qual for o desdobramento do cenário, causará prejuízos monumentais ao Brasil e impactará diretamente tanto o governo Bolsonaro como mesmo os Generais.


vivemos os tempos perigosos do colapso de um Imperium, abrindo espaço para uma geopolítica multipolar. mas os Generais se demonstram perdidos no tempo e no espaço.

evocam memórias de fatos nunca acontecidos, com seus referenciais ainda congelados  na Guerra Fria, bem distantes da tempestade de fogo frente a qual estamos num passageiro dia de véspera.

ainda há muito para se escavar neste do fundo do poço. não restará pedra sob pedra. Deus não é brasileiro e não terá qualquer misericórdia desta Nação.

"Desde o primeiro dia colocou os militares no centro de suas prioridades. Logo ao início de seu mandato realizou uma reunião com todos os generais, coronéis e sargentos do Exército.

Tentou, como sinal político, permitir que os 20 militares da reserva que estavam presos por delitos cometidos durante a ditadura militar (1973-1985) cumprissem suas penas em regime domiciliar.

Não queria velhos de 80 anos presos. Não serve para nada ver esses sujeitos morrerem na prisão.

Anunciou sua intenção, publicamente, na primeira semana de governo, não obteve nenhum apoio.

Porque, na realidade, "Ditadura Nunca Mais" é uma bela palavra de ordem, mas a única garantia de que isso realmente ocorra é que a cabeça dos oficiais reflita a realidade política do país, mais ou menos.

Quando a divisão política da sociedade não entra na cabeça dos oficiais, fica na mão de lojas, de grupos.

Lamentavelmente, dei de cara com uma esquerda pacata que tem medo de fazer política com os milicos. Eu tenho medo do fato de não haver milicos no meu partido político.

Não conheço nenhum exemplo no mundo de quem tenha lutado pelo poder e não tenha se preocupado em ter milicos ao seu lado. Se você não fizer isto, você perde."

"Uma Ovelha Negra no Poder. Confissões e Intimidades de Pepe Mujica", Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz

"Desde o primeiro dia colocou a Esquerda no centro de suas prioridades. Logo ao início do governo realizou uma reunião com todos os movimentos sociais e organizações de base.

Tentou, como sinal político, anistiar o ex-Presidente Lula ou, ao menos, que sua pena fosse reduzida e cumprida em regime domiciliar.

Não queria um velho de quase 80 anos preso. Não serve para nada ver Lula morrer na prisão.

Anunciou sua intenção, publicamente, na primeira semana de governo, não obteve nenhum apoio entre os grande empresários brasileiros.

Porque, na realidade, "Brasil Acima de Tudo" é uma bela palavra de ordem, mas a única garantia de que isso realmente ocorra é que a cabeça dos grandes empresários reflita a realidade política do país, mais ou menos.

Quando a divisão política da sociedade não entra na cabeça dos grandes empresários, fica na mão de lojas, de grupos.

Lamentavelmente, deu de cara com milicos soberbos que tem ojeriza de fazer política com a Esquerda. Ele tinha ojeriza do fato de não haver Esquerda em seu projeto político.

Não há nenhum exemplo no mundo de quem tenha lutado por justas transformações sociais e não tenha se preocupado em ter a Esquerda ao seu lado. Se não se faz isto, todos acabam sendo derrotados."

"Um Lobo Verde-Oliva na Contra-Hegemonia. Confissões e Intimidades de um General", autor ainda desconhecido



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02 janeiro 2019

Brasil em Transe: vai começar, 3, 2, 1

02/01/2019


por isto mesmo, o Vice-General já providenciou também a mudança de seu "nobre amigo" Ídolo do Rincão para BSB. o equino ficará lotado no Regimento de Cavalarias de Guardas (RCG), entre outros.


para Mourão a situação do Brasil permite uma analogia com o hipismo. assim sendo, é preciso levar a sério a arte da montaria e dominar o movimento de um bom cavaleiro:

“O quadril fica entrando e saindo harmoniosamente, num balanço entre o sacro e o ilíaco. Por isso é que dizem que cara de cavalaria é bom pra comer gente, pô!”

apesar disto, na véspera do 2o. turno das Eleições de 2018, numa prova realizada Centro Hípico do Exército (RJ), seu cavalo refugou e Mourão foi ao chão.

se o "legalista" Villas Bôas é saudado como o General que salvou a democracia brasileira, já galopam os consultores pelas nova janelas abertas para bons negócios:

"Já pensou em contratar um 'militar com experiência' para a sua empresa? Qualquer militar, contratado para a sua empresa, levando em consideração sua experiência e em especial sua formação militar, possibilitará ao seu negócio atingir um outro nível de desempenho, aumentando exponencialmente seus lucros, fazendo a diferença"

capitaneados triunfalmente de volta ao governo montados num cavalo chucro, e já com o restante da cavalaria devidamente empossada no Planalto, cabe agora aos Generais considerarem: em se tratando de montaria, sempre resta saber quem de fato monta em quem...

seja como for, não deve restar qualquer dúvida.

logo após a posse, Bolsonaro fixou o novo valor do SM em R$ 998, ainda abaixo dos R$ 1.006 propostos por Temer. trata-se do segundo menor reajuste em 24 anos, desde a implantação do Plano Real, em 1994.

mesmo com todo seu conhecimento equestre e apesar de sua determinação em não ser um "vice decorativo", até o momento o Gal. Mourão ficou a pé. não lhe foi designada nenhuma atribuição oficial no governo. carregará a sela nas costas?

por outro lado, no desfile de Bolsonaro em carro aberto durante a cerimônia de posse, um par das montarias dos Dragões da Independência se rebelou. um cavalo bloqueou o caminho do cortejo presidencial e o outro escoiceou os seguranças.

sinal dos tempos?

mas está apenas começando. o que acontece quando, mais uma vez, cavaleiro e cavalo caem ao chão?

déjà-vu.


vídeo: Incidente com cavalo na Posse do presidente Jair Bolsonaro


vídeo: STRATCOM’s new year’s greetings


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27 dezembro 2018

Brasil em Transe: a faca e o queijo, e a mão?

27/12/2018

"Aos amigos, tudo. Aos indiferentes, a Lei. Aos inimigos, a tortura."
sempre dito e repetido, dentro e fora dos quartéis, durante a Ditadura Civil-Militar (1964/1989).

o fim no Brasil do pacto da Nova República coincide com um realinhamento global do sistema de poder, num contexto de acirramento de crises econômicas.

neste perigoso e conturbado teatro de operações, os Generais tem uma guerra impossível pela frente.

o desempenho demonstrado na intervenção na segurança pública do RJ mostra o tamanho de seu despreparo para gerir a complexidade de um Brasil em escombros.

segundo o General interventor, todos os indicadores estão com viés de queda e a capacidade operacional dos órgãos de segurança foi recuperada, incluindo os valores.      

baseando-se exclusivamente em estatísticas convenientes e análises simpáticas, o General interventor orgulhosamente declara: "cumprimos nossa missão".

como sempre, o deserto do real não cabe na bolha da burocracia tecnocrática.

a recente mega-operação contra a milícia foi um fiasco. mesmo envolvendo 1.700 homens, dos 118 mandados de prisão apenas 27 foram cumpridos. o principal alvo, o líder da milícia local, conseguiu fugir. houve vazamento de informação.

missão dada, missão cumprida?

a realidade do dia a dia no varejo teima, ainda mesmo por agora e à luz do meio-dia, em contrariar o "viés de queda dos indicadores" apresentado pelo General interventor.

como poderia comentar, com lucidez e ousadia, o terceiro ditador do "MR-64" (Movimento Revolucionário de 31-MAR-1964): "Os indicadores vão bem, mas a segurança vai mal".

os Generais não poderiam hoje deixar de acrescentar: economia e povo vão mal. ao que nosotros retrucaríamos: mas se o povo vai mal, a economia de modo algum pode estar indo bem.

num diagnóstico correto, os Generais veem um Brasil à deriva e sem projeto para o futuro. ao que nosotros mais uma vez retrucaríamos: e qual Brasil projetam os Generais?

entre 1964 e 1968 os Generais adotaram uma política econômica recessiva. antes que a instabilidade resultante se tornasse incontrolável, Delfim fez a manjada mágica keynesiana do Milagre Econômico.

o bolo cresceu. ainda assim, nunca chegou a ser dividido antes de solar. sempre quem pagou a conta foram os trabalhadores.

agora vivemos inexoravelmente num outro mundo: não haverá retorno. nem aos supostos anos dourados do Lulismo. e muito menos ao milagre fake do "Brasil Grande".

se já não há mais viabilidade para qualquer terapia heterodoxa keynesiana, menos ainda quanto a um choque ultraliberal austericida.

enquanto Bolsonaro bate continência à ordem de um Imperium em decomposição, a macro-economia global jaz em profunda disfuncionalidade, com a mãe de todas as bolhas dando sinais de estar prestes a outra vez catastroficamente estourar.

por toda parte a Nova Ordem Mundial redundou numa desordenada fragmentação global. mas ao caos, o Imperium propõe nada mais do que ainda mais caos: "Hoje os Estados-Nação devem estar dispostos a abrir mão de sua soberania".

muito mais do que pelo voto anti-PT, Bolsonaro foi eleito por uma profunda e generalizada rejeição "contra tudo que está aí". um voto eminentemente anti-sistema.

e o que o sistema tem a oferecer? senão ainda mais endividamento e ainda menos renda, justo para quem demanda medidas urgentes para superar pouca renda e muita dívida...

se a lápide da Nova República é a dupla vitória de Bolsonaro (eleitoral e política), o túmulo do MR-64 foi cavado pela hiper-inflação, por uma faraônica dívida externa e por uma mega desigualdade social.

ironicamente, se foi por causa de uma crise global que os Generais anteriormente começaram a perder a solidez de seu chão,  é no bojo de uma outra crise iminente que marcham de novo ao comando do poder político.

novamente em Brasília, de onde, a rigor, nunca chegaram a sair, os Generais estão com a faca e queijo, mas e a mão?

"Duas batidas fortes e secas na porta da cozinha quebraram o silêncio noturno. Estava sozinho e raramente recebia visitas depois do anoitecer. Tampouco fazia sentido que tivessem batido na porta dos fundos.

Não reconheceu a pessoa. Era um homem de uns quarenta anos, corpulento, com aspecto de militar. Um coronel do Exército, foi a primeira coisa que pensou.

Convidou-o a entrar e se sentar à mesa da cozinha. Quase não trocaram palavras. Os cumprimentos de praxe e pouco mais.

O visitante abriu um notebook e acessou um vídeo que já havia separado. Apareceram três pessoas com uniforme militar e capuz escondendo seus rostos, com os pavilhões pátrios como pano de fundo.

Liam uma proclamação na qual ameaçavam juízes e promotores pelos processos que levaram à prisão oficiais por violações dos direitos humanos durante a ditadura, e anunciavam que providenciariam a libertação de seus "presos políticos".

Depois da exibição, o homem fechou o computador, se levantou, saudou-o e saiu pela mesma porta, que permanecera aberta.

Foi dormir sem dizer nada a ninguém. Mas é provável que tenha entendido a mensagem e agido em silêncio.

Sobre o caso das ameaças divulgadas no vídeo já havia uma investigação em curso. Acabou sendo arquivada. A advertência dos militares mais conservadores que acabou ficando só nisso.

E continuou a receber em sua casa no sítio ainda mais visitas do que antes."

"Uma Ovelha Negra no Poder. Confissões e Intimidades de Pepe Mujica", Andrés Danza e Ernesto Tulbovitz

vídeo: A Facada no Mito - versão com narração


vídeo: A Facada no Mito - Novo vídeo, novas Revelações


vídeo: ADÉLIO BISPO FAZENDO RECONHECIMENTO DA AÉREA ANTES DO ATAQUE


vídeo: Capitão Nascimento X Capitão Bolsonaro


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18 dezembro 2018

Brasil em Transe: todos os Generais do Capitão

18/12/2018

os Generais jamais chegaram ao poder pelo voto. em 1964 o fizeram com as tropas e os tanques. o bloco dominante julgava que após a "limpeza" os militares voltariam aos quartéis. rigorosamente falando, desde então jamais voltaram. por que agora o fariam?

os Generais estão em êxtase com o mito Bolsonaro, pois lhes dá algo que nunca tiveram: carisma popular.

apesar de seus os Três Primeiros-Filhos, apesar do escândalo do WhatsApp, apesar do Bolsogate dos assessores, apesar dos apesares, todos os Generais do Capitão o manterão inexpugnavelmente blindado. mas o mesmo não se pode afirmar acerca de seus entornos...

temos diante de nós a arquitetura em andamento de um novo sistema de poder. como em 1964, as mudanças institucionais que a Esquerda não pode, não soube e não quis fazer, serão agora os Generais seus executores.

e a Esquerda, tal qual existia até as Eleições de 2018, tornou-se irrelevante.

mais uma vez cercados pelo eterno retorno das espirais de farsa e tragédia da História, estariam os Generais em forma, por assim dizer, para vencer a circularidade e impor a diferença?

Golpe de 1964: abre-se um novo ciclo de acumulação capitalista no Brasil baseado na concentração, internacionalização e superexploração (Programa de Ação Econômica do Governo - PAEG).

Salário Mínimo: perda real de mais de 33% entre fevereiro de 1964 e março de 1968.

Concentração de Renda: 5% mais ricos aumentaram sua participação na renda nacional de 27,4% em 1960 para 36,3% em 1970.

Carga Tributária: 16% do PIB em 1963 para 23,8% em 1968.

Inflação: 25% em 1967 e 25,4% em 1968, bem acima dos 10% planejados e muito abaixo dos 79,3% em 1963.

PIB: abaixo dos 6% projetados, cresceu 3,4% em 1964, 2,4% em 1965, 6,7% em 1966, 4,2% em 1967, contra 8,5% a 10% durante o Plano de Metas de JK, 8,6% em 1961, 6,6% em 1962 e 0,6% em 1963.

Internacionalização: revogação dos artigos da Lei de Remessa de Lucros, que fixava um limite de 10% ao ano. empréstimos externos cresceram 65% entre 1964 e 1965, e os investimentos externos diretos triplicaram. abertura da exploração mineral a capitais privados e estrangeiros, com exceção do petróleo, do carvão e dos minérios ligados à área nuclear.


o caráter recessivo da política econômica leva ao acirramento da insatisfação social, inclusive entre setores da classe dominante, com a eclosão de grande manifestações de rua e a articulação da Frente Ampla de oposição.

o contra-ataque da Ditadura vem em pinça por duas frentes: o AI-5 aprofunda o estado policial e a repressão, enquanto  aumenta a ênfase no crescimento econômico.

sintomaticamente o Plano de Desenvolvimento Econômico (1968) não faz referências a metas de inflação. o PIB cresce 9,8% em 1968, iniciando-se o Milagre Brasileiro.

se o bolo cresceu sem nunca chegar a ser dividido, antes mesmo do impacto do Choque do Petróleo (1973) a solidez do "Brasil Grande" já começara a se dissolver no ar com o Crash das Bolsas no Brasil e o fim do padrão monetário Dólar-Ouro, ambos ocorridos em 1971.


além, é claro, a gigantesca incapacidade de trazer à luz do meio-dia as infâmias ocorridas nas trevas dos porões da Ditadura Civil-Militar.

Paulo Guedes, Roberto Campos, Delfim Netto, Mário Henrique Simonsen, Reis Veloso. Maluf. Paulo Maluf, o candidato civil do General-Presidente João Figueiredo - o último Ditador.

Paulipetro. Lutfalla. Camargo Corrêa. General Electric. Capemi. Coroa-Brastel. Grupo Delfin. Itaipu. Ponte Rio-Niterói. Transamazônica. Fraude do Farelo. contrabando na PE. Kruel. Amaury Kruel e suas malas de dinheiro.

Rua Tutóia. Ultragás. Operação Condor. Fleury. Malhães. Molina. Baumgartem. Tenente Odilon. Zé do Ganho, Pejota, Mariel Mariscot. todo grupo de extermínio acaba exterminando seus próprios membros.

a tortura que jamais houve, mas sempre existiu. a corrupção que não havia, mas sempre esteve lá. um Brasil feito por nós, mas desfrutado por eles. Ditadura nunca mais, ainda que perdure.

o maior e decisivo erro dos militares sempre foi supor ser possível desenvolver um país sem acionar o seu mais valioso recurso: o Povo.

muito mais do que pelo voto anti-PT, Bolsonaro foi eleito por uma profunda e generalizada rejeição "contra tudo que está aí". um voto eminentemente anti-sistema.

entretanto, ninguém melhor do que Bolsonaro para representar o que há de pior na classe dominante no Brasil: elitista, autoritária, machista, homofóbica, racista, discriminatória, preconceituosa, servil aos interesses externos, reacionária e de forte viés fascista.

ainda mais: quem tem sido os Generais senão o braço armado deste sistema? sempre um sistema político subordinado ao sistema econômico, do qual os Generais são a Garantia da Lei e da Ordem a serviço do grande Capital.

não importa quantos sejam os Generais do Capitão, eles já estarão de antemão derrotados caso não compreendam a especificidade de uma conjuntura completamente diferente de 1964 e de 1968,  frente a qual não há viabilidade para qualquer estratégia "lenta, gradual e segura".

as justas e urgentes demandas de uma população com pouco rendimento mas muito endividamento não lhes baterão continência, tampouco serão superadas na base do "prendo e arrebento" e "cadeia ou exílio".

estariam os Generais dispostos a quebrar seus próprios paradigmas e implementar medidas anti-sistema?

uma impiedosa, mas sempre magnânima História lhes estende a mão. afinal o que os Generais querem? mais uma vez tristemente se apagarem?
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